Amar Dedic, da Luz para Newcastle
Amar Dedic, da Luz para Newcastle

Benfica, prioridades invertidas

Os encarnados fizeram um excelente negócio com Dedic, cuja saída está colmatada com Bah e abre portas a Benjaqui. Mas parece evidente que, para ‘ontem’, Marco Silva precisa de um médio posicional de nível internacional. O central, que também faz falta, pode esperar mais duas semanas…

Dizia o primeiro-ministro, lamentando-se, na festa do Pontal, que é dado maior destaque ao que corre mal do que àquilo que funciona bem. É verdade, uma verdade que transcende em muito as fronteiras nacionais, porque notícia não é o cão que morde o homem, mas sim o homem que morde o cão. Na política e no desporto existe uma afinidade quanto a esta realidade - a crítica está à frente do elogio, no ‘ranking’  das apreciações - sendo que a sorte dos partidos em atos eleitorais tem essencialmente a ver, mais do que as tricas e intrigas que interessam a uma ‘bolha’ que funciona tipo pescadinha-de-rabo-na boca, com o dinheiro que os eleitores têm no bolso no final de cada mês; enquanto que o sucesso dos clubes é medido pelos resultados dos cerca de sessenta jogos que disputam em cada temporada. Quando acaba a época, por mais que tenham feito, tem razão quem ganha, e só um é que pode ser campeão. 

Falemos então, em contra-corrente, do que correu bem ao Benfica nos últimos dias, mais precisamente da saída, para o Newcastle, do bósnio Amar Dedic. Devo confessar - e escrevi-o várias vezes ao longo do último ano - que nunca se tratou de um jogador que me enchesse as medidas. Dedic defende razoavelmente bem, embora se esqueça, por vezes, do avançado que lhe surge nas costas quando o lance se desenvolve no flanco contrário, é absolutamente fantástico a progredir com bola nos dois primeiros terços do campo, e quando chega à fase de decisão - centrar, passar ou rematar -, no derradeiro terço, não sabe o que fazer. É jovem, pode e deve progredir nesse particular, mas numa posição em que os encarnados possuem (além do pronto-socorro Aursnes) o experiente Bah e o muitíssimo promissor Benjaqui, que bate com muita força à porta da titularidade, mantê-lo, recusando uma oferta que dobrou o que encarnados pagaram por ele, seria um ato de péssima gestão.

Porém, o que correu bem neste particular, não invalida a urgência que o Benfica tem em fechar duas posições, onde me parece ter as prioridades trocadas. Creio ser mais importante, no imediato, a entrada no plantel de um médio posicional de nível internacional, capaz de dar à equipa o equilíbrio que por vezes perde (o Académico de Viseu é um ótimo exemplo), do que de um defesa central, posição que deverá ser reforçada até ao fim do mercado. O médio devia ser para ‘ontem’, o central tem pouco mais de duas semanas para chegar.

Com a Liga Europa bem encaminhada, o Benfica, se quiser regressar ao título nacional, está proibido de perder mais pontos com emblemas que, com o devido respeito, não são do seu campeonato. E neste particular, em 80 por cento dos jogos, Marco Silva precisa que a sua equipa pressione alto, recupere a bola cedo, e tenha presença na grande área adversária, quer através de dois pontas-de-lança, quer recorrendo apenas a um, acompanhado por médios com boa ‘chegada’ à zona de finalização. No fundo, o Benfica deve ser mais ativo que reativo, e necessita de tomar, acima de tudo, o seu destino em mãos próprias. Este é o maior e o mais importante dos desafios de um clube que na temporada passada perdeu oito pontos com equipas do último terço da classificação.

CARTAS

ÁS

Pedro Pichardo

O triplo salto parece ser coutada de quem nasceu em Cuba: nos JO de Paris/24, um espanhol, um português e um italiano, todos nascidos na ilha que um dia foi de Fidel, açambarcaram o pódio. No sábado, os caribenhos Pichardo (Portugal) e Diaz (Itália) foram prata e ouro nos Europeus…

DUQUE

Luís Suárez

O Bola de Prata de 2025/26, que perdeu a titularidade (provisoriamente?) para o grego Ioannidis, anda a pisar gelo demasiado fino no Sporting, tendo já ouvido o desagrado dos adeptos. Está a precisar que chegue o fim do mês para se focar no real e não no virtual.  

DUQUE

Rodrigo Mora

Já se percebeu que o talentoso jogador do FC Porto não faz parte das primeiras contas de Francesco Farioli. Como não jogar não é opção, nem para ele, nem para os dragões, a solução passa por uma nova morada onde lhe seja devolvida a confiança. Até lá, é tudo uma questão de números.

CAPA

Porque é que eles são tão melhores que nós?

É inveja, reconheço. Inveja branca, contudo, daquela que reconhece o mérito e não quer mal. Mas a verdade é que a diferença entre Elvas e Badajoz, Vila Real de Santo António e Ayamonte, ou Valença e Tui é que do lado de lá da fronteira há um País de desporto, enquanto que, por cá, embora as dotações estatais vão aumentando, a atividade desportiva continua a ser vista como uma despesa e não como um investimento, obrigando federações e COP a tentar tirar leite das pedras.

FOTOLEGENDA

CIVISMO

A mítica subida da Senhora da Graça, viu-se transformada em Senhora da Desgraça, com a vitória do ‘camisola preta’ a simbolizar a tragédia da véspera, que vitimou o jovem ciclista inglês Finlay Tarling. Mais do que procurar ângulos canhestros que culpabilizem a organização da Volta ou a GNR, o melhor é assumir uma realidade penosa, que nos diz que a falta de civismo é prática corrente nas estradas de Portugal, responsável por milhares de acidentes e centenas de mortos em cada ano. E esse, infelizmente, não é um problema, que testemunhamos todos os dias, que se resolva de hoje para amanhã…

A iniciar sessão com Google...