Marítimo de Primeira: recrutamento sem prospeção e orçamento baixo
Parte III — Cada reforço, uma nova batalha
A BOLA passa por Rio Maior num dos dias do estágio de pré-temporada do Marítimo. Há sorrisos pelo trabalho, que corre bem, e alguns olhares no vazio quando se fala de mercado. Mesmo com a ajuda da rede de contactos do diretor desportivo João Moura e do treinador Vítor Matos, que incluem antigos clubes, relacionamentos e até empresas de agenciamento, não está a ser fácil convencer os alvos. E sem ovos não há omeletas. Nem mesmo huevos revueltos, uma vez que o principal filão acabou mesmo por ser o espanhol.
A construção do plantel enfrenta limitações de ordem orçamental e não só. Não há na altura um único scout. A identificação de reforços depende exclusivamente dos conhecimentos de Moura, Matos e do adjunto Gonçalo Ricca, que consome muito futebol. É este último que faz a primeira filtragem para as posições pretendidas, na altura extremos e avançados, revista depois pelos três com recurso à plataforma Wyscout.
«Analisámos um número muito elevado de jogadores. Está sempre dependente da realidade financeira e das oportunidades que surgem. Houve um trabalho muito profundo, liderado pelo João Moura, num contexto que exigia capacidade de filtrar informação e tomar decisões com critério. Mais importante do que o número foi a qualidade do processo e a clareza dos perfis que procurávamos. O Gonçalo teve também um papel importante, fazendo uma primeira filtragem que posteriormente era analisada pela estrutura. Tive a sorte de ter um diretor desportivo fantástico e uma direção que acreditava nos perfis que selecionávamos e encontrámos soluções internas muito eficazes. O clube tinha pessoas com uma enorme capacidade de trabalho, o que nos permitiu ser rápidos e assertivos nos processos de identificação e recrutamento. Aí o trabalho do João Moura foi determinante», sublinha Vítor Matos.
No plano financeiro, o Marítimo opera com teto salarial significativamente inferior ao dos concorrentes diretos. Enquanto emblemas como Santa Clara ou Farense garantem propostas a oscilar entre os 14 e os 15 mil euros líquidos mensais, a estrutura salarial dos insulares fixa-se num máximo de nove a dez mil euros líquidos para os principais ordenados. O clube é obrigado a ser célere e assertivo, focando-se em oportunidades de jogadores subvalorizados ou em perda de espaço competitivo em ligas vizinhas, nomeadamente a espanhola.
João Moura cria uma apresentação para vender a Madeira e o ambiente familiar do clube, e Vítor Matos, pelo passado com Klopp e por ter trabalhado com jovens e com grandes jogadores no Liverpool, também é argumento. Aos poucos, os reforços chegam: Simo, Tejón, Guzzo, Paulo Henrique…
Parte IV
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