Portugal perde contra Montenegro e qualificação complica-se
Obrigado a ganhar para se qualificar automaticamente e não ficar dependente do confronto ante a Grécia no próximo domingo, em Atenas — o qual fechará a primeira fase de grupos da qualificação para o Mundial do Qatar-2027 —, Portugal viu a sua ambição em se manter em prova diminuir drasticamente ao perder esta quinta-feira, em Matosinhos, contra o Montenegro por 68-72 (13-23, 8-13, 20-13 e 27-23), numa partida em que nunca liderou e chegou a deter uma desvantagem de 17 pontos (17-34) antes do intervalo (21-36).
A situação complica-se ainda mais depois de, duas horas antes, os helénicos, líderes do Grupo B (8 pts) e únicos já com o visto na mão para a próxima etapa, terem ido perder a Oradea ante a Roménia por 73-66 (16-18, 19-20, 16-30 e 22-8). É um desfecho que deixa tudo em aberto para a derradeira ronda, a fim de determinar quais são as outras duas seleções que se juntam aos gregos.
Mesmo um desaire com a Grécia pode dar a qualificação mas, para tal, é necessário que os romenos tenham um desfecho com o Montenegro igual ou pior do que Portugal, e que a Seleção termine com vantagem no confronto direto para ocupar a terceira e última vaga, pois os montenegrinos ficarão sempre à frente.
Quanto à partida em si, as coisas não começaram nada bem para os homens de Mário Gomes, sem que estes conseguissem estancar o ataque adversário, onde Yogi Ferrell (14 pts, 5 ass) e Igor Drobnjak (18 pts, 3 res) foram os mais efetivos, mas pior era a falta de concretização. Revelou-se muitas vezes uma fraca oposição quando os visitantes abriram o primeiro fosso no marcador com um parcial de 0-9 (3-13), em que Portugal esteve em jejum durante quatro minutos inteiros.
Na resposta, o conjunto das quinas ainda reduziu para 11-13, mas com mais uma fraca produção no final do quarto e sofrendo nova sequência de 2-8 (15-31) no início do segundo período — em que só conseguiram um cesto em 6h30 —, as coisas nunca melhoraram muito. Os dados estatísticos de ressaltos, assistências, turnovers ou roubos de bola eram semelhantes entre uma e outra equipa, mas as percentagens de lançamento explicavam tudo. Portugal registava 28% em lançamentos de dois pontos, 11,11% em triplos e 80% em lances livres; contra 55%, 30% e 62,5% dos visitantes, respetivamente.
Foi necessário esperar pelo terceiro quarto para que, primeiro Diogo Ventura (7 pts, 4 ass) e depois Travante Williams (21 pts, 3 res) — ao marcar 12 pontos, incluindo dois triplos, nove dos quais seguidos —, baixassem a diferença para 41-47 e mostrassem que tudo era possível.
E foi assim que os Linces entraram para o último quarto. Apesar de as falhas continuarem a existir, enervaram o Montenegro e foram-se aproximando até que, quando já parecia impossível, mais dois triplos incríveis de Travante (64-67) a 28 segundos do apito final reacenderam a esperança, e dois cestos de Miguel Queiroz (8 pts, 8 res) deixaram o marcador em 68-70 com escassos 9 segundos por jogar.
Ao repor a bola debaixo do cesto, Fedor Zugic (9 pts, 5 res), pressionado, colocou-a diretamente nas mãos de Ventura que, no seguimento do movimento, fez uma entrada, mas a bola rolou pelo aro e saiu, para desespero de Mário Gomes, que por milésimos sonhou com o prolongamento.
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