LeBron vai conhecer a sua quarta equipa em 24 temporadas na NBA     Fotografia Imago
LeBron vai conhecer a sua quarta equipa em 24 temporadas na NBA Fotografia Imago

LeBron trocou milhões pelas estrelas dos 76'ers no sonho do quinto título

De regresso à conferência Este, onde actuou 15 das 23 épocas na Liga, aos 41 anos, o 22 vezes All-Star optou por integrar um dos mais fortes plantéis para tentar voltar a celebrar um título, mas terá de de adaptar a que não pode ter sempre a bola na mão, nem a conduzir o ataque, nem a finalizá-lo, porque há gente suficiente para essas tarefas. Será que a sua força de gravidade conseguirá transformar essas estrelas numa galáxia dominante?

Em Portugal, a 24 de julho de 1833, as tropas liberais, comandadas pelo Duque da Terceira, entraram em Lisboa depois de terem derrotado as tropas miguelistas lideradas por Teles Jordão na Batalha da Cova da Piedade — um momento decisivo para o princípio do fim do absolutismo no país a favor do liberalismo.

Nos Estados Unidos, em 2026, LeBron James deu a saber, através do jornalista da ESPN Shams Charania, que será nos 76'ers onde cumprirá a sua 24.ª temporada. A decisão provocou uma revolução na NBA, mexendo fortemente com o equilíbrio existente, tanto na Conferência Este como em toda a Liga.

Com Warriors, Heat, Cavaliers e Timberwolves igualmente na luta pela aquisição do extremo/poste de 41 anos, nesta sexta-feira de manhã as casas de apostas atribuíam apenas 8,9 por cento de hipóteses de o quatro vezes campeão ir para Filadélfia.

Tratava-se de um valor bem inferior aos 45 por cento atribuídos aos Heat, sobretudo depois de, no início da semana, ter havido um engano no clube e ter sido publicado nas redes sociais, durante alguns minutos, que na próxima segunda-feira King James seria apresentado em Miami. Agora está confirmado: foi mesmo um erro.

Duas coisas são, para já, certas: quando o 81.º campeonato da NBA arrancar no final de outubro, os 76ers vão ter a Xfinity Mobile Arena com os 20.478 lugares esgotados para toda a época. E o mesmo acontecerá nos restantes 41 jogos fora de casa.

A outra certeza é que o commissioner Adam Silver, assim como os canais de transmissão da competição, já podem descansar e definir o calendário definitivo — particularmente na escolha das partidas para o dia de abertura e para o dia de Natal, bem como para todas as datas e semanas especiais, como a das rivalidades.

Note-se que James é o jogador que mais vezes atuou a 25 de dezembro: 20 vezes! Mais perto só o falecido Kobe Bryant, com 16.

E se os Sixers estavam com odds de 20/1 nas casas de apostas quanto à hipótese de conquistarem o título em 2026/27, agora desceram para 10/1. Melhor do que eles, só os Thunder (+275) e os Spurs (+275), surgindo na terceira posição os campeões Knicks (+850).

O acordo é válido por duas temporadas, no valor de oito milhões de dólares (7,108 milhões de euros) — o mínimo permitido para um veterano —, ficando a segunda temporada sob opção de James. Trata-se de um valor bastante inferior aos 52,627 milhões de dólares (46,169 milhões de euros) que auferiu na passada época.

Aliás, em 2003/04, quando entrou para a NBA como a 1.ª escolha do draft de 2003 por parte dos Cavaliers — clube situado a 62 km da sua cidade natal, Akron —, LeBron assinou um contrato de quatro temporadas por 18,788 milhões (16,482 milhões de euros), o que lhe permitiu ganhar 4,019 milhões (3,526 milhões de euros) na época de estreia. Pouco menos do que irá receber nos 76ers em 2026/27.

Como se pode constatar, não foi pelo dinheiro que LeBron James voltou para jogar no Este, mas sim pela possibilidade de lutar pelo quinto título da carreira, após as conquistas nos Heat (2011/12, 2012/13), nos Cavs (2015/16) e, mais tarde, nos Lakers (2019/20). Número curto para quem disputou 10 Finals.

Apesar de estarem na NBA desde 1949/50 (a quarta época da história da Liga) e de terem contado com grandes estrelas — como Dolph Schayes, Julius Erving, Moses Malone, Charles Barkley ou Allen Iverson —, os 76ers contabilizam apenas três títulos (1954/55, 1966/67, 1982/83). Trata-se de menos um título do que o próprio LeBron possui, sendo que o extremo/poste foi campeão por todas as equipas por onde passou.

Em Filadélfia, será orientado por Nick Nurse (59 anos), treinador que conduziu os Raptors ao título em 2018/19 e que, no dia do seu aniversário, viu confirmado um reforço de luxo para uma equipa já de si recheada de talento. Este defeso trouxe ainda Jaylen Brown (5 vezes All-Star e antigo colega do português Neemias Queta nos Celtics, num negócio que levou Paul George para Boston), além de contar com o poste Joel Embiid (7 vezes All-Star) e com os bases Tyrese Maxey (2) e V. J. Edgecombe (ex-rookie e elemento do cinco ideal de rookies).

Na época passada, os 76’ers acabaram varridos (4-0) pelos campeões Knicks nas meias-finais de Conferência, após terem eliminado os Celtics na ronda inaugural (4-3). Conseguirão agora ir mais longe e transformar este grupo de superestrelas numa verdadeira superequipa?

Bob Myers — o homem que ajudou a construir a superequipa dos Warriors vencedora de quatro títulos em seis finais — lidera agora o departamento desportivo da Harris Blitzer Sports & Entertainment, empresa detentora dos Sixers e pertencente ao multimilionário Josh Harris.

Myers mantém a preocupação de, além da bombástica aquisição de Brown aos Celtics, continuar a reforçar o banco de suplentes, tendo garantido as contratações de Dean Wade e Anfernee Simons, a escolha no draft de Labaron Philon Jr., e a continuidade de Dominick Barlow e do recém-contratado Ariel Hukporti.

Espera-se que as segundas figuras permitam a James gerir o seu esforço na regular season, e ainda mais a Embiid, que nas últimas temporadas tem visto a carreira fustigada por sucessivas lesões. A tal ponto que, nas últimas três épocas, o poste jogou uma média de apenas 32 jogos na fase regular (num total de 82) e nunca atuou em mais de 39 numa só temporada.

A condição física destas duas estrelas será a maior preocupação de Nurse, com vista a garantir que ambos cheguem ao play-off — o momento de maior exigência e de menor descanso — nas suas máximas capacidades.

Até porque, quando sente maior desgaste físico ou fadiga acumulada, LeBron já não consegue ser o defensor de outrora. Por isso, será também necessário que não se afaste muito das posições de extremo e extremo/poste que deverá ocupar, deixando a condução de jogo para o supersónico Maxey ou para o atirador Edgecombe.

Estará ele disposto e capaz de assumir esse papel e de acatar os planos de Nurse em campo, abdicar do controlo total do ataque nas suas mãos? Até porque Brown também está habituado a decidir e a jogar no um contra um. Estas são algumas das grandes dúvidas que se colocam e que, a funcionarem, podem transformar uma constelação de estrelas numa equipa campeã.

Ver um dos maiores jogadores de sempre reduzido a uma terceira ou quarta opção ofensiva em certos momentos será um delicado exercício de equilíbrio em campo e uma complexa experiência de química de balneário — exigindo adaptação e a aceitação de que os companheiros também têm capacidade para decidir.

Em 2025/26, e apesar de ter estado ausente da pré-temporada e do início da regular season devido a uma ciática, o melhor marcador dos 80 anos de história da NBA e detentor de múltiplos recordes (como o de mais campeonatos disputados) realizou 60 dos 82 jogos da fase inicial. Registou médias de 20,6 pontos, 6,1 ressaltos, 7,2 assistências e 1,2 roubos de bola em 33,2 minutos, com percentagens de 51,1% em lançamentos de dois pontos, 31,7% em triplos e 73,7% da linha de lance livre. Números verdadeiramente assinaláveis para alguém da sua idade e com a rodagem que tem ao mais alto nível.

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