Portugal venceu na Dinamarca por 4-2 e soma nove pontos na Liga das Nações - Foto: IMAGO
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A vida continua e há tanto, mas tanto para aproveitar! (crónica)

Terceira vitória seguida e deixa apuramento bem encaminhado. Máquina ofensiva de Jesus está soltinha e a carburar no pós-Ronaldo. Defensivamente há trabalho a fazer, mas sinais só podem ser animadores

COPENHAGA — O momento pedia uma prova de força e a Seleção deu-a. No primeiro jogo após o furacão Ronaldo, Portugal bateu a sempre difícil Dinamarca no Parken, somando a terceira vitória em três jogos, deixando bem encaminhado o apuramento para os quartos de final da Liga das Nações. Jorge Jesus voltou a mexer, mas o resultado não mudou: vitória. Nem tudo foi perfeito, longe disso. Contudo, os sinais são francamente promissores: em pouco tempo, o ataque já está bem oleado e, do meio-campo para a frente, há liberdade (e vontade) de rendilhar o jogo.

Como em Oslo, Jesus apresentou um onze virado para o ataque, entregando as alas a Pedro Neto e Rafael Leão. O miolo foi remodelado, com Vitinha e Rúben Neves, e o regressado Bruno Fernandes juntou-se a Gonçalo Ramos: o tal papel de meia de que o selecionador falou na véspera. A Dinamarca mudou os extremos — Daghim e Daramy foram titulares — e o… guarda-redes.

Portugal voltou a pressionar desde cedo, obrigando os nórdicos a lançarem longo, muitas vezes mal. Ainda assim, o primeiro calafrio foi para a turma lusa (8'). Uma arrancada de Maehle desequilibrou e valeu a solidariedade defensiva para salvar. Portugal não se atemorizou e respondeu aos 13'. Com golo! O lance foi de fino recorte: logo a seguir a uma carambola ao poste de Gonçalo Ramos, João Cancelo tabelou com o avançado e picou, com toda a classe, para o 1-0.

As incursões ofensivas de Nuno Mendes foram um problema para os da casa e até houve tempo para algum desperdício, que saiu caro. Aos 23', Damsgaard (passa tudo por ele) recebeu em zona proibida, à entrada da área, e disparou com efeito para o 1-1. Penalização por dupla chance esbanjada pouco antes e também por algumas perdas de bola no setor intermediário.

Mas o Parken nem tempo teve para celebrar: dois minutos volvidos e já Gonçalo Ramos recolocava Portugal na frente, aproveitando passe de excelência do capitão Bruno Fernandes.

Ao intervalo, Brian Riemer lançou o extremo Isaksen em busca de melhor definição pela direita. Do lado português, Vitinha voltou do balneário uma rotação acima, o que levou a que existisse mais jogo pelo corredor central. E foi mesmo pelo meio que apareceu o... 2-2. Damsgaard aproveitou a falta de cobertura para isolar Hojlund, que ganhou a Rúben Dias na velocidade e, na cara de Diogo Costa, imitou a picadinha de Cancelo.

Jesus mexeu em dose dupla depois de oportunidade desperdiçada por Gonçalo Ramos. Dalot refrescou a lateral-direita e Trincão rendeu Leão, empurrando Neto para a esquerda. O terceiro tento luso veio pouco depois e de forma improvável. Não na assistência — passe de excelência de Bruno Fernandes —, mas no marcador: Vitinha, de cabeça (67'), em movimento superlativo a entrar na grande área.

Com tanta indefinição no marcador, pedia-se calma a Portugal. O tempo foi passando e a Dinamarca começou a pôr o pé no acelerador. Com Gonçalo Ramos e Pedro Neto esgotados, JJ apostou nos Joões, Neves e Félix.

Portugal foi cerebral na reta final, explorando o contra-ataque perante o tudo ou nada nórdico. O tento da tranquilidade apareceu, então, com naturalidade. A trivela de Rúben Neves lançou Dalot pela direita e este serviu Félix para o 4-2. Jogo resolvido e terceiro triunfo no bolso. Na defesa, ainda há muito trabalho a fazer, mas a Seleção deu um sinal claro: há muita vida para lá do caso do momento. E o futebol que se vê na frente já nos faz ansiar por domingo…

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