Técnico leonino afirmou que foi uma «vitória justa» diante do Galatasaray e que aconselhou «calma» aos atletas para a segunda parte

Um rápido duche de realidade para os clubes portugueses na Europa

'Remate de Letra' é o espaço de opinião quinzenal de Hugo Vasconcelos, editor

É importante começar a ganhar, uma equipa jovem com jogadores a jogarem a Champions pela primeira vez.

Rui Borges, treinador do Sporting, após a vitória sobre o Galatasaray

O Sporting venceu, o FC Porto perdeu, resultados pouco surpreendentes, atendendo à qualidade dos adversários na Champions, mas que valeram um pequeno duche de realidade, talvez não um banho completo, sobre a qualidade atual do futebol português e a capacidade de discutir jogos nas competições europeias.

Para o Sporting, ontem, ganhar em casa ao Galatasaray, do pote 3 (e a equipa com pior ranking desse pote), era quase uma obrigação para cumprir o objetivo de seguir em frente na Liga dos Campeões, mas aqueles primeiros 20 minutos serviram de aviso: a caminhada do leão na época passada foi excecional, em todos os sentidos da palavra — incluindo parecer irrepetível.

O Galatasaray pode ser do pote 3, mas é o tetracampeão dum dos maiores mercados da Europa, com encaixes televisivos incomparáveis com os lusos e a vantagem adicional de os jogadores praticamente não pagarem impostos — um contrato de 5 milhões na Turquia vale na prática o dobro de em Portugal.

Mesmo sem Osimhen ou Rafael Leão, aquele domínio inicial do Gala faz adivinhar que o Sporting não vai ter vida fácil na Champions, mais ainda com tantos jogadores novos nestas andanças, como assinalou Rui Borges — independentemente da qualidade dos jogadores, manter apenas dois titulares do meio-campo para a frente tem de ter consequências, pelo menos nestes ambientes diferentes, aos quais os reforços não estão habituados.

Para o FC Porto, perder em casa com o Manchester City nada tem de problemático, mas o mesmo não se pode dizer de ter feito apenas 5 remates em 90 minutos, e nenhum enquadrado com a baliza de Donnarumma, e de o primeiro ter surgido apenas aos 57 minutos de jogo, quando os dragões já perdiam (nunca o FC Porto tinha passado toda uma primeira parte na principal competição de clubes da UEFA sem fazer sequer um remate).

Na campanha positiva na UEFA Europa League na época passada, o FC Porto venceu 7 de 12 jogos. Dos cinco que não ganhou, três foram contra uma equipa inglesa, o Nottingham Forest (um empate em casa e duas derrotas fora), que eliminaria os dragões nos quartos de final. Se contra um clube que luta para não descer na Premier League as dificuldades foram tantas, porque haveria de ser diferente com o City?

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