Mourinho à conversa com Vinícius
Mourinho à conversa com Vinícius

Foi treinado por Mourinho no FC Porto e critica: «Prestou declarações muito erradas»

Benni McCarthy, antigo avançado do FC Porto, espera pedido de desculpa do treinador do Benfica pelas declarações acerca do caso Vinícius/Prestianni

Benni McCarthy, antigo avançado do FC Porto, considera que José Mourinho devia pedir desculpa pelos seus comentários «muito errados» após os alegados insultos racistas dirigidos a Vinícius Júnior por Gianluca Prestianni, durante o encontro entre Benfica e Real Madrid, válido para a primeira mão do play-off da UEFA Champions League. Benni McCarthy, que foi campeão europeu pelo FC Porto em 2004 sob o comando de Mourinho, acredita que o técnico português cometeu um «erro» com as suas declarações. «A situação, ele podia tê-la gerido melhor ou escolhido melhor as suas palavras, mas as emoções levaram a melhor», disse o atual selecionador do Quénia, à BBC Sport.

«Sei que prestou declarações muito erradas. Mas somos todos humanos, todos cometemos erros. Vindo de alguém que conheço pessoalmente e sei como se sente em relação ao nosso continente, ao nosso povo e aos jogadores que jogam para ele, é o tipo mais íntegro para quem qualquer jogador africano poderá jogar», acrescentou McCarthy, que espera um pedido de desculpas de Mourinho. «Penso que foi uma decisão emocional, difícil, em que talvez tenha feito uma escolha que não foi a correta e que, mais tarde, espero que venha a público dizer que cometeu um erro, porque é isso que eu gostaria de pensar, é o tipo de homem que ele é».

O debate sobre o racismo no futebol ganhou novas vozes, com Liam Rosenior, treinador do Chelsea, a defender uma política de «tolerância zero». «Se qualquer jogador, treinador ou dirigente for considerado culpado de racismo, não deveria estar no futebol. É tão simples quanto isso», afirmou na quinta-feira.

Benni McCarthy partilha da mesma opinião, afirmando que o problema do racismo vai muito além do futebol. «Na sociedade atual, as pessoas não estão abertas a falar sobre isso. Ainda não temos estas conversas», lamentou.

«Há uma raça que quer ter esta conversa e a outra não está pronta. Com raiva, pode-se usar uma frase dessas, mas depois apressamo-nos a dizer que não somos racistas. Na raiva, pode sair-te uma frase, mas dizes rapidamente que não és racista. Ainda assim, estás a usar aquela coisa racista subjacente, quando estás zangado. Para que este problema desapareça, ambas as partes e ambas as raças têm de estar dispostas a falar sobre estas coisas», acrescentou.