José Mourinho e o problema das comparações
Estamos a fazer um bom trabalho. Também dependes daquilo que os teus adversários diretos fazem. Aquilo que o FC Porto está a fazer é anormal
José Mourinho, treinador do Benfica, em conferência de imprensa
Dez pontos de distância para o primeiro lugar quase no final da primeira volta prenunciam um adeus ao título — já tivemos recuperações extraordinárias em anos recentes, mas não de tamanha monta.
Quer isso dizer que a época do Benfica acabou e é um fracasso? Não, pelo contrário. Ainda há muito por jogar — e o próprio José Mourinho assumiu que, enquanto a matemática o permitir, vai continuar a lutar pelo título.
Mas há um paladar de deceção ao fazer a prova do que foram os primeiros meses do treinador na Luz. Mourinho fez ontem, em conferência de imprensa, a apologia do seu trabalho, e não está errado. Pensando nos pontos que já perdeu no campeonato — dez, precisamente os que o separam do FC Porto —, é fácil aceitar seis: os dois que deixou no Dragão, os dois que deixou em Braga, até pelas circunstâncias, e os dois que deixou em casa com o Sporting. Sim, os empates caseiros com Rio Ave e Casa Pia, ambos consentidos aos 90+1', prejudicam as contas, mas quatro pontos não deveriam ser significativos.
O problema, como o próprio técnico das águias assumiu, é que os rivais, sobretudo o FC Porto, estão muito acima das expectativas. E isso é algo com que qualquer treinador dos grandes tem de saber conviver: a medida do sucesso não existe num vácuo, mas em comparação com os outros. E a comparação entre Mourinho e Farioli, de momento, não é nada lisonjeira para o português.