Cristiano Ronaldo durante entrada em campo pelo Al Nassr
Cristiano Ronaldo durante entrada em campo pelo Al Nassr

Fuga à vista: o terramoto que se avizinha na liga saudita (fotogaleria)

Grandes nomes estão em final de contrato e há outros que ponderam bater com a porta para regressarem à Europa. Boicote de Cristiano Ronaldo também tem dado que falar em todo o Mundo

A liga saudita, que abalou o mercado do futebol com um investimento sem precedentes, enfrenta meses cruciais para a sua consolidação, com o risco de uma debandada de estrelas no horizonte. Cerca de 125 jogadores terminam contrato no final da presente temporada, o que poderá comprometer o projeto que ambiciona transformar o campeonato da Arábia Saudita numa das principais competições do Mundo.

Os craques que já saíram e os que pensam fazê-lo

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Apesar da intenção de manter o forte investimento, como garantiu o CEO da Saudi Pro League, Omar Mugharbel, a estabilidade do projeto está em causa. «A ideia é manter o investimento durante os próximos anos e que isto não seja apenas uma questão de uma temporada», afirmou Mugharbel, em declarações à Marca. No entanto, o mercado de inverno já deu sinais de instabilidade, com saídas frustradas de jogadores como Bento (Al Nassr), Carrasco (Al Shabab), Marcos Leonardo (Al Hilal) e Moussa Diaby (Al Ittihad).

Nos últimos dias, o boicote de Cristiano Ronaldo aos jogos da liga saudita também deu que falar. O capitão da Seleção Nacional entende que não houve qualquer mudança de comportamento por parte do Fundo Público de Investimento saudita, ao ponto de, depois da falta de investimento no mercado, quando comparado com o rival Al Hilal por exemplo, juntarem-se agora notícias de atrasos consideráveis no pagamento dos vencimentos.

A chegada do internacional português, há três anos, marcou um ponto de viragem para a liga. «É uma honra que a liga esteja a crescer e que muitos jogadores venham para a tornar numa competição ainda melhor e mais competitiva», comentou Cristiano Ronaldo na altura. Desde então, o investimento ultrapassou os 2,3 mil milhões de euros em transferências, com um saldo negativo de quase 1,95 mil milhões, um nível de despesa líquida apenas superado pela Premier League.

Contudo, o fluxo de jogadores não tem sido apenas de sentido único. A saída prematura de Jordan Henderson do Al Ettifaq, apenas seis meses após a sua contratação por 14 milhões de euros, abriu um precedente. Seguiram-se outros nomes como Seko Fofana (atualmente no FC Porto), Neymar, Talisca, Jota, Alex Telles e Ivan Rakitic, que também deixaram o campeonato.

O Al Ittihad, atual campeão em título, tem sido um dos clubes mais afetados. A equipa agora orientada por Sérgio Conceição, já perdeu N'Golo Kanté, que rescindiu para rumar ao Fenerbahçe, e viu Karim Benzema mudar-se para o rival Al Hilal, numa troca que causou muita polémica. A sangria pode continuar, com Fabinho e Danilo Pereira a serem os próximos a poderem sair. Outros jogadores com mercado na Europa, como Predrag Rajkovic, Houssem Aouar, Steven Bergwijn e Roger Fernandes, também integram o plantel.

A incerteza estende-se aos restantes gigantes da competição. No Al Hilal, Kalidou Koulibaly está livre para negociar o seu futuro. No Al Nassr, Marcelo Brozovic, Sadio Mané e Iñigo Martínez encontram-se na mesma situação, enquanto no Al Ahli é Frank Kessié quem está em final de contrato. A lista de jogadores em fim de vínculo inclui ainda nomes como Nacho Fernández (Al Qadsiah) e Georginio Wijnaldum (Al Ettifaq), mas já não Rúben Neves, que acertou já este mês a renovação com o Al Hilal.

O projeto saudita, que levou Gianni Infantino, presidente da FIFA, a prever que a liga estaria «a caminho de se tornar numa das três melhores do mundo», enfrenta agora a concorrência de outros mercados emergentes, como a Major League Soccer e os campeonatos turco e brasileiro, que também têm vindo a reforçar-se financeiramente.

O projeto da liga saudita enfrenta um sério revés com a saída de várias estrelas, um movimento que se intensificou recentemente com as partidas de João Cancelo e N'Golo Kanté. Este êxodo levanta questões sobre a sustentabilidade do campeonato, que investiu fortemente para atrair grandes nomes do futebol mundial.

Apesar destas perdas, a Saudi Pro League ainda conta com muitos jogadores de renome sob contrato, com Cristiano Ronaldo a figurar como a principal figura. No entanto, a rebeldia de alguns atletas e a perspetiva de uma nova vaga de saídas no próximo verão, seja de jogadores em final de contrato ou de outros que forcem o regresso à Europa, ameaçam fazer o campeonato regressar à estaca zero. Em 2034, refira-se, a Arábia Saudita vai receber o Mundial.