Em noite de São Valentim, o galo reentrou no quarto
A noite era de São Valentim, de celebrar os namorados, ou seja, o amor e restava saber entre Gil Vicente e SC Braga quem conseguiria ficar no quarto. À partida para o encontro, estavam os de Carlos Vicens lá instalados na tabela, mas com apenas dois pontos de vantagem sobre os de César Peixoto, mas o galo queria lá entrar de novo, pois já lá tinha estado por algum tempo esta temporada mas tinha sido desalojado, precisamente, para o bracarenses.
Contas feitas, foi mesmo o galo quem ficou de novo no quarto, mas a história do (belíssimo) jogo teve muito para contar. Carlos Vicens montou uma estratégia que passava por bloquear, na primeira parte, a saída da bola do gilistas pelas alas e não dar um palminho de terreno a Luís Esteves, o homem que costuma ser o alfa e o ómega da criatividade barcelense.
Com os da casa meio aturdidos, o SC Braga fazia da posse de bola uma arma poderosa e depois dum roubo de bola numa zona alta, Barisic coloca em Victór Gómez, que cruza para Ricardo Horta inaugurar o marcador. Os de Barcelos não se conformaram mas mostravam-se muito tímidos.
O ponta de lança Carlos Eduardo parecia um holograma e César Peixoto não gostava. Ao intervalo não esperou nem mais um segundo e tirou o brasileiro, colocou Gustavo Varela e tudo mudou. Primeiro apenas um ameaço, com Hornicek (quem mais?) a defender mas o lance ficou enfermo de fora de jogo. O Gil carregava mas Peixoto não se conformava e faz mais duas alterações, colocando Hevertton no lugar de Zé Carlos que não se entendia com a saída de bola e Agustín no dum apagado Joelson Fernandes.
Hornicek continuava a brilhar mas ninguém consegue travar o vento com as mãos e depois de Gustavo Varela empatar, Santi García subiu até ao décimo quinto andar para colocar os de Barcelos com vista privilegiada para a Uefa Europa League. E justamente, diga-se.
O SC Braga reagiu, mas demasiado desconexo e sem criar oportunidade de golo daquelas de gritar aos sete ventos...
E quem se lembra que o Gil em janeiro perdeu dois dos seus craques, o guarda-redes Andrew e o ponta de lança Pablo? Talvez poucos pela forma como joga, mas é mesmo verdade...
Ficou colocado um ponto final numa série de 700 minutos dos bracarenses sem sofrer golos, mas pior do que isso, ficou uma imagem muito ténue por aquilo que (não) fizeram na segunda parte. As consequências? Adiante se verá, só os deuses da bola sabem, mas, para já, caíram da cama do quarto…
As notas do Gil Vicente: Lucão (6); Zé Carlos (5), Buatu (6), Elimbi (6) e Konan (6); Luís Esteves (7) e Zé Carlos Ferreira (6); Murilo Souza (7), Santi García (8) e Joelson Fernandes (4); Carlos Eduardo (4); Gustavo Varela (7), Hevertton (6), Agustín Moreira (7), Espigares (—) e Sergio Bermejo (—)
As notas do SC Braga: Hornicek (7); Barisic (6), Lagerbielke (5) e Arrey-Mbi (4); Victór Gómez (6), Grillitsch (5), João Moutinho (6) e Gabri Martínez (6); Zalazar (5), Pau Víctor (4) e Ricardo Horta (6); Diego Rodrigues (5), Paulo Oliveira (4), Tiknaz (4), Lelo (5) e Fran Navarro (—)
AS REAÇÕES
César Peixoto (treinador do Gil Vicente)
A vitória foi na qualidade, na crença, na alma... fizemos 90 minutos fantásticos. O SC Braga fez dois remates enquadrados e um golo. Sabíamos que havia este cruzamento atrasado do Victór Gómez para o Horta. Mérito deles. Continuámos a jogar da mesma maneira, corrigimos uma ou outra coisa ao intervalo e na segunda parte fomos ainda mais agressivos e autoritários. Criámos mais situações de golo e tivemos mais qualidade na ligação. Foi uma grande exibição do Gil, já não tenho palavras para o que estes jogadores têm feito. Pressionámos alto, sem receio nenhum, jogamos sempre à equipa grande
Carlos Vicens (treinador do SC Braga)
A equipa tem de ser capaz de ter mais bola. Em muitos jogos onde já jogos com mais duelos em que temos tido mais bola do que hoje. Apesar de conseguirmos criar dificuldades ao adversário, não estávamos a conseguir materializar no último terço. Conseguimos marcar o primeiro golo e não demos continuidade. Na segunda parte, em diferentes circunstâncias, acho que não fomos capazes de ter maturidade e competitividade para controlar o jogo. Sofremos um golo e nesse momento as energias mudam. Custou-nos a suster o jogo. Acabámos por sofrer mais um golo de bola parada. Ainda tivemos oportunidades, mas temos de ser mais vivos, mais contundentes no último terço.