Pogacar, segundo um colega de treino: «Não acreditava nos meus olhos!»
Michael Matthews, um dos ciclistas que treina frequentemente com Tadej Pogacar no Mónaco, descreveu a impressionante capacidade do campeão do mundo nas subidas, revelando um recente treino em que o esloveno pulverizou o seu próprio recorde numa montanha de referência.
O cenário foi o Col de la Madone, uma subida com cerca de 14,5 quilómetros a 7% de inclinação média, localizada perto do Mónaco e de Nice. Devido à sua localização privilegiada, esta montanha é frequentemente utilizada como campo de testes por muitos dos melhores ciclistas do mundo, tendo sido no passado um local de eleição para Lance Armstrong e Chris Froome.
No podcast Roadman, Matthews contou sobre um treino em que Pogacar decidiu atacar o recorde pessoal na subida, depois de uma hora de esforço intenso. «Primeiro, fizemos uma hora em zona 2 alta/zona 3 baixa, basicamente o mais intenso que se consegue aguentar, depois fomos para a Madone e ele fez o seu melhor tempo de sempre», afirmou.
O ciclista australiano mostrou-se incrédulo com o desempenho do esloveno. «Quero dizer, como é que isso é possível? Normalmente, quando os ciclistas querem fazer um tempo rápido nessa subida, vão com calma até lá, talvez façam uns arranques antes para aquecer, e só depois atacam. Ele simplesmente disse: 'Vou ver se consigo bater este recorde'», contou Matthews.
«Eu comecei antes dele, pois tinha esforços diferentes para fazer. E ele disse-me: 'Faz um vídeo se puderes, quando eu passar'. E eu fiz um vídeo e, nesse vídeo, eu próprio estava a debitar perto de 400 watts, e ele simplesmente passou por mim como se estivesse num treino em passeio», recordou o corredor da Jayco-AlUla.
«No vídeo, que talvez tenham visto nas redes sociais, não se percebe exatamente o que se está a presenciar. Quando olho para a minha potência e o vejo a passar, não acreditei nos que os olhos viam. É simplesmente alucinante ver a velocidade com que ele consegue subir a montanha, e parece que o faz sem esforço», acrescentou Matthews.
Matthews, que atribui parte da sua motivação e evolução à convivência com Pogacar, revelou que o esloveno melhorou o seu recorde anterior por uma margem significativa. «Ele bateu o seu próprio recorde por 45 segundos ou algo perto. [...] Ele já tinha tirado o recorde ao Richie [Porte] quando o Richie estava no auge para vencer o Tour de França, por isso podem imaginar a velocidade que foi».
Embora estes tempos superem largamente os registos de Lance Armstrong na mesma subida, Matthews reconhece a evolução tecnológica. «Sim, e suponho que a tecnologia das bicicletas, tudo ajuda muito, as rodas, os pneus... Também depende da direção do vento, de muitos fatores diferentes, mas pelo que vi com os meus próprios olhos, pensei apenas: 'Uau, aquilo foi incrível'».