Francesco Farioli não levanta obstáculos à saída de Rodrigo Mora (foto: Catarina Morais/Kapta+)
Francesco Farioli não levanta obstáculos à saída de Rodrigo Mora (foto: Catarina Morais/Kapta+)

Pista aberta para o novo Bernardo

Treinador do FC Porto não levanta obstáculos à saída de Mora, mas Villas-Boas sabe que precisa encher os cofres ao mesmo tempo que esvazia a ilusão dos adeptos relativamente ao jovem dragão

Não será Francesco Farioli a confiscar o passaporte a Rodrigo Mora, seguramente. O treinador do FC Porto chegou a sugerir aeroportos fechados e estradas cortadas para impedir a saída de Diogo Costa — com humor à mistura, claro está —, mas no caso do jovem avançado até é capaz de vestir a farda de motorista para o levar ao Sá Carneiro.

Não quer dizer que o italiano despreze o futebol de Mora, mas nunca olhou para Rodrigo como um encaixe óbvio no desenho tático idealizado e estabilizado: foi visto sempre como demasiado ofensivo para jogar no lugar de Gabri Veiga, ao meio, e demasiado interior para roubar o lugar a Borja Sainz ou Oskar Pietuszewski na esquerda.

Esta perspetiva, tão discutível quanto legítima, saiu reforçada pela conquista do título. Por mais que tenha ficado a sensação que Mora podia ter sido mais protagonista do que foi, Farioli acabou a época com poderes reforçados. Junto dos adeptos e do presidente André Villas-Boas, um antigo treinador com conhecimento para avaliar as opções do treinador, mas noção suficiente para não questionar as mesmas, pelo menos diretamente.

Não restam dúvidas de qual a saída ideal para todas as partes envolvidas, mas é preciso atingir um patamar financeiro que abafe o lamento dos adeptos. Ironicamente, o destino mais provável para Mora é Itália. A Roma, de Gasperini, avançou de forma convicta, nas últimas horas surgiu a possibilidade de um desvio na rota. O Milan não deixa ninguém indiferente, como atesta o ano sabático de Ruben Amorim, e o técnico português poderia apresentar-se como solução interessante, não só pelo conhecimento que tem do potencial do jogador, como também pelo eventual encaixe no inegociável 3x4x2x1 que pede dois jogadores por dentro, no apoio ao ponta de lança.

Ainda que o valor da transferência venha a ser muito superior aos 15 milhões de euros que o Mónaco pagou por Bernardo Silva, como se prevê, haverá muito adepto do FC Porto a partilhar o sentimento que ainda atormenta tantos benfiquistas, mais de uma década depois da saída do esquerdino que se tornou um dos melhores jogadores do mundo.

Nenhum produto da formação portista entusiasmou tanto quanto Rodrigo Mora, pelo menos nos últimos anos, e essa expectativa é difícil de esvaziar, mas Villas-Boas sabe bem que encher os cofres ao mesmo tempo ajuda sempre a compensar.

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