Nacionais de pista curta: Sporting valoriza superação, Benfica lamenta falhas
O desfecho do Campeonato Nacional de Clubes em pista curta confirmou o que, para quem acompanha a modalidade de perto, é muitas vezes o fator diferenciador em competições equilibradas: a capacidade de superação nos momentos de maior pressão. O Sporting capitalizou esse detalhe competitivo para reconquistar o título masculino, enquanto no Benfica houve a consciência de que, num contexto de margem mínima, qualquer falha seria determinante.
No Forum Braga, os leões impuseram-se com uma exibição coletiva sólida e estrategicamente bem gerida. Somaram 97 pontos nas 13 provas, superando por três a formação encarnada. A diferença construiu-se sobretudo no segundo dia: após fecharem sábado com 49 pontos, contra 46 do rival, os atletas ‘verde e brancos’ elevaram o rendimento nas sete provas de domingo, num claro exercício de competitividade em cenário adverso no plano teórico.
O diretor técnico do Sporting, Paulo Reis, sintetizou essa leitura competitiva: «Tivemos uma primeira jornada bastante boa. Ganhámos quatro provas em seis. Hoje, sabíamos que, em termos teóricos, havia mais provas em que o favoritismo pendia para o Benfica. A realidade é que houve uma superação de alguns atletas da nossa equipa».
Num campeonato decidido ao detalhe, o triunfo de David Garcia nos 800 metros assumiu peso específico na economia global da classificação. Paulo Reis foi claro quanto ao impacto dessa vitória: foi «fundamental», porque «catapultou a equipa, até em termos anímicos», para um título que provou que «a aposta no atletismo masculino está a resultar».
Com este resultado, o Sporting passa a somar 20 títulos nacionais masculinos e concretiza ainda a dobradinha, algo que não conseguia desde 2023, uma vez que no setor feminino revalidou o título com autoridade — 93 pontos contra 74 do Benfica. A consistência estrutural do clube ficou, assim, espelhada nos dois géneros.
O responsável técnico sublinhou também a importância estratégica da competição como etapa intermédia de preparação: os Nacionais serviram de «aquecimento» para a Taça dos Campeões Europeus, agendada para 23 e 24 de maio, em Castellón de la Plana, com o Sporting a assumir a ambição de «voltar a subir ao pódio».
Ana Oliveira: «Não podíamos falhar em masculinos, e falhámos»
Do lado do Benfica, a análise foi realista. Ana Oliveira, diretora técnica há mais de duas décadas, fez «um balanço positivo» global da participação, mas reconheceu que, no setor masculino, o contexto competitivo exigia execução irrepreensível.
«Nos masculinos, a tarefa sempre foi difícil. Nunca tivemos um campeonato fácil. Tínhamos uma equipa muito curta, sem segundas opções. Tínhamos de ser perfeitos. Não podíamos falhar, e a verdade é que falhámos. Ao fim disto tudo, perder por três pontos não consola. Não motiva. Queremos sempre ganhar. Temos um histórico de muitas vitórias nos últimos 20 anos», afirmou.
No setor feminino, as encarnadas apresentaram uma equipa jovem, com forte presença de juvenis e juniores, integrada num «projeto de renovação», encarando a competição em Braga como oportunidade para alcançar «a maior aproximação» possível ao Sporting, recordista nacional com 30 títulos femininos.
Apesar de se assumir «triste» pelos resultados masculinos — por acreditar que a vitória era possível —, Ana Oliveira deixou uma nota de reconhecimento ao rival lisboeta, felicitando-o «pelo investimento que está a fazer» numa modalidade «que continua a ser a rainha dos Jogos Olímpicos».