«O VAR não deve andar de lupa à procura de motivos para anular um golo sempre para o mesmo lado», atira o presidente da SAD do Famalicão após a derrota (0-1) com o Sporting

Miguel Ribeiro corrosivo com arbitragem do jogo com o Sporting: «O VAR deve andar de lupa...»

Presidente da SAD não poupou nas palavras relativamente ao golo anulado a Ibrahima Ba, aos oito minutos, e que, a ser validado, colocaria os minhotos na frente do marcador

Miguel Ribeiro não poupou nas críticas à equipa de arbitragem após o embate entre o Sporting e o Famalicão, da 22.ª jornada da Liga, que terminou com um triunfo dos leões, por 1-0. O presidente da SAD do conjunto minhoto falou aos jornalistas na zona mista do Estádio de Alvalade e não deixou nada por dizer.

Na essência das declarações do dirigente do emblema de Vila Nova esteve o lance ocorrido aos 8 minutos, em que o VAR decidiu intervir para dar a indicação ao árbitro da partida, David Silva, de que o golo apontado por Ibrahima Ba tinha sido antecedido de falta. Depois de ir ver as imagens ao monitor, o juiz da AF Porto anuiu à sugestão do VAR, Vasco Santos, e anulou o tento do defesa-central dos famalicenses.

Acho que o VAR não deve andar de lupa à procura de motivos para anular um golo. E sempre para o mesmo lado. Curiosamente, é o mesmo VAR que nos fez o jogo no Estádio da Luz, com o Benfica. Ainda esta semana, Roberto Rosetti, na Sky Sports, fala sobre a intervenção do VAR e o que representa o VAR. Primeiro está o futebol, depois está a arbitragem e só depois é que está o VAR. O VAR não pode ter esta intervenção. Não é claro nem notório que há uma falta. É passível de uma discussão, se calhar, durante a semana toda. Há quem ache falta, há quem não ache. O VAR não serve para isto, serve para quando temos uma decisão clara, um erro claro do árbitro, retificá-lo. Não foi o caso. Parece-me que andamos de luta, curiosamente sempre contra os mesmos. Temos de ser muito claros, estas lupas são sempre procuradas nos jogos de quem joga contra quem joga… O futebol português para evoluir… Apelo à UEFA e a Roberto Rosetti que vejam este lance. Depois do que ele falou esta semana, seguramente que olhará para este lance e dirá que isto é tudo o que a UEFA não defende. Isto não é proteger o futebol, não é defender o espetáculo. É óbvio que para o Sporting foi muito agradável que aquele golo tenha sido anulado, mas o futebol não pode estar contente quando um golo é analisado à lupa num jogo de contacto», assumiu o dirigente máximo do Famalicão.

Instado a pronunciar-se sobre as declarações de Rui Borges, treinador do Sporting, Miguel Ribeiro respeitou... mas não concordou: «É a opinião dele. Admito que para ele não tenha havido lupa, mas acho que vai haver lupa para muita gente e não só para mim. Seguramente que há muita gente que concorda comigo. Queixas deste VAR no Estádio da Luz? Claro! Aquele penálti, do qual tivemos sete imagens, que continuo a achá-lo absurdo. Mas digo-lhe mais, este é o VAR que foi AVAR na Taça de Portugal, quando não viu o que aconteceu junto à bandeirola de canto. É este mesmo Vasco Santos. O apelo que faço ao Conselho de Arbitragem e a Pedro Proença, presidente da FPF, é que façam do VAR uma ferramenta de auxílio e não uma lupa que serve para anular golos. Se o golo fosse do Sporting e se fosse anulado, eu diria que tinha sido com lupa. Se acredito que seria anulado? Não, não acredito. O clima está a ser crescente e aviso que vai ser pior. O apelo que faço é que, o quanto antes, comecemos a ter regras, costumes e práticas para toda a gente estar esclarecida do que aí vem. É óbvio que nos próximos três meses ninguém está preocupado com o Famalicão, com o Gil Vicente, com o Vitória, ninguém. O centro vai estar nos grandes. Não vou discutir a meritocracia do resultado, o que discuto é que aos oito minutos há um golo do Famalicão anulado com uma lupa.»