Duarte Gomes e Luciano Gonçalves em novembro de 2025 — Foto: Miguel Nues
Duarte Gomes e Luciano Gonçalves em novembro de 2025 — Foto: Miguel Nues
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Da integridade do jogo

Inglaterra espera com ansiedade o castigo que será aplicado ao Man. City por violações financeiras num período de nove épocas. Ainda podemos acreditar que lá alguma coisa acontece

O espaço mediático desportivo em Inglaterra está a ser dominado pelo anúncio de que o Manchester City foi considerado culpado, em julgamento de uma comissão independente, depois de acusação da Premier League, de 115 violações das regras financeiras. Não é para menos. É um ataque à integridade do jogo, considerado, por isso, da maior gravidade. Desconhece-se qual o castigo que será aplicado, admite-se que não será meigo, apesar de o City ter clamado inocência e anunciado o recurso.

A investigação arrancou em dezembro de 2018 e a primeira acusação da Premier League foi produzida em fevereiro de 2023. Foi, depois, criada uma comissão independente que analisou os milhares de documentos, os fundamentos da acusação e a contestação do City. Houve, naturalmente, expedientes jurídicos dilatórios que fizeram arrastar o processo. E, no entanto, a conclusão chegou. Não se brinca com coisas sérias.

O espaço mediático em Inglaterra foi dominado, ali para o meio do mês de setembro, pelo golo, em fora de jogo, que deu a vitória do City sobre o Man. United, em Old Trafford. No mesmo dia, a Pro Ref, empresa independente responsável por gerir, treinar, nomear e avaliar os árbitros e árbitros assistentes do futebol profissional em Inglaterra, esclareceu que houve um erro. Howard Webb, chefe lá dos árbitros, admitiu que o VAR cometeu um erro grave. Videoárbitro e assistente de videoárbitro foram para a jarra, essa instituição tão em desuso em Portugal. A consequência do erro foi imediata. Também aqui não se brinca com coisas sérias.

Em Portugal, o ex-Diretor Técnico Nacional da Arbitragem, Duarte Gomes, deu uma extraordinária entrevista, conduzida por Alexandre Pereira, a A BOLA, na qual, sem poder dizer tudo, revelou muitos dos males da arbitragem, nomeações ou pressões sobre árbitros, práticas, pelo menos, duvidosas de dirigentes do setor. Vale a pena espreitar o site de A BOLA para ler com atenção a entrevista.

Duarte Gomes colaborou nove anos com A BOLA e não consigo contar as vezes que trabalhei diretamente com ele. Sempre me mereceu (e continua a merecer) a maior consideração e, no entanto, aqui o critiquei em novembro, no âmbito de uma conferência de Imprensa com Luciano Gonçalves, presidente do Conselho de Arbitragem, a propósito do que disse sobre o penálti assinalado a António Silva com o Casa Pia. Essa forma de comunicar, anunciada como transparente, depressa desapareceu. Não sem antes Luciano Gonçalves ter anunciado que jarras são para as flores. Ou, acrescentaria, para esses bárbaros ingleses.

Voltando à entrevista de Duarte Gomes, é praticamente impossível não questionarmos argumentações e comportamentos atribuídos a Luciano Gonçalves, deixando claro que suspeição está longe de ser acusação e muito menos condenação. Seria o que mais faltava, ainda vivemos num Estado de Direito.

Fica mais complicado perceber, dito isto, os motivos para Luciano Gonçalves se manter em silêncio. Se a continuidade no cargo, depois de tudo o que se disse e se sabe, é um problema de consciência — e ninguém tem o direito de fazer julgamentos de consciência — o presidente do Conselho de Arbitragem só faria bem em esclarecer toda a situação, mesmo considerando os constrangimentos decorrentes de a Justiça ter pegado no caso. O mesmo se aplica ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença.

O que está em causa, aqui como em Inglaterra, é a integridade do jogo, bem mais precioso para todos os que ainda vamos gostando de futebol. Se não for defendido, então largos dias continuarão a ter, por cá, 100 anos.

Queixas

O presidente do FC Porto, André Villas-Boas, considerou a queixa do Benfica no Conselho de Disciplina (CD) da FPF contra Samu como «frustrações naturais», «métodos criativos para arranjar maneiras de suspender jogadores» e «condicionamento de jogadores». Foi isso que sentiu e procurou fazer quando apresentou queixas contra Luis Suárez ou Morten Hjulmand no CD?

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