Rosa «dá força» a Eulálio: «Nem acredito que estou a lutar com estes ciclistas estrondosos»
Afonso Eulálio atinge o segundo dia de descanso e a quinta etapa consecutiva da Volta a Itália com a camisola rosa, após mais uma defesa exemplar da liderança na terceira jornada de montanha com chegada em alto nesta edição da prova, em Corno alle Scale.
O português da Bahrain Victorious foi quinto classificado na 9.ª etapa, a 41 segundos do vencedor, Jonas Vingegaard, que encurtou a desvantagem para Eulálio na segunda posição da geral, para 2.24 minutos, antes paragem da competição, na segunda-feira, e do importante contrarrelógio de 42 quilómetros no dia seguinte.
Apesar da diminuição do avanço para o dinamarquês, e para Felix Gall, que foi segundo na etapa, o ciclista figueirense ganhou tempo a todos os demais adversários diretos, com destaque para Giulio Pellizzari, que teve um dia mau e cedeu 1.28 minutos para Vingegaard. Na geral, Eulálio lidera com 2.24 minutos sobre o nórdico e 2.59 sobre o austríaco Gall, mas alargou a vantagem para o quarto classificado, Jai Hindley (Red Bull), para 4.32 minutos.
O ciclista português confessou estar a viver um sonho e atribui à maglia rosa a força extra para competir com os favoritos. «De certeza que é a camisola rosa que me está a dar esta força. Porque nem acredito que consigo estar a lutar com os principais homens da geral», afirmou.
Sobre o desempenho na derradeira subida, para a meta, Eulálio disse ter-se devido à moderação com que enfrentou o ataque de Felix Gall, a que apenas Jonas Vingegaard conseguiu responder. «Tentei ser o mais conservador possível, não ir ao choque quando o Jonas [Vingegaard], o Felix [Gall] [atacaram]. Esses ciclistas são mesmo estrondosos, então acabei por me tentar manter o mais calmo possível e, depois, na parte final, foi como um all in e acabou por ser incrível poder ter feito top-5», explicou o ciclista, de 24 anos, que cumpre o principal objetivo, enfim assumido, de chegar ao dia de descanso na liderança.
«Está a ser completamente um sonho para mim, é incrível estar a vivenciar isto», confidenciou. «Amanhã [segunda-feira], vai ser mesmo desfrutar do dia de descanso, tentarmos parar num bom café, comer um bom bolo, provavelmente», antecipou, descrevendo o dia a dia de jantares tardios, massagens e fisioterapia.
O português reconheceu que a vantagem sobre Jonas Vingegaard será, «muito provavelmente», insuficiente para manter a liderança após o contrarrelógio de 42 quilómetros da 10.ª etapa. Quanto à luta pela classificação de melhor jovem, que também lidera, Afonso Eulálio também se mostra cauteloso. «Vamos ver o que é que sou capaz de fazer. A verdade é que não sei o que é que vem por aí. Faltam duas semanas, é muito tempo», sublinhou, prometendo lutar «dia após dia» até à chegada a Roma, a 31 de maio.