Alberth Ellis ao serviço das Honduras - Foto: IMAGO

Marítimo de Primeira: os poucos tiros ao lado (por razões bem diferentes)

Hondurenho Albert Ellis foi forte aposta, mas já não era o mesmo jogador do Boavista

Parte VI — O caso da pantera e do Melro

Um dos casos mais complexos envolve a contratação de Alberth Elis. O antigo avançado de Bordéus e Boavista chega à Madeira como forte aposta. A estrutura reúne relatórios médicos exaustivos, estabelece contactos diretos com o departamento clínico da federação das Honduras, com o antigo clube e pessoas próximas para ter certeza da total recuperação de uma grave concussão cerebral sofrida no passado.

Só que o rendimento fica aquém das expectativas. O avançado demonstra dificuldades de mobilidade, perda da aceleração e problemas no controlo de bola, que inviabilizaram a adaptação ao futebol veloz e pressionante pretendido. Face ao elevado peso salarial e à ausência de retorno, a administração da SAD opta pela rescisão amigável.

Em janeiro, voltam as dificuldades no recrutamento. A prioridade definida por Miguel Moita e pela direção desportiva passa pela contratação de um extremo puro, vertical e com forte capacidade de ditar profundidade, de forma a oferecer características distintas das de Tejón ou Simo, que privilegiam o jogo interior. A estrutura chega a ter um alvo negociado no mercado internacional, mas a operação colapsa nas últimas horas da janela devido a exigências de intermediários. Sem margem de manobra, o Marítimo garante o jovem José Melro, por cedência do Benfica.

José Melro não foi feliz na passagem pelo Marítimo — Foto: Benfica B
José Melro não foi feliz na passagem pelo Marítimo — Foto: Benfica B

«Em janeiro houve um acerto com jogadores que não estavam a ser tão utilizados. Fomos honestos com eles, eu e o diretor desportivo, dissemos-lhes que iam ter poucos minutos naquela forma de jogar e que seriam sempre terceira opção. Era importante perceberem-no para darem novo rumo às carreiras. Entrou o Melro, mas não era o perfil que tínhamos identificado inicialmente. Tínhamos o Peña como boa opção para agitar o jogo a partir do banco, mas faltava esse elemento de rotura. Esse extremo foi identificado, mas no último dia ruiu a possibilidade de vir. Acabou por entrar um jogador que não era extremo ou ponta de lança, mas segundo avançado. Não foi benéfico para o jogador, nem para nós. Foi prejudicado pela nossa forma de jogar e não teve tantas possibilidades de alinhar. Mas as coisas no futebol são assim, nem sempre são como queremos. O diretor desportivo tinha a situação pensada, mas informou-me no último dia que não seria possível e aquela era a única opção disponível. O trabalho do treinador é ajustar e tentar incluir o atleta nas dinâmicas», recorda Moita.

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