Gianni Infantino, presidente da FIFA no Mundial 2026
Gianni Infantino, presidente da FIFA - Foto: IMAGO

Mais uma: federação da Escócia retira apoio a Infantino

Diz ter perdido a confiança no presidente da FIFA e não votará favoravelmente à reeleição

A Federação Escocesa de Futebol (SFA) perdeu a confiança em Gianni Infantino e não votará na sua reeleição para a presidência da FIFA. A confirmação foi dada por Ian Maxwell, diretor-executivo da SFA, em conferência de imprensa.

Esta decisão surge numa altura em que a FairSquare, uma organização sem fins lucrativos que defende a responsabilização no desporto, solicitou formalmente ao comité de governação, auditoria e conformidade da FIFA que Infantino seja considerado inelegível para uma nova candidatura.

A pressão sobre o atual presidente da FIFA tem vindo a aumentar, especialmente após a sua tentativa, entretanto abandonada, de criar uma nova empresa, a Fifa Forward Enterprise (FFE), para gerir os direitos comerciais e de bilhética de todas as competições da FIFA, incluindo o Mundial. O plano previa a venda de 21% desta empresa a uma sociedade de investimento privada, o que gerou fortes críticas de várias confederações, com a UEFA à cabeça, que chegou a ameaçar com um boicote a todas as competições da FIFA.

Ian Maxwell, falando durante a apresentação do belga Sebastian Pocognoli como novo selecionador da Escócia, foi claro quanto à posição da federação. «A posição da SFA tem sido clara desde a reunião das 55 federações da UEFA», afirmou. «Alinhámo-nos com a posição da UEFA, e 55 nações têm mais força do que uma só voz. A declaração deles desde então falou de uma falta de confiança na liderança da FIFA, e a Federação Escocesa concorda totalmente com essa decisão. A SFA não votará em Gianni Infantino na reeleição no início de 2027».

Maxwell negou que o silêncio público anterior da SFA se devesse ao facto de o seu presidente, Mike Mulraney, liderar o comité de finanças da FIFA. Recorde-se que as federações de Inglaterra, País de Gales e República da Irlanda já tinham anunciado a retirada do seu apoio a Infantino, que se prepara para concorrer a um quarto mandato em março.

Na semana passada, a UEFA, a Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol emitiram uma carta aberta acusando a FIFA e Infantino de quebra de confiança «através de engano». A carta, assinada pelos presidentes e secretários-gerais das três confederações, sublinhava que a polémica em torno da proposta da FFE era uma questão fundamental sobre «a integridade do jogo e a integridade daqueles eleitos para o liderar».

O apoio ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, parece ter dividido o mundo do futebol, com as confederações de África, América do Sul e Oceânia a manifestarem o seu suporte, mas com dissidências notórias a surgirem dentro das próprias organizações continentais.

Esta divisão interna torna difícil prever quem leva a melhor nesta batalha política. Na Oceânia, que conta com 11 associações-membro, a Nova Zelândia já anunciou que não seguirá a orientação da sua confederação e não votará em Infantino.

Na CONCACAF, o México, a Granada e a federação de São Cristóvão e Neves demarcaram-se das restantes 32 nações para apoiar o presidente da FIFA. Já na Ásia, oito dos 46 membros da confederação também se posicionaram a favor de Infantino: Emirados Árabes Unidos, Qatar, Sri Lanka, Líbano, Kuwait, Mongólia, Filipinas e Butão.

A mesma fratura é visível no Conselho da FIFA, composto por 36 dirigentes de confederações e federações nacionais, além do próprio Infantino. Esta falta de consenso levanta questões sobre a capacidade de Infantino governar o organismo, mesmo que vença a eleição entre as 211 associações-membro.

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