Jeffrey Epstein - Foto: CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH/EPA
Jeffrey Epstein - Foto: CRISTOBAL HERRERA-ULASHKEVICH/EPA

Caso Epstein: Departamento de Justiça dos EUA revela lista com centenas de nomes

O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) revelou ao Congresso uma lista com centenas de nomes mencionados nos ficheiros do caso Jeffrey Epstein, incluindo figuras da política, realeza, tecnologia e entretenimento. A comunicação, enviada aos líderes das comissões de Justiça do Senado e da Câmara dos Representantes, detalha as partes até agora ocultadas dos documentos.

A lista, exigida por lei no âmbito da investigação, inclui «todos os funcionários governamentais e pessoas politicamente expostas» mencionadas nos ficheiros pelo menos uma vez. Contudo, o DOJ esclarece que as referências surgem em contextos distintos: algumas pessoas tiveram contacto direto com Epstein ou com a sua cúmplice, Ghislaine Maxwell, enquanto outras são apenas citadas em documentos anexados, como recortes de imprensa, sem ligação direta ao caso.

No panorama político norte-americano, a lista é vasta e inclui antigos presidentes como Bill Clinton, George W. Bush, Barack Obama, Joe Biden, bem como o atual presidente Donald Trump, juntamente com a mulher Melania e a filha Ivanka. Outras figuras de relevo como Kamala Harris, Mike Pence, Nancy Pelosi e Ron DeSantis constam igualmente nos documentos.

A nível internacional, os nomes abrangem líderes e ex-líderes como Benjamin Netanyahu, Ehud Barak, Tony Blair e Theresa May. Membros da família real britânica, incluindo o Príncipe Harry, Meghan Markle, o Príncipe André, o Príncipe Philip e a Rainha Isabel II, também são referidos, assim como o Papa João Paulo II e o líder cubano Fidel Castro.

O mundo empresarial e tecnológico não ficou de fora, com menções a personalidades como Jeff Bezos, Elon Musk, Mark Zuckerberg e Bill Gates. Já no setor do entretenimento e cultura, a lista inclui nomes como Beyoncé, Jay-Z, George Clooney, Kevin Spacey, Woody Allen, Michael Jackson e Marilyn Monroe.

O escândalo já provocou várias demissões e investigações em diversos países, incluindo Noruega, França, Índia e Dubai. Ehud Barak, por exemplo, negou qualquer participação em atividades ilegais, apesar das suas ligações a Epstein. Nos Estados Unidos, o caso levou a demissões em instituições como a Goldman Sachs e na equipa de uma antiga conselheira da administração Obama.

No Reino Unido, as alegações sobre a partilha de documentos confidenciais entre o Príncipe André e Epstein, enquanto o primeiro era enviado comercial do país, levaram o Rei Carlos III a manifestar-se «preocupado». O caso também resultou na demissão de Tim Allan, diretor de comunicação do governo trabalhista britânico.

Curiosamente, Portugal é mencionado nos documentos. Numa conversa, foi sugerido a Epstein que o país não seria pior do que Genebra em termos fiscais, destacando-se o «mar, sol, sítios antigos e pessoas simpáticas». No entanto, o magnata terá mostrado reticências, afirmando que «residir em Portugal é um preço demasiado alto a pagar».