Luís Miguel Henrique junta-se à equipa de A BOLA
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Ronaldo: meia dúzia de razões para o Sim, uma para o Não

Na próxima 6.ª feira Jorge Jesus anunciará os convocados para a Seleção Nacional. O nome de Cristiano Ronaldo será a questão central do anúncio do treinador português.

O nome «Advogado do Diabo» inspira-se na expressão popular, mas sobretudo na antiga figura da Igreja Católica, o «Promotor Fidei». Tinha a função pouco agradável, mas indispensável, de contestar canonizações, procurar falhas e testar provas: impedir que a devoção substituísse o rigor e olhar para além do óbvio. É algo de que o futebol sempre precisa.

Na próxima 6.ª feira conheceremos a nova convocatória de Jorge Jesus (relembro a relação pessoal e profissional que nos une, declaração de interesses que aqui sempre vigorará, quando se imponha). Os factos são conhecidos: CR7 foi sancionado pela FPF com 30 dias de suspensão e 255 euros de multa por ter abandonado, sem autorização, o estágio da Seleção na Dinamarca. A sanção termina antes dos jogos de 14 e 17 de novembro. Por isso pode ser convocado e jogar, se o treinador quiser, o jogador aceitar e ambos forem coerentes com o que assumiram: o interesse de Portugal acima de tudo.

Encontro meia dúzia de razões sólidas para o «Sim»:

1. Seria a reabilitação mais rápida da sua imagem perante a nação;

2. Fecharia o ciclo disciplinar com humildade e respeito, em vez de prolongar uma polémica que extravasou em muito o episódio de ter aquecido e não entrado;

3. Seria uma demonstração de liderança altruísta, com o coletivo acima do mal-estar pessoal;

4. Ronaldo não precisa de provar que é histórico, mas de reconstruir pontes com o povo português, de quem se sente afastado e menos valorizado do que gostaria (e merece). A comparação com Messi e a Argentina dói-lhe, e com algum fundamento emocional. Mas o povo não se reconquista com comunicados: reconquista-se com presença, golos, esforço, generosidade e humildade;

5. Está à porta de marcas e recordes eternos, que viverão muito melhor na História se alcançados com e por Portugal;

6. A melhor resposta às críticas sobre compromisso é comparecer, ajudar dentro e fora de campo e ser exemplo para os mais novos.

E o «Não»? Só encontro uma razão real: o orgulho. Por isso mesmo, deve ser dominado por ambos.

A questão já não é se a relação pessoal voltará a ser a de antes (conhecendo ambos, dificilmente voltará). É se pode existir uma relação profissional funcional entre treinador e jogador, pois o grupo já deu os sinais que devia. Exige-se uma conversa franca, direta e brutalmente honesta: sem intermediários, sem fugas para a imprensa, sem mensagens cifradas.

A FPF, Jorge Jesus e o balneário também têm obrigações. Ronaldo terá de sentir respeitado o seu estatuto de capitão e referência; não se pede a um homem como ele que aceite ser mais um nome na lista. Mas o estatuto não é um cheque em branco: o coletivo está sempre acima do individual. Um capitão é respeitado não porque impõe condições, mas porque aceita as regras do grupo e eleva quem o rodeia.

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