Jogadora do Benfica entra na polémica sobre atletas trans
A determinação do Comité Olímpico Internacional (COI) de impedir atletas trans de participar nas competições femininas está a causar enorme ruído em várias modalidades, com a WNBA à cabeça e, com manifestações diárias no voleibol brasileiro, por exemplo.
Esta segunda-feira, foi a vez da universal Samara Vieira, que há dois anos veste a camisola do Benfica, pentacampeão nacional de andebol, refletir sobre o tema, usando as redes sociais.
«Talvez tenhamos chegado a um ponto em que uma mulher precisa ter medo de dizer: 'Eu quero uma competição justa para mim'. E isso deveria fazer-nos pensar. Defender a categoria feminina não é declarar guerra às pessoas trans. É reconhecer que existem diferenças biológicas relevantes para o desporto — e que ignorá-las não cria igualdade; pode simplesmente transferir a desigualdade para quem já tinha uma categoria própria. Respeito não significa apagar diferenças. Inclusão não deveria significar abrir mão de direitos», defendeu a brasileira de 34 anos, que já este ano renovou o acordo com os encarnados por mais uma época.
«E empatia não deveria exigir que as mulheres ficassem em silêncio. Uma mulher pode defender seu espaço sem odiar ninguém. Pode discordar sem desrespeitar. Pode dizer 'não considero isso justo' sem ser transfóbica. Porque, no fundo, a pergunta não deveria ser: 'Quem merece existir?' Todos merecem respeito. A pergunta é: 'Como construímos regras que respeitem a dignidade de todos sem retirar das mulheres a igualdade competitiva pela qual tantas lutaram?' Talvez a verdadeira inclusão seja justamente esta: Criar espaço para todos sem exigir que alguém desapareça para que outro possa caber», concluiu.