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Roger Milla: «Ronaldo? Um jogador que não corre e continua a marcar merece mais elogios»
Roger Milla sabe bem o que é desafiar o tempo. O antigo avançado camaronês continua a ser o jogador mais velho de sempre a marcar num Campeonato do Mundo, um recorde estabelecido em 1994, aos 42 anos. Mas não se preocupa em protegê-lo. Pelo contrário, rende-se à longevidade de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo e garante que, se conseguirem ultrapassá-lo, será apenas mais uma prova de grandeza.
O antigo avançado, herói da campanha histórica dos Camarões no Mundial 1990, não poupou elogios às duas lendas do futebol mundial. «Acho bonito o que eles continuam a fazer. Digo: chapéu, Messi, chapéu, Ronaldo! Ouço pessoas dizerem que eles já não correm. Um jogador que não corre e continua a marcar golos merece ainda mais elogios. O que me impressiona é vê-los continuar a ser decisivos. Isso não é para qualquer um. Se o jogador se sente forte e em forma, deve continuar a jogar. A idade importa pouco, desde que demonstre que ainda é capaz. E eles fazem-no.»
«A qualidade técnica nunca se perde. Um jogador técnico não precisa de correr como um jovem. Um bom posicionamento compensa muita coisa. Quanto mais idade tens, melhor és taticamente e até tecnicamente. Com o tempo, aprendes onde te deves posicionar, como receber a bola e ganhar vantagem sobre o adversário. É uma troca entre aquilo que perdes e aquilo que ganhas.»
Questionado sobre até onde poderá ir esta nova longevidade dos futebolistas, Milla acredita que o limite ainda pode ser esticado. «Chegar aos 50 anos parece-me impossível, mas 43 ou 44 anos é perfeitamente possível. Quando o corpo disser basta, é preciso ouvi-lo. Não vale a pena enganar-se. Nessa idade, quando sais do estádio, estás completamente esgotado.»
E se Messi ou Cristiano Ronaldo acabarem por lhe retirar o recorde de jogador mais velho a marcar num Mundial? A resposta foi clara. «Não preciso de guardar esse recorde. Os recordes existem para ser batidos. Os do Pelé, Platini ou Maradona também foram ultrapassados. Aquilo de que me orgulho é de ter jogado três Mundiais pelo meu país e de ter proporcionado tantas emoções. O futebol não são números.»
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