Mário Gomes: «Perdemos um jogo que podíamos ter ganho»
«Perdemos um jogo que podíamos ter ganho. Demonstrámos isso, mas provavelmente mostrámo-lo demasiado tarde», declarou, sem rodeios, o selecionador nacional Mário Gomes após Portugal ter perdido com Montenegro por 68-72 (13-23, 8-13, 20-13 e 27-23), em Matosinhos, em partida a contar para a 5.ª e penúltima jornada do Grupo B, da primeira fase de qualificação para o Mundial do Qatar-2027.
E o técnico estava bem consciente do que acontecer num embate em que os Linces nunca lideraram e na 1.ª parte chegaram a ter a desvantagem de 17 (17-34), não conseguindo mais do que 21 pontos até ao intervalo e apenas 8 no 2.º período.
«Defendemos muito mal nos primeiros minutos, eles ganharam vantagem e, contra uma equipa com a qualidade do Montenegro, nesta altura da época, é muito difícil recuperar de uma desvantagem de 17 pontos. Conseguimos aproximar-nos, mas o início foi muito mau para nós e deu-lhes muita confiança», foi referindo o selecionador.
«Depois, durante todo o jogo, mas sobretudo na primeira parte, tivemos uma percentagem de lançamento horrível. Ao intervalo tínhamos 22 por cento de eficácia de campo. É impossível ganhar a este nível com esses números».
«No final continuámos com más percentagens, tanto de dois como de três pontos, e também nos lances livres, onde ficámos abaixo dos 60 por cento. Isso acabou por fazer a diferença», acrescentou.
Agora, para apenas depender de si, Portugal terá de bater a Grécia em Atenas no domingo, ou então esperar por um desaire da Roménia ou vitória que não lhes dê vantagem no desempate por confronto direto.
«O que retiro deste jogo é o caráter da equipa. É muito difícil reagir nestas circunstâncias e nós reagimos. Mantivemo-nos unidos, lutámos juntos e mostrámos muito carácter. Não tenho nada a apontar aos jogadores. Foi apenas um mau começo e um dia muito mau na eficácia de lançamento.»
«Apesar da forma como começámos e da falta de eficácia no lançamento, fizemos outras coisas muito bem, sobretudo defensivamente a partir de determinada altura. Se não o tivéssemos feito, nunca teríamos reduzido para oito pontos no final do terceiro período, nem discutido o jogo até aos últimos segundos.»
«Ainda há um jogo nesta fase e não há qualquer drama da nossa parte. Não é por acaso que temos duas vitórias e a Roménia também. Vamos à Grécia fazer o nosso trabalho, dar o máximo e tentar ganhar o jogo. No fim faremos as contas», concluiu.
Travante Williams: «Esta não foi a melhor imagem daquilo que somos»
Quanto a Travante Williams, a principal figura da Seleção na partida ao marcar 12 dos seus 24 pontos no 3.º quarto, incluindo dois triplos, nove dos quais seguidos, também estava consciente da forma perdulária com que a equipa começara. «Entrámos muito mal no jogo e não conseguimos marcar nos primeiros minutos. Esse foi um dos nossos maiores problemas. Perdemos por quatro pontos e falhámos sete lances livres. Eu próprio falhei três. Num jogo destes, esses detalhes fazem toda a diferença».
Se convertêssemos alguns desses lances livres, o jogo ficava ainda mais equilibrado e talvez o adversário sentisse mais pressão. Tivemos a última posse e foi assinalada uma falta sobre mim. Acho que os árbitros vão rever esse lance e perceber que não foi falta. Temos de jogar melhor. Estamos juntos há alguns anos e esta não foi a melhor imagem daquilo que somos, nem da forma como queremos jogar. É muito difícil ganhar quando fazemos uma exibição deste nível», comentou ainda o extremo/base que com dois triplos a 28s do apito final (64-76) reacendeu a esperança de uma reviravolta.
Miguel Queiroz: «As contas complicaram-se bastante»
Já o capitão Miguel Queiroz salientou o desgaste que a desvantagem criou e que se refletiu nos minutos finais. «Quando andas muito tempo atrás do prejuízo, o cansaço é maior. Estivemos sempre a correr atrás, e depois, quando nos aproximamos, parece que cada posse de bola pesa o dobro. Foi um jogo difícil para nós.»
«Era um jogo que precisávamos de ganhar, não só para garantir a passagem à próxima fase, mas também para continuar a acreditar no apuramento para o Mundial. As contas complicaram-se bastante, mas ainda temos um jogo na Grécia, onde podemos procurar uma vitória que nos coloque novamente em posição de continuar a lutar.»
«Não há muito tempo para ficar a lamentar. Temos de descansar o melhor possível, viajar para a Grécia e tentar ganhar. Acredito que a equipa mostrou aquilo de que é capaz. Agora, temos de conseguir fazê-lo durante mais tempo, não andar sempre 'atrás do prejuízo', fazer um jogo equilibrado desde o início".»
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