Afonso Eulálio transcendeu-se no contrarrelógio e segurou a camisola amarela

Afonso Eulálio resiste na liderança do Giro: «Sofri, sofri, sofri, mas mantive a rosa»

Português superou prova de fogo no contrarrelógio de 42 km (10.ª etapa) com 27 segundos de vantagem sobre Jonas Vingegaard. Filippo Ganna pulverizou a concorrência

Afonso Eulálio superou todas as expectativas e manteve a liderança da Volta a Itália, defendendo a camisola rosa do ataque de Jonas Vingegaard na 10.ª etapa, um longo contrarrelógio, de 42 quilómetros, que é o tipo de prova, individual, longa e em terreno plano, qual o português da Bahrain Victorious, puro trepador, tem menor aptidão.  

Todavia, Eulálio superou-se, ainda que tenha demorado a cumprir o percurso entre Viareggio e Massa quase mais cinco minutos (4.57) do que o vencedor, o italiano Filippo Ganna (Netcompany Ineos), especialista no exercício contra o tempo, bicampeão mundial em 2020 e 21, que rolou à impressionante média de 55 km/h.

Top-Ganna esmagou a concorrência por praticamente dois minutos, liderando por 1.54 minutos sobre o segundo classificado, o companheiro de equipa neerlandês Thymen Arensman. O terceiro, o francês Rémi Cavagna, (Groupama), foi o último a menos de dois minutos do vencedor (1.59).

Afonso Eulálio (Bahrain Victorious) continua sorridente de camisola rosa

O registo de Afonso Eulálio (modesto 41.º da tabela) foi contudo o suficiente para segurar a liderança da geral por 27 segundos, para Jonas Vingegaard, o mais direto perseguidor do português na luta pela maglia rosa, a 2.24 minutos à partida para o contrarrelógio, em que estava entre os candidatos aos primeiros lugares. Porém, o dinamarquês da Visma esteve aquém do que se previa, cumprindo a prova em igualmente discreto 13.º lugar, a claríssimos 3 minutos certos de Ganna.

Vingegaard manteve o segundo lugar da geral, mas reforçou o favoritismo ao triunfo final no Giro, agora com 1.30 minutos de vantagem sobre o novo terceiro, Arensman, que desapossou o austríaco Felix Gall (Decathlon), quarto, a 2.24 m de Eulálio e 1.57 m do nórdico.     

Italiano Filippo Ganna esmagou a concorrência no contrarrelógio de 42 km do Giro 2026

Afonso Eulálio contrariou os prognósticos que o próprio traçou, que apontavam para a perda da liderança - na véspera, no dia de descanso, tinha sido claro ao afirmar que perderia a camisola rosa após o contrarrelógio - e após a etapa revelou surpresa e alegria. «Sofri, sofri, sofri, mas cheguei aqui e mantive a maglia rosa. É incrível», confessou na entrevista rápida após a etapa.

O corredor de 24 anos explicou como viveu os momentos finais da prova: «Só perto do final do contrarrelógio é que o carro [da equipa] me começou a dizer: ‘estás perto do Jonas [Vingegaard]’. Num primeiro momento pensei que estava perto, mas não o suficiente para manter a camisola. No final, começaram a dizer-me ‘30 segundos’ e então continuei a acreditar», contou.

Menos expansivo, Jonas Vingegaard pareceu conformado com o desempenho e o resultado. «Um crono num percurso tão longo e totalmente plano não é verdadeiramente a minha especialidade. Nunca brilhei neste terreno. Não acho que me tenha saído demasiado mal».

Pippo Ganna exortou com o triunfo. «É fantástico um contrarrelógio longo como este, gostei muito. Estou satisfeito por, finalmente, haver um bom crono para mim, sem subidas», declarou.

Entre os restantes portugueses em prova, António Morgado (UAE Emirates), o campeão nacional de contrarrelógio, foi o melhor, ao terminar na 28.ª posição, a 4.05 minutos de Filippo Ganna, enquanto Nelson Oliveira (Movistar) concluiu a prova no 38.º posto (+4.44 m).

Afonso Eulálio durante o contrarrelógio do Giro 2026

Com este resultado, Afonso Eulálio, que veste a camisola rosa desde a quinta etapa, irá somar o sexto dia como líder do Giro. O próximo grande desafio à liderança segue-se dentro de momentos, já esta quarta-feira, a 11.ª etapa, entre Porcari e Chiavari, com quatro contagens de montanha na segunda metade do traçado de 195 km, a última a 13 quilómetros da meta. As jornadas de sexta e sábado, principalmente a última, com final em alta montanha, no tipo de uma subida de 1.ª categoria (16,6 km a 7%), serão desafios enormes para o português, mas que estará definitivamente em terreno predileto. 

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