Paulo Fonseca na apresentação como treinador do Sporting - Foto: MIGUEL NUNES
Paulo Fonseca na apresentação como treinador do Sporting - Foto: MIGUEL NUNES

Dez anos fora e uma bagagem de milhões: a odisseia de Fonseca desagua no Sporting

Novo treinador dos verdes e brancos começou nos escalões secundários, em Portugal viveu dias de glória e etapas precipitadas... Ucrânia, Itália e França antes do regresso num percurso com muitas histórias para contar

Paulo Alexandre Rodrigues Fonseca, nascido nas terras quentes de Maputo a 5 de março de 1973, é o homem escolhido para segurar o leme do Sporting. Aos 53, dez anos depois de ter saído de Portugal, volta pela porta de Alvalade já com a experiência de grandes ligas europeias. A sua folha de serviços já impõe respeito: 790 jogos no banco de suplentes, das quais saiu vitorioso em 419 ocasiões, registando uma taxa de sucesso de 53 por cento e uma média pontual de 1,83 por jogo. Carrega na bagagem 110 jogos em competições da UEFA, adornados por 59 triunfos que atestam a sua vocação para as noites europeias.

A viagem de Fonseca rumo a este momento é uma grande caminhada de superação. Começou nos escalões secundários e o futebol português aprendeu a admirá-lo quando, na época de 2012/2013, operou um autêntico milagre ao leme do P. Ferreira, conduzindo o clube a um histórico e inédito 3.º lugar na Liga e ao consequente play-off da UEFA Champions League. Esse brilharete abriu-lhe as portas do FC Porto, onde conquistou a Supertaça em 2013/2014, mas sem os objetivos principais e em 3.º lugar acabou por ver a porta de saída abrir-se prematuramente. Prematura, haveria de admitir, fora a ida naquela altura para o Dragão... Após o regresso à Mata Real, escreveu história no SC Braga, levantando a Taça de Portugal em 2015/2016, devolvendo o troféu ao museu minhoto meio século após a sua primeira conquista.

No estrangeiro

Mas o destino de Fonseca era o mundo. A sua odisseia internacional arrancou no Shakhtar Donetsk (2016 a 2019), onde construiu uma verdadeira estrada de sucesso, somando três ligas ucranianas, três Taças da Ucrânia e uma Supertaça. Seguiram-se os coliseus de elite: Roma (2019 a 2021), Lille (2022 a 2024), Milan (julho a dezembro de 2024) e Lyon (janeiro de 2025 a novembro de 2026).

Neste último clube, transformou o Groupama Stadium numa fortaleza, tornando-se o treinador com a maior percentagem de vitórias caseiras (72 por cento) e igualando o seu próprio recorde pessoal de 13 vitórias consecutivas.

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Em Milão a experiência não correu bem mas ainda venceu o dérbi contra o Inter por 2-1 e na Europa venceu o campeão europeu Real Madrid, em pleno Bernabéu, por 3-1 na Liga dos Campeões.

Ao leme do Lille, instituiu um recorde de 22 jogos invictos em casa e assinou a maior goleada da história do clube (12-0 frente ao Golden Lion). Não se pode esquecer ter guiado a Roma às meias-finais da Liga Europa em 2020/2021.

Apostas e milhões

Para um clube como o Sporting, onde a Academia é o coração que bate para dar vida à equipa principal, a contratação de Paulo Fonseca pode trazer lucro. A aposta em talentos está documentada no percurso do treinador. Foi ele quem embalou os primeiros passos de Leny Yoro e Carlos Baleba no Lille, que moldou Riccardo Calafiori na Roma e que soltou Mykhailo Mudryk no Shakhtar Donetsk. Já em Portugal, havia sido fundamental para Diogo Jota no Paços de Ferreira e nas suas aventuras mais recentes apadrinhou Francesco Camarda (16 anos) no Milan e recebeu no Lyon o talento de Endrick e até apostou em Afonso Moreira que tivera dificuldades de afirmação no… Sporting.

E se o futebol moderno é também feito de milhões, Paulo Fonseca já contribuiu para muitas valorizações. As transferências geradas sob o seu manto são para considerar: Leny Yoro voou para o Manchester United por 62 milhões de euros, Fred seguiu o mesmo caminho por 59 milhões, Rayan Cherki representou 42,5 milhões e Georges Mikautadze somou 36 milhões.

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Paulo Fonseca aterrou em Lisboa com a missão de ressuscitar o Sporting num campeonato em que tem nove pontos de atraso para o líder FC Porto mas também com a vontade de voltar a devolver bom futebol ao tribunal de Alvalade, que sentenciou a saída de Rui Borges neste mês de novembro, já com o campeonato comprometido mas com a equipa lançada para a final four da Taça da Liga, em boa posição na Liga dos Campeões e com a Taça de Portugal ainda toda pela frente.

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