O ciclista português Afonso Eulálio chegou há apenas um ano à elite. IMAGO
O ciclista português Afonso Eulálio chegou há apenas um ano à elite. IMAGO

A vida rosa de Afonso Eulálio no Giro que nem ouviu o Presidente da República!

O corredor português de 24 anos (Team Bahrain) é o atual líder da Volta a Itália, que termina dia 31 de maio, em Roma. Cinco dias depois de ter agarrado a camisola que lhe valeu a entrada num clube restrito nacional, o ciclista luso foi estrela na conferência de imprensa do dia de descanso. Até porque, esta terça-feira, o regresso à estrada pode não ser muito favorável

A liderança na Volta a Itália trouxe uma avalanche de atenção sobre Afonso Eulálio, que, entre tantas chamadas, falhou uma do Presidente da República, António José Seguro. O ciclista português, que confessou que o seu novo passatempo favorito é simplesmente estar em casa, partilhou as suas experiências numa conferência de imprensa em Lucca, durante o dia de descanso do Giro.

«O Presidente tentou ligar-me e deixou-me uma mensagem. Penso que devo estar a fazer algo bom», revelou Eulálio, explicando a falha na comunicação: «Nestes dias, tenho tantas chamadas e mensagens que não atendi e, umas horas depois, recebi a mensagem».

Entre os contactos recebidos, destacou-se também o de Rui Costa, campeão mundial de fundo em 2013 e um ídolo de infância para o atual camisola rosa. Eulálio, de 24 anos, recordou que começou no BTT com amigos, «depois da escola», antes de fazer a transição para a estrada em 2019.

Apesar da glória, o ciclista figueirense anseia pela normalidade. «Em dois meses, tenho três, quatro dias em casa. Quando vamos para casa, para nós é como estar de férias. Agora, ter tempo para estar em casa, é o meu hobby favorito», confessou, lamentando a rotina exigente que o impede de falar mais com os seus em Portugal. «Quase todos os dias vou-me deitar às 23h30, meia noite, e no outro dia estou a pé às 7h00».

O jovem, que se assumiu adepto do Benfica, admitiu nunca ter imaginado alcançar tal feito. «Não sonhava estar no WorldTour, menos ainda estar vestido de rosa», afirmou, sublinhando a importância que a Volta a Portugal de 2024, onde também foi líder, teve na sua carreira.

Eulálio, que chegou ao pelotão internacional apenas no ano passado, apontou Nelson Oliveira (Movistar) como o seu ciclista favorito e mencionou Damiano Caruso como a referência na sua equipa, a Bahrain Victorious. O ciclista mostrou-se ainda feliz com o apoio que tem recebido, nomeadamente em Cacia, Aveiro, onde reside com a namorada e onde a vila se encheu de fitas cor-de-rosa em sua homenagem.

«Sonhar é grátis. Gostaria de fechar no top 10 e ganhar uma etapa. Seria fechar com chave de ouro. Sonhar é grátis, depois veremos o que serei capaz de fazer», disse o corredor, ciente que os 42 quilómetros do contrarrelógio desta terça-feira não lhe são favoráveis, tal como a vantagem de 2.24 minutos sobre o grande favorito, o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike). «Quando vesti a rosa senti superpoderes, mas quando a perder não sei como será. Faltam duas semanas e tudo pode acontecer. Acredito que posso vir a fazer bons contrarrelógios, duvido que seja o caso deste porque é totalmente plano e é pura velocidade. É o pior contrarrelógio para um peso-pluma», disse.

«Estivemos a afinar a bicicleta e a ajustar o fato. Há um mês, o contrarrelógio ia ser um dia de descanso, mas agora temos de ir a fundo, as coisas mudaram. Tentei melhorar, trabalhei um pouco, mas não muito, porque vim como gregário, para ter oportunidades na montanha; agora é preciso ir a fundo. Espero defender-me e vou lutar, mas o Jonas é um dos melhores do mundo. É o Jonas. Vou dar tudo o que tenho», avisou-

Recorde-se que Afonso Eulálio assumiu a liderança do Giro na quinta etapa, a 13 de maio, e já é o segundo português com mais dias de rosa, ultrapassando os dois dias de Acácio da Silva em 1989 e ficando apenas atrás dos 15 dias de João Almeida em 2020. Pela terceira vez na história há um português a liderar o Giro, em 109 edições, e no que toca a etapas o historial mostra que apenas Acácio da Silva, Rúben Guerreiro e João Almeida foram capazes de levantar os braços no final das tiradas.

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