«É claro que ficou a frustração de não ter jogado na equipa principal do Sporting»
— Que balanço faz da passagem pela Juventus?
— Foi o meu primeiro ano a lidar com um balneário de estrelas e lendas. Buffon, Chiellini, Cristiano [Ronaldo]… Foi bom poder estar com eles diariamente. Diria até excelente para a minha carreira, tempos que nunca vou esquecer.
— O que absorveu do tempo que partilhou com o Cristiano?
— Ajudou-me muito na competitividade, na seriedade com que encaro o dia a dia. Foi aí que me ajudou mais, sobretudo porque via a vontade dele de querer ganhar e de fazer golos. Aprendi muito com ele nesse aspeto. Levo isso para a vida, porque agora sou muito sério e competitivo em tudo, seja nos duelos, a fazer golo... Não gosto de perder, tenho de ser sempre eu a ganhar. E ganhei muito disso com o Cristiano.
— Também passou uma época no AZ Alkmaar, dos Países Baixos…
— Ajudou-me a ter os pés assentes na terra. Tinha sido vice-campeão europeu, o Manchester City contratou-me... Quando cheguei, vi que tinham jogadores de seleção e o treinador era o Arne Slot, que agora está no Liverpool. Pensava que era chegar e jogar. E era um país diferente. Foi um ano difícil, porque foi o primeiro a viver fora, longe da família. Era tudo diferente e deu para ganhar maturidade.
— Sente que foi demasiado cedo para o Manchester City?
— Não acho que tenha sido precoce. Houve coisas sobre as quais não gosto de falar. Má gestão desportiva, ninguém se chegou à frente para falarmos todos sobre isso… Também má gestão da minha parte, porque era jovem, não assumia as coisas, deixava sempre para o meu empresário e para as pessoas que me representavam. No City confiavam muito em mim, mas a vida segue e tudo passa.
— Ficou alguma frustração por não ter chegado à equipa principal do Sporting?
— Claro que ficou. Não vou dizer que já merecia naquela idade, porque, se calhar, precisava de mais tempo... Ainda não tinha chegado o Ruben Amorim, que apostou muito em jovens. Na altura, não havia tanto essa subida de escalão e isso pesou na minha saída. Como era destaque na minha geração, achei que merecia. Jogava na seleção dos mais velhos, tinha sido convocado para o Euro [de sub-19]… Podia ter sido diferente? Podia. Nunca se vai saber, mas saí com o sabor amargo de não ter chegado à equipa principal.
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