Infantino, presidente da FIFA
Infantino, presidente da FIFA

Oceânia apoia Infantino, mas Nova Zelândia demarca-se e aprofunda crise na FIFA

Mundo do futebol dividido relativamente ao atual presidente da FIFA

A Confederação de Futebol da Oceânia (OFC) declarou o seu apoio a Gianni Infantino, um reforço para o presidente da FIFA numa altura em que enfrenta pedidos de demissão por parte da UEFA, da CONCACAF e da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Esta tomada de posição evidencia ainda mais a guerra civil que se vive no futebol mundial.

Contudo, num sinal claro de divisão interna, o membro mais proeminente da OFC, a Nova Zelândia, demarcou-se da confederação ao retirar o seu apoio a Infantino. A federação neozelandesa exige uma revisão independente do plano Fifa Forward Enterprise, uma reivindicação partilhada pelos três blocos rebeldes.

A posição da OFC foi tornada pública esta sexta-feira, através de um comunicado emitido após uma reunião do seu comité executivo nas Fiji. No documento, a confederação elogia «o progresso alcançado na última década» pela FIFA, naquela que foi a sua primeira declaração pública desde o surgimento do controverso plano de venda do Mundial.

A OFC é a mais pequena das confederações, com apenas 11 membros, mas os seus votos podem ser cruciais nas eleições presidenciais do próximo ano, onde Infantino enfrentará um desafio à sua liderança pela primeira vez numa década. O apoio da OFC, que se junta à Confederação Africana de Futebol (CAF) e à CONMEBOL, completa uma divisão simbólica no futebol mundial.

Apesar de a UEFA, a CONCACAF e a AFC representarem 143 dos 211 membros da FIFA, países influentes como o México e o Qatar já manifestaram o seu apoio contínuo a Infantino, sugerindo que outras nações poderão desafiar as diretrizes das suas confederações. O apoio da OFC reflete também o apoio que Infantino continua a receber das nações mais pequenas, como a Samoa Americana e as Ilhas Cook, um tema que deverá marcar a campanha eleitoral.

No seu comunicado, a OFC declarou: «O Comité Executivo da OFC saúda a decisão da FIFA de retirar a proposta FFE (Fifa Forward Enterprise) e o seu compromisso em rever as questões em torno do projeto». A confederação acrescenta que «reconhece o progresso alcançado na última década no avanço do desenvolvimento do futebol na Oceânia sob a liderança da FIFA e incentiva a FIFA a usar a revisão como uma oportunidade para identificar e implementar quaisquer mudanças que possam ser necessárias».

A decisão da Nova Zelândia de se afastar da posição da confederação ganha particular significado, dado que a federação beneficiou da liderança de Infantino ao ser escolhida, juntamente com a Austrália, para coorganizar o Mundial feminino de 2023.

Numa nota oficial, a Federação de Futebol da Nova Zelândia (NZF) justificou a sua posição: «Após uma análise cuidada, a New Zealand Football concluiu que as decisões e ações dentro da FIFA contribuíram para uma quebra de confiança e um aumento da divisão no futebol internacional, e que é necessária uma revisão independente para restaurar a confiança.»

Andrew Pragnell, diretor-executivo da NZF, afirmou que a decisão de retirar o apoio a Infantino se baseia nos valores do país. «Todos os que estão ligados ao futebol em todo o mundo merecem saber a nossa posição», disse. «A Nova Zelândia é um país que sempre se guiou pelos seus valores, e estamos muito orgulhosos de os colocar em primeiro lugar, assim como os adeptos e a comunidade do futebol, porque penso que, neste momento, existem apelos muito fortes por mudança», rematou.

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