Afonso Eulálio resiste na liderança do Giro: «Sofri, sofri, sofri, mas mantive a rosa»
Afonso Eulálio superou todas as expectativas e manteve a liderança da Volta a Itália, defendendo a camisola rosa do ataque de Jonas Vingegaard na 10.ª etapa, um longo contrarrelógio, de 42 quilómetros, que é o tipo de prova, individual, longa e em terreno plano, qual o português da Bahrain Victorious, puro trepador, tem menor aptidão.
Eulálio superou-se, mas ainda assim demorou a cumprir o percurso entre Viareggio e Massa quase mais cinco minutos (4.57) do que o vencedor, o italiano Filippo Ganna (Netcompany Ineos), especialista no exercício contra o tempo, bicampeão mundial em 2020 e 21, que rolou à impressionante média de 55 km/h, esmagando a concorrência por praticamente dois minutos (1.54 sobre o segundo classificado, o companheiro de equipa neerlandês Thymen Arensman.
O registo de Afonso Eulálio (um modesto 38.º da tabela) foi o suficiente para segurar a liderança da geral por 27 segundos, para Jonas Vingegaard, que o mais direto perseguidor na luta pela maglia rosa, a 2.24 minutos à partida para o contrarrelógio, em que era candidato aos primeiros lugares. O dinamarquês da Visma esteve aquém do que se previa, cumprindo a prova no igualmente discreto 13.º lugar, a claríssimos 3 minutos certos de Ganna.
🩷 And they're all on the road! Afonso Eulalio is the last rider to leave Viareggio.
— Giro d'Italia (@giroditalia) May 19, 2026
Final day in Rosa for the Portuguese, or can he keep his Maglia? #GirodItalia pic.twitter.com/FacDAHmo7I
Todavia, Vingegaard manteve o segundo lugar da geral e reforçou o favoritismo ao triunfo final no Giro, agora com 1.30 minutos de vantagem sobre o novo terceiro, Arensman, que desapossou o austríaco Felix Gall (Decathlon), quarto, a 2.24 m de Eulálio e 1.57 m do nórdico.
Contrariando os prognósticos que o próprio traçou, que apontavam para a perda da liderança - na véspera, no dia de descanso, tinha sido claro ao afirmar que perderia a camisola rosa após o contrarrelógio - Afonso Eulálio revelou surpresa e alegria. «Sofri, sofri, sofri, mas cheguei aqui e mantive a maglia rosa. É incrível», confessou na entrevista rápida após a etapa.
O corredor de 24 anos explicou como viveu os momentos finais da prova: «Só no final é que o carro me começou a dizer ‘estás perto do Jonas [Vingegaard]’, mas, num primeiro momento pensei que estava perto, mas não o suficiente para manter a camisola. No final, começaram a dizer-me ‘30 segundos’ e então continuei a acreditar», contou.
🎬 A prediction complete, and a revamped GC.
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🎬 Un pronostico rispettato e una classifica generale che cambia aspetto.
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Entre os restantes portugueses em prova, António Morgado (UAE Emirates), o campeão nacional de contrarrelógio, foi o melhor, ao terminar na 28.ª posição, a 4.05 minutos de Filippo Ganna, enquanto Nelson Oliveira (Movistar) concluiu a prova no 38.º posto (+4.44 m).
Com este resultado, Afonso Eulálio, que veste a camisola rosa desde a quinta etapa, irá somar o sexto dia como líder do Giro. O próximo grande desafio à liderança segue-se dentro de momentos, já esta quarta-feira, a 11.ª etapa, entre Porcari e Chiavari, com quatro contagens de montanha na segunda metade do traçado de 195 km, a última a 13 quilómetros da meta. As jornadas de sexta e sábado, principalmente a última, com final em alta montanha, no tipo de uma subida de 1.ª categoria (16,6 km a 7%), serão desafios enormes para o português, mas que estará definitivamente em terreno predileto.