Frederico Varandas e Paulo Fonseca. Foto: Miguel Nunes
Frederico Varandas e Paulo Fonseca. Foto: Miguel Nunes

A saída de Rui Borges e o «sonho» Paulo Fonseca: tudo o que disse Varandas

Presidente do Sporting explicou a saída de Rui Borges e a contratação de Paulo Fonseca como novo treinador

Frederico Varandas começou a apresentação de Paulo Fonseca como treinador do Sporting com uma declaração muito dedicada a Rui Borges

«Rui Borges e a sua equipa técnica não foram medíocres, não foram satisfatórios, não foram bons. Foram muito bons. Muito bons porque em quase dois anos conseguiram a conquista de um bicampeonato que fugia a este clube há 71 anos. Conseguiram uma dobradinha que fugia a este clube há 23 anos. Conseguiu a melhor campanha da história na Liga dos Campeões deste clube. Conseguiu ser o segundo treinador com maior média de pontuação na Liga Portuguesa na história do Sporting a seguir a Rúben Amorim e à frente de Jorge Jesus, e outros feitos, número de vitórias.

Varandas passou depois a explicar a decisão do despedimento de Rui Borges: «Recentemente tivemos uma semana que ficou marcada por duas derrotas em casa. O Sporting não foi superior aos seus adversários e a gestão interna dessas derrotas levaram a tomar a decisão que entendi de não continuarmos o ciclo de Rui Borges. Esta foi a nossa decisão.»

Por fim, justificou a aposta em Paulo Fonseca. «Eu posso confidenciar que conheço pessoalmente Paulo Fonseca há mais de um ano. Ao longo de mais de um ano, fomos falando, fomos trocando ideias, sobre o que é futebol, a nossa visão, e também posso dizer aqui que temos uma certa conexão na forma de estar, na forma de ver, na forma de sentir e sobretudo na forma de ser. E posso fazer a minha segunda confissão aqui: que tinha o sonho de um dia poder vir trabalhar com Paulo Fonseca. Após o jogo com o Académico de Viseu no domingo, no dia seguinte falei com Paulo Fonseca, mas pela primeira vez com um conteúdo diferente. Lancei o desafio de Paulo Fonseca assumir a liderança do Sporting como treinador e, nos dias seguintes até à consumação, foi uma altura em que percebi pessoalmente nessa própria segunda-feira, pela primeira vez, uma abertura por parte de Paulo Fonseca, ainda muito embrionária, mas senti uma abertura. E uma coisa muito importante que eu vou dizer: tendo tomado a decisão para mim de que a partir do jogo de domingo o melhor para o clube era tomar a decisão que tomei, jamais tomaria a decisão de tirar Rui Borges do seu lugar sem ter a certeza de que teria um treinador desta valia e com a qualidade e a confiança para seguir o projeto. Paulo Fonseca não precisa de grandes apresentações. É um treinador cujo currículo fala por si, é um treinador de craveira e dimensão europeia, conquistou vários títulos, e para mim é um motivo de grande orgulho o Sporting conseguir recrutar e atrair um treinador da dimensão de Paulo Fonseca», revelou, antes de responder às perguntas dos jornalisas.

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— Relativamente à mudança na estrutura do plantel nesta temporada, qual foi o motivo para terem saído seis habituais titulares, algo que gerou um grande encaixe financeiro, mas que talvez tenha retirado segurança e fragilizado o trabalho de Rui Borges? Além disso, tendo ponderado a contratação de Paulo Fonseca a seguir ao Académico de Viseu e tendo o Sporting realizado mais dois jogos, em algum momento falou com Rui Borges a dizer-lhe que o seu lugar estaria em risco?

— Sobre o mercado, vou colocar isto em duas dimensões. Uma, para que fique claro: o que foi feito no mercado foi feito a 100% com a equipa técnica. 100%. E até lhe digo mais: pela equipa técnica, a revolução teria sido maior. Não que nós discordássemos, simplesmente depois não houve situações de mercado que o justificassem, mas houve um alinhamento a 100% entre administração e treinador de fazer o que o senhor está a chamar de revolução do plantel. Pelo treinador, teríamos ido ainda mais longe. Segundo ponto sobre a revolução do mercado: a saída destes jogadores não foi opcional. Era sim ou sim. Por que é que eu estou a dizer isto? Estamos a falar de um leque de jogadores que tinham uns seis anos de Sporting, cinco anos de Sporting, quatro anos de Sporting, três campeonatos conquistados, quatro títulos em taças, inúmeras participações na Champions League, oitavos de final, quartos de final de Champions League. E chega a um momento em que é impossível reter determinados jogadores a partir do momento em que já conquistaram o que conquistaram, quando os jogadores querem ir embora, onde os jogadores têm o desejo de ir embora, onde têm contratos financeiramente muito superiores aos que têm aqui, com uma idade já avançada.

— Tendo elogiado os feitos de Rui Borges e afirmando que o clube não se rege apenas por resultados, como é que em apenas uma semana com os jogos da Liga dos Campeões e com o Académico de Viseu a confiança construída em dois anos ficou abalada? Essa confiança era assim tão frágil?

— Não era frágil. Aliás, é curioso ver tanta pergunta quando durante um ano e meio fui questionado sobre como é que mantinha o Rui Borges e agora, por incrível que pareça, sou sempre perguntado porque é que tiro o Rui Borges. Mas a resposta dei-a, acabei de a dizer exatamente no início: o Sporting de Rui Borges foi, independentemente dos resultados, um clube dominador, um clube superior aos seus adversários; e numa semana tivemos dois resultados onde o Sporting não foi, e a gestão interna dessas derrotas teve peso na minha decisão. Os pormenores ficarão entre mim e o míster. Se o Rui quiser falar, ele pode falar; eu não vou dizer aqui.

— O Lyon comunicou que Paulo Fonseca pediu para sair na quinta-feira, véspera do jogo do Sporting em Rio Maior. Não seria mais tranquilo não levar Rui Borges a esse jogo já tendo um treinador fechado? E tendo dado um voto de confiança há um mês e renovado há seis meses, assume que é o principal responsável pela situação desportiva do Sporting?

— Segunda-feira falei com o míster Paulo Fonseca e lancei-lhe o desafio de aceitar o convite e assumir o Sporting. Internamente, o míster Paulo Fonseca fez o que tinha a fazer, não tenho nada a ver com isso. Em relação ao jogo com o Casa Pia, não tinha Paulo Fonseca fechado. Não tinha. E se há uma coisa que vou fazer sempre é, independentemente do treinador Rui Borges, do jogador A, B ou C, ou de órgãos sociais, o Sporting está acima. E entendi que as melhores condições que tinha para vencer o jogo com o Casa Pia era manter Rui Borges. E volto a dizer: uma das razões fundamentais que ajudou a tomar a decisão foi o facto de ter a possibilidade e a certeza de ter um treinador que me permitia ter a qualidade de continuar a tornar o Sporting vencedor como tem sido nos últimos anos. E aí agarro na sua última questão: o presidente do Sporting é responsável por tudo. Desde 2018 sou responsável por tudo o que se passou aqui no Sporting. Agora avaliem o que era o Sporting antes de 2018 e depois de 2018.

— Admite que Rui Borges possa ter ficado com a sensação de traição? Convidou-o a orientar a equipa em Stamford Bridge? E a nove pontos da liderança, o que pediu a Paulo Fonseca para o resto da temporada?

— Sobre a falta de... Vou interpretar assim porque foi assim que vi nos últimos dias: falta de respeito com o Rui Borges, etc. Eu atrevo-me a dizer o seguinte: o único sítio, ou melhor, as únicas pessoas que trataram Rui Borges com respeito desde 2024 fomos nós, o Sporting, a começar pela imprensa, esta é a minha opinião. Por isso, chega a ser para mim caricato ouvir de grande parte — não estou a dizer que seja de toda a imprensa — que Rui Borges foi tratado com falta de respeito. Não. O único local desde dezembro de 2024 onde Rui Borges foi tratado com respeito e dignidade foi neste clube. E tenho a certeza, porque uma coisa é mágoa, outra coisa é tristeza, outra coisa é revolta: tenho a certeza de que Rui Borges hoje está triste, mas não está revoltado nem magoado com o presidente do Sporting. Se vou dizer que é fácil a missão: não, não digo que seja fácil. Agora, faltam muitas jornadas, sabemos bem a qualidade daquele plantel, sabemos bem o que aquele plantel quer e temos muita confiança na qualidade técnica e humana desta equipa técnica. É verdade: a seguir ao jogo do Casa Pia, quando informo o míster Rui Borges de todo este processo, pus em cima da mesa dois cenários: «Míster, quer interromper já este ciclo ou quer fazer o jogo de terça-feira da Champions League?» Dei-lhe a minha opinião: gostaria muito que o míster Rui Borges tivesse feito aquele jogo, sobretudo por uma razão: porque acreditava que o Sporting ia vencer aquele jogo e acho que Rui Borges deveria ter ainda mais uma página de ouro na história do Sporting Clube de Portugal, ser isoladamente o treinador com mais vitórias na Champions League, coisa que ele mereceu. Coisa que também é muito importante: passados 17 anos, o Sporting hoje é o clube com o melhor ranking europeu na história do futebol português, e isso é mérito dele e da sua equipa técnica. E sim, desafiei-o para fazer mais este jogo, mas obviamente pus à consideração se o míster quisesse ou não. E o míster, ao contrário do que também foi dito, não declinou de imediato a dizer que não estava para aí virado; não sentia, mas percebeu os meus argumentos — eu enumerei vários argumentos — e pediu umas horas para pensar. E passadas umas horas disse que não queria fazer.

— Paulo Fonseca assinou até 2030, ano em que termina o mandato desta direção. Gostaria de ver Paulo Fonseca até ao final do mandato e, se ele cair, a direção cai com ele?

— Sabe que há uma coisa que demorou muito a conquistar neste clube, que foi: não é fácil com esta direção caírem treinadores. Aliás, o melhor exemplo é o Rui Borges. Por 80% da comunicação social, se calhar o Rui Borges já devia estar fora do Sporting há muito tempo. Já lá vai esse tempo onde treinadores caem por pressão. E o tempo em que direções caem por treinadores, isso já nem é da minha memória, já passou esse tempo. Nós aqui temos uma missão, cada um com a sua: a minha missão é gerir o Sporting Clube de Portugal, a missão deste senhor que está aqui à frente é treinar o Sporting Clube de Portugal. Cada um vai fazer o melhor que pode, depois as decisões caberão sempre a quem as tiver de tomar, neste caso ao presidente. Ficaria muito surpreendido se não tivesse Paulo Fonseca até ao final do mandato.

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