Joga na 2.ª divisão belga e não tem dúvidas: «Hoje valeria 150 milhões»
Radja Nainggolan, antigo médio da Roma e do Inter, voltou a falar e não deixou nada por dizer. Em entrevista ao programa Manà Manà Sport, o internacional belga, que aos 37 anos ainda não pendurou as chuteiras, abordou a sua carreira e o estado atual do futebol italiano, defendendo que a qualidade do campeonato transalpino diminuiu «drasticamente.»
«Nesta Serie A ainda poderia jogar. O nível baixou», garante o centrocampista, que usou um exemplo para ilustrar a sua opinião: «Para se ter uma ideia, o Holm foi para a Juventus e, na minha altura, havia o Dani Alves. Esta é a qualidade de hoje». O atleta, atualmento no Patro Eisden, do segundo escalão belga, foi mais longe na sua avaliação: «Se o Koné vale 60 milhões, qual seria o meu valor? Digo 150». Nainggolan considera que poucos jogadores da Roma atual teriam lugar na sua equipa. «Talvez o Svilar e o Dybala. Não é para atacar os atuais jogadores da Roma, mas o nível geral é este».
Nainggolan abordou ainda a sua saída da Roma, atribuindo culpas diretas ao então diretor desportivo, Monchi. «No final de 2017/18, o Monchi pedia-me a opinião sobre possíveis novas contratações. Eu era praticamente o capitão da Roma e sentia-me importante», recordou. «Fui de férias e comecei a receber chamadas do Fenerbahçe, Besiktas e Galatasaray, clubes que tinham sido autorizados a negociar comigo. Liguei ao meu agente e ele disse-me que a Roma me queria vender», explicou. A decisão de rumar ao Inter, para junto de Spalletti, foi sua, mas com um sentimento de mágoa: «Se soubesse que o Monchi ia embora seis meses depois, teria ficado. O Monchi foi uma pessoa falsa que se comportou da mesma maneira com o Dzeko, que é uma pessoa um pouco menos impulsiva e decidiu ficar na mesma».
Ainda sobre o emblema romano, o médio defendeu um regresso de Francesco Totti ao clube, numa função diretiva. «Falo como amigo dele e como pessoa neutra. Sei que, se se fala da Roma, fala-se do Totti. Estive no Inter e o Zanetti era vice-presidente. Porque é que o Totti não o pode fazer? Penso que seria muito interessante. Além disso, é um homem do futebol, ligado a Roma. Não percebo porque não haveria de funcionar».
Aos 37 anos, o médio não pensa em parar. «Tinha deixado de jogar há alguns meses, mas sentia falta do balneário. Porque haveria de parar? Agora jogo com jovens da idade da minha filha, é a minha satisfação. Quando começar a sentir dificuldades, será a altura certa para parar, mas agora sinto-me bem», garantiu.
Nainggolan, conhecido pelo seu estilo de jogo aguerrido, deixou também uma crítica aos jogadores que simulam faltas. «O futebol não é para meninas. Eu era duro, não percebia porque havia de me atirar para o chão depois de um desarme. Nunca percebi como é que as pessoas se levantavam logo a seguir ao spray».
O belga recordou ainda a sua carreira, afirmando que não se arrepende de nada, nem mesmo da passagem pela SPAL para ajudar o amigo De Rossi, que acabaria por sair uma semana depois. «Queria ajudar o De Rossi, demonstrei-lhe lealdade. Ele deu-me muito e era justo que eu lhe retribuísse algo», concluiu.