Afonso Eulálio, talento afirmado
Afonso Eulálio é o mais recente talento do ciclismo português. Até agora poderíamos considerá-lo emergente, porque jovem, aos 24 anos, ainda a afirmar-se no principal escalão mundial, WorldTour, na segunda temporada na equipa Bahrain Victorious, que, em finais de 2024, reconheceu-lhe valor para contratá-lo à Continental lusa Feirense.
O corredor figueirense dera nas vistas ao envergar a camisola amarela na Volta a Portugal durante seis dias, conquistada no Alto da Torre com um segundo lugar e grande exibição. Embora a tivesse entregado ao russo Artem Nych na penúltima jornada, na Sra. da Graça, mais do que a saída do anonimato pelo destaque da liderança na principal competição nacional, impressionou pela combatividade. Não se restringiu a defender a posição cimeira, atacando, procurando reforçá-la a cada oportunidade que vislumbrou, proporcionando espetáculo e garantida prova de talento.
Qualidade e espírito de luta que demonstra no Giro 2026, em que ostenta a prestigiada camisola rosa. Ganhou-a com desempenho soberbo, a que voltou a faltar a vitória na etapa - que roçou -, e que não parece pesar-lhe, tal é a coragem e ambição com que a defende, atacando... alguns dos melhores corredores do mundo, como Jonas Vingegaard.
A camisola rosa do Giro não será recordada como conquista passageira, ou tão-só um marco de carreira, é símbolo colorido que o corredor português está a usar para se destacar no pelotão, que, definitivamente, já o vê de outra maneira.
Afonso não é um voltista como João Almeida, dificilmente o veremos a disputar a vitória em provas por etapas, principalmente com contrarrelógio, mas corridas em que houver montanha, teremos um trepador empolgante, como poucos. Em corridas explosivas, estará lá para nos trazer emoção.