Daniel Bragança festeja o golo que deu três pontos ao Sporting (Foto: Miguel Nunes)
Daniel Bragança festeja o golo que deu três pontos ao Sporting (Foto: Miguel Nunes)

Tem havido muito coração e agora houve muita cabeça (crónica)

Os sportinguistas continuam a sofrer, com tanto golo marcado perto do final e tanto ponto conquistado pertinho dos 90'. Daniel Bragança entrou e marcou. E inesperadamente de cabeça...

Não era bem uma pressão – era uma dupla pressão. O Benfica despachara, na sexta-feira, o Santa Clara por 2-1 e o FC Porto, horas antes do jogo de Alvalade, batera o Nacional por 1-0. O Sporting precisava, pois, de ganhar para continuar na luta pelo título e para manter as águias a três pontos de distância. E sem Luis Suárez (19 golos na Liga), Rui Borges resolveu o problema, como se esperava que o resolvesse: ataque móvel e Pedro Gonçalves sempre mais perto de ser o substituto direto de Suárez. Espécie de falso 9. Tão falso que, como 9, foi quase nulo. E, não havendo ponta de lança, teve de ser um médio a marcar (e de cabeça) o golo que deu mais três pontos aos leões e os mantém a quatro pontos do FC Porto e com três de vantagem sobre o Benfica: Daniel Bragança. E, como quase sempre nos últimos jogos, pertinho do fim, a sofrer, a sofrer, a sofrer…

Sentisse ou não pressão pelos triunfos de Benfica e FC Porto, o Sporting entrou mal. Muito mal, aliás. Ou, se preferirmos, o Famalicão entrou em grande, como se Alvalade se tivesse transformado no Municipal 22 de Junho e o Sporting fosse o Sporting de há 15 anos. Logo ao minuto 8, Ibrahima Ba marcou num remate fortíssimo de fora da área. Parecia, de início, que poderia ser assinalado fora de jogo do lado esquerdo do ataque famalicense, mas o VAR chamou o árbitro para este confirmar falta de Pedro Santos sobre Maxi Araújo, antes de a bola sobrar para Ba.

O Sporting tremia e o Famalicão estendia o jogo pelo relvado de Alvalade e o primeiro momento de perigo junto de Carevic surgiu, aos 15’, num longo lançamento de Diomande para Maxi Araújo, com este a rematar contra o guarda-redes. Em cima da meia hora, os leões criaram, por Trincão e Mangas, oportunidades de golo, sobretudo a do lateral, a rematar contra o poste direito. Porém, logo de seguida, aos 34 minutos, o quase impossível aconteceu: bola lançada para a corrida de Elisor, Diomande falha o corte e o francês isola-se frente a Rui Silva. Era ele o guarda-redes. Ele e a baliza. Ele e o golo. Mas Elisor, para desespero dos adeptos famalicenses, remata ao lado. Incrivelmente ao lado. Até ao final do primeiro tempo, o Famalicão recuou e o Sporting passou a comandar ainda mais o jogo ofensivo. Luís Guilherme, de pé direito, e Hjulmand, de cabeça, estiveram perto do golo. Apenas isso.

A segunda parte trouxe uma avalancha ofensiva do Sporting. Não avalancha de oportunidades, longe disso, mas muito maior domínio do jogo, encostando o Famalicão bem para junto da sua área. Porém, apesar de ter mais bola e de andar muito mais perto da baliza de Carevic, grandes oportunidades de golo nem vê-las. O relógio ia galopando para a hora de jogo e, por fim, Rui Borges decidiu mexer: Mangas por Catamo. Maxi Araújo recuou para lateral-esquerdo e Luís Guilherme saltou da direita para a esquerda.

A ideia do treinador leonino era óbvia: aumentar a pressão, aumentar a velocidade, aumentar a capacidade de criar oportunidades de golo. Hugo Oliveira respondeu com dupla troca: Pedro Santos por Pastor e Gil Dias por Joujou. O jogo, porém, não desbloqueou. O Famalicão não arriscava, mas defendia a baliza de Carevic com unhas e dentes. Era preciso muito mais para haver golos e Rui Borges voltou a mexer: Fresneda e Morita por Rafael Nel e Daniel Bragança, a menos de 15 minutos do final do jogo. Hugo Oliveira voltou a responder: Elisor por Rudi. Até que o insólito, digamos assim, chegou. Pontapé de canto do lado direito do ataque do Sporting. Trincão envia a bola para junto da pequena área e alguém salta. Poderia ter sido Diomande, Hjulmand ou Gonçalo Inácio, os mais altos da equipa. Ou Rafael Nel, o ponta de lança. Mas não. Insolitamente, devido a ser médio, devido a não ser dos mais altos, devido a múltiplos fatores, foi Daniel Bragança a marcar de cabeça e a colocar um ponto final na angústia dos sportinguistas. Mas o sofrimento continua, com tanto e tanto golo marcado quase em cima do final. Haja coração, dirão os sportinguistas.