A história não contada do regresso do Marítimo à Primeira Liga
Parte I — Um líder para um Movimento
O sonho existe. Além da obrigação de lutar sempre pela subida. Carlos André Gomes é eleito presidente do Marítimo em novembro de 2023, já com a primeira época no segundo escalão desde 1984/85 em andamento, e o objetivo é claro: devolver os verde-rubros à elite. No banco está Tulipa, que só resiste um mês, e a primeira escolha do novo líder é Fábio Pereira, que ainda se estende até aos primeiros meses de 2024/25, porém sai em setembro. Segue-se Silas, que fica apenas um mês, para dar lugar a Rui Duarte, mas também este não termina a época. É chamado Ivo Vieira, num momento em que politicamente também se discute a entrada de investidores estrangeiros.
Desde dezembro que na direção desportiva está João Moura, antigo agente FIFA da empresa ProEleven. Depois de um 4.º lugar na primeira tentativa, o 12.º na segunda, sobretudo com a ameaça próxima dos lugares de descida, não tem como não baixar expetativas. O investimento feito nos dois anos anteriores está bem longe de ter compensado. Ivo Vieira, com a missão cumprida, volta a deixar o escritório do técnico vazio. Era necessário começar de novo.
O ponto de partida é a escolha do novo treinador. E não é fácil. Moura fica com essa missão. O perfil deve, em tese, ser diferente do de Vieira, ainda que tenha sido importante na estabilização num momento delicado. O diretor desportivo aponta para alguém de visão moderna, capaz de convencer jogadores jovens com uma mentalidade ofensiva e de ser um líder pelo comportamento, comunicação e exemplo. Na shortlist consta o nome de Vítor Matos, conhecido do responsável e do seu grupo de amigos, que inclui Vítor Severino, adjunto de Luís Castro no Grémio. E é precisamente Severino, que recusa amavelmente uma primeira abordagem dos insulares, quem indica Matos como possível opção.
O antigo adjunto de Jürgen Klopp tinha outras hipóteses, nomeadamente, da Primeira Liga e até uma eventual entrada na seleção brasileira para a equipa técnica de Carlo Ancelotti, e dá luta. É quando já poucos acreditam que haja fumo branco que admite conversar. A conversa dá-se num hotel em Gaia. Mas ainda diz não. Só precisamente uma semana depois, quando vem a Lisboa para uma palestra na Federação, após receber mensagens do presidente e do diretor desportivo que o comovem, admite negociar. Começa a acertar os termos. Estamos a 5 de junho de 2025.
Na apresentação que faz à direção do Marítimo, acaba com qualquer dúvida que ainda houvesse. Está perfeitamente identificado com a realidade do futebol português, do segundo escalão e do clube, apesar dos muitos anos que já leva fora do país. O 4-3-3 focado na pressão alta e na forte reação perda da bola que traz como proposta encaixa bem nas pretensões dos responsáveis. Segue-se o aperto de mãos. Negócio fechado!
Parte II
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