11 de setembro: o dia em que o Mundo mudou aconteceu há 25 anos
Trinta e um dos últimos 405 campeões olímpicos individuais, quase metade da seleção campeão mundial de futebol, a Espanha, e a maioria do plantel do PSG, campeão da Europa, nasceram depois de 11 de setembro de 2001. Mas quem tenha, hoje, mais de 35 anos dificilmente deixará de lembrar-se onde estava nesse dia pela hora de almoço em Portugal. Por maioria de razão, boa parte estava justamente a almoçar quando saíram as primeiras notícias sobre uma explosão numa das torres gémeas do World Trade Center, em Nova Iorque.
Soube-se pouco depois que às 13h46, hora de Portugal continental (menos cinco em NY), um avião tinha embatido na Torre Norte. Quando, 17 minutos depois, outro avião colidiu na Torre Sul já TV do Mundo inteiro transmitiam imagens da baixa de Manhattan em direto e terminaram as dúvidas: estávamos perante um ataque terrorista.
Dezanove elementos da organização terrorista Al-Qaeda desviaram quatro voos comerciais nessa terça-feira. O Boeing 767 que operava o voo 11 da American Airlines, entre Boston e Los Angeles, chocou com a Torre Norte; um aparelho igual da United Airlines, voo 175 entre os mesmos aeroportos, embateu na Torre Sul.
Às 14h37 portuguesas foi lançado um avião contra o Pentágono, em Arlington — um Boeing 757 da American Airlines, voo 77 entre Washington e Los Angeles.
Vinte e seis minutos mais tarde o Boeing 757 que operava o voo 93 da United Airlines entre Newark e São Francisco despenhou-se num campo aberto em Shanksville, Pensilvânia. Ao que tudo indica, neste caso tripulação e passageiros insurgiram-se contra os sequestradores e impediram que o aparelho atingisse o alvo final — Capitólio ou Casa Branca.
Às 14h59, 56 minutos depois de ter sido atingida, a Torre Sul colapsou. Uma implosão semelhante ocorreu com a Torre Norte às 15h29, 10h29 na costa Leste dos Estados Unidos.
O ataque terrorista mais mortífero da história vitimou 2977 pessoas (além dos 19 terroristas): 2753 em Nova Iorque, entre tripulantes e passageiros dos dois voos, ocupantes das torres, agentes de autoridade e bombeiros; no Pentágono morreram 184 pessoas, entre passageiros e tripulantes mais civis e militares que se encontravam no edifício; na Pensilvânia morreram os 59 passageiros e tripulantes.
Dias depois Osama bin Laden, então líder da Al-Qaeda, negou a responsabilidade pelo sucedido. Em novembro foi descoberto um vídeo no qual Bin Laden demonstrava, em conversa, ter tido conhecimento prévio dos ataques e se congratulava pelos efeitos. Só em 2004, porém, o chefe da organização reivindicou a autoria dos atentados. Bin Laden foi morto por forças norte-americanas a 3 de maio de 2011, no Paquistão.
Ainda em 2001 os Estados Unidos invadiram o Afeganistão, cujo regime talibã acusavam de financiar a Al-Qaeda. Em 2003 iniciou-se uma nova guerra no Iraque, que resultaria na queda de Saddam Hussein, também ele capturado, nesse ano, pelas forças norte-americanas e condenado à morte em 2006 num tribunal iraquiano por crimes contra a Humanidade.Viajar de avião tornou-se, desde há 25 anos, uma experiência totalmente diferente, com a implementação de complexas medidas de segurança nos aeroportos e nos aparelhos — sapatos, cintos, bagagem de mão e dispositivos eletrónicos a passarem por aparelhos de raios-x, proibição de transporte de líquidos em quantidades superiores a 100 ml são as mais conhecidas. Em nome da segurança, a captação de dados biométricos de cidadãos, a monitorização de chamadas telefónicas ou a consulta de extratos bancários tornou-se fácil e banal nos Estados Unidos. As políticas de vistos e os controlos fronteiriços mudaram radicalmente.
As edições de A BOLA de um ano inteiro seriam, talvez, insuficientes para dissecar todas as consequências políticas, geopolíticas, económicas e sociais do 11 de setembro de 2001. Quem viu não esquece.
No Ground Zero, nome adotado desde os ataques para designar o local das antigas Torres Gémeas, foi inaugurado há precisamente quinze anos um memorial de homenagem às vítimas. Um dos locais mais dolorosamente silenciosos do Mundo, em plena baixa de Nova Iorque.