Hjulmand festeja noite histórica do Sporting com goleada ao Bodo/Glimt que valeu o apuramento para os quartos de final da Champions - Foto: Miguel Nunes
Hjulmand festeja noite histórica do Sporting com goleada ao Bodo/Glimt que valeu o apuramento para os quartos de final da Champions - Foto: Miguel Nunes

Meses depois, Hjulmand 'responde' ao «intocável» de Mourinho

Dinamarquês desvalorizou comentário sarcástico do treinador do Benfica, que em dezembro disse que o capitão do Sporting era «intocável» para os árbitros

Morten Hjulmand, médio do Sporting, reagiu com um sorriso aos comentários sarcásticos de José Mourinho em dezembro, nos quais o treinador português o apelidou de «intocável» após um dérbi com o Benfica. Na altura, Mourinho insinuou que o dinamarquês podia cometer as faltas que quisesse sem ser admoestado com um cartão amarelo.

Sem referir nomes, Mourinho disse o seguinte a 5 de dezembro: «Há um jogador do Sporting que é intocável. Manda no jogo, puxa adversários e sai sem amarelo, faz as faltas que quiser. Mais uma vez sai do jogo sem um único amarelo. Há uma dualidade de critérios muito grande. O árbitro esteve bem, inclusivamente brinquei com ele a dizer que amanhã pode sair à rua que nem benfiquistas nem sportinguistas o vão chatear.»

Numa entrevista ao canal dinamarquês TV 2, realizada no centro de treinos do Sporting, o jogador dos leões desvalorizou o episódio. «Não sei bem por que motivo ele se pronunciou sobre isso. Mas eu tento sempre ter uma boa relação com os árbitros. É claro que o futebol é feito de emoções e, por vezes, podemos discordar de algumas decisões. Mas não me foco nesse tipo de declarações. O meu foco é ganhar jogos de futebol e ter boas exibições», afirmou Hjulmand.

Falha na seleção pesou

Hjulmand está com a seleçãoda Dinamarca e encara o jogo desta terça-feira com a Chéquia, de acesso ao Mundial 2026, como uma oportunidade de redenção. O atleta confessou que o erro que cometeu contra a Escócia em novembro, que custou a qualificação direta para o Mundial, o afetou profundamente.

«Isso pesou-me muito, muito mesmo. Por isso, isto é o melhor que podia acontecer. Ter uma desilusão que esteve no meu corpo durante três meses e poder usá-la agora. Temos de estar nessa fase final. Temos os jogadores para representar a Dinamarca numa fase final como essa», declarou.

Físico frágil e capitão

Hjulmand recordou um dos momentos mais difíceis de início de carreira: quando, na formação do FC Copenhaga, foi informado de que não tinha o físico necessário para jogar com os colegas da sua idade e teve de descer para a equipa de sub-15. Após um ano parado devido a uma lesão no joelho (doença de Osgood-Schlatter), o jovem jogador estava ansioso por regressar e afirmar-se na equipa de sub-17 do Copenhaga. No entanto, a mensagem que recebeu foi um duro golpe. «Disseram-me que simplesmente não era grande o suficiente», recordou Hjulmand, explicando que teve de voltar a jogar com atletas mais novos. «Foi uma espécie de derrota para mim ter de descer e jogar com rapazes mais novos», admitiu.

O jogador do Sporting confessou as dúvidas que sentiu na altura. «Lembro-me que havia muitas dúvidas e preocupações, mas depois de a incerteza ter diminuído um pouco, pensei que tinha de ir lá e ter boas experiências. E recuperar alguma confiança, que não tinha naquela altura. Não jogava há um ano inteiro e já não era suficientemente bom».

Contudo, a confiança de Hjulmand cresceu, assim como o seu corpo, que teve uma breve ajuda de hormonas de crescimento. O tratamento foi curto, pois o seu corpo reagiu naturalmente. «Durante as férias de verão, cresci imenso. Naquele ano, cresci 13 centímetros. Quando voltei para o segundo ano de sub-17, já não era o mais pequeno. E tinha ganhado alguns músculos nas pernas e no tronco», contou.

A partir daí, a sua carreira ascendeu. Tornou-se uma peça fundamental nos sub-19 do Copenhaga, transferiu-se para o Admira Wacker na Áustria, depois para o Lecce em Itália, onde foi capitão, e finalmente chegou ao Sporting no verão de 2023. Em Alvalade, voltou a assumir a braçadeira de capitão após apenas um ano no clube.

Hoje, Hjulmand não é apenas um pilar na equipa e seleção, mas também um líder natural, uma característica que atribui à sua personalidade. «Tenho curiosidade sobre as outras pessoas. Sou muito inquisitivo e curioso sobre como os outros estão, e sou uma pessoa social. Depois, claro, há o jogo. Acho que muitos veem uma presença em campo – tanto em termos físicos como de comunicação. Que os treinadores e colegas de equipa me sintam presente».

«Uma mistura de todas essas coisas, suponho», respondeu Hjulmand sobre o porquê de ser novamente o capitão do clube.