Villas-Boas responde a Varandas: «FC Porto vai ser implacável com o Sporting»
Pouco depois de falar Frederico Varandas, André Villas-Boas também prestou declarações aos jornalistas na sequência da reunião com a Ministra da Cultura, Juventude e Desporto, Margarida Balseiro Lopes e o Secretário do Estado do Desporto, Pedro Dias.
O Presidente do FC Porto respondeu às acusações do Presidente do Sporting relativo aos acontecimentos recentes, incluindo no clássico de andebol no Dragão Arena em que um jogador e o treinador leonino não foram a jogo por causa do alegado ambiente tóxico no balneário. «Não houve garantia nenhuma [da Ministra]. O FC Porto veio prestar os alegados acontecimentos que o Sporting alegou no seu comunicado. O FC Porto está absolutamente tranquilo relativamente a todos os factos, foi isso que passámos à ministra», começou por dizer.
«Promovemos uma auditoria externa e interna extensa, bem documentada, desde o momento em que a primeira vez que a porta do balneário é fechada no treino da equipa de hóquei em patins, até ao momento em que a porta é aberta para receber o Sporting. O nosso segurança viu horas e horas de CCTV. Estão excluídas quaisquer prevaricações com produtos de limpeza e tóxicos, tudo seguiu o seu procedimento normal. Estão excluídas também qualquer ato de sabotagem interna ou externa, fosse por parte do Sporting também», afirmou, falando da situação do treinador do Sporting.
«Há vários jogadores do Sporting que saem e entram do balneário mediante as indicações do nosso diretor de segurança, assim como o treinador Ricardo Costa que está 40 segundos dentro do balneário até que bastante mais tarde se acaba por sentir mal com a tensões altas. Para nós custa muito um Dragão de ouro deitado no chão num clássico, desejamos-lhe as melhoras e que rapidamente volte ao Sporting», acrescentou, falando do inquérito.
«É um conforto absoluto que tenha sido aberto um inquérito, porque as imagens que o FC Porto tem são muito óbvias, desde os relatórios médicos ao alto da polícia, em que o único que é levantado é a agressão de Martim Costa a um adepto do FC Porto. A própria polícia já se manifestou publicamente relativamente a este incidente e não há nada de anormal nas condições que o FC Porto deu ao Sporting para se equipar naquele balneário», garantiu, prometendo resposta por difamação.
«Estamos absolutamento tranquilos e, aprovados todos os factos, terminando com arquivo por parte do ministério público, o FC Porto vai ser implacável com o Sporting relativamente a difamação, calúnia e aos atentados para o seu bom nome. Não só por parte do Sporting, mas também alguns comentadores da comunicação social que claramente ultrapassaram a liberdade de expressão», apontou.
Resposta a Varandas
Villas-Boas respondeu diretamente às declarações de Varandas, que afirmou terem sido tempos recentes «miseráveis». «Desde as capas dos jornais, às bolas, às toalhas, aos cones, a única coisa que posso enviar ao Presidente do Sporting são umas novas capas de jornais, um conjunto de bolas, de toalhas e cones. Não sei o que é que o Presidente do Sporting tem contra o FC Porto. É muito raro que se venha discutir com a ministra um incidente que para o Sporting era gravíssimo, e que era uma investigação de criminalidade do FC Porto, que vê isso transformado em bolas, cones e toalhas. É absolutamente raro e patético, tal como é o comunicado do Sporting, que refere apenas andebol uma vez e tenta levar este incidente e uma reunião com o Governo para outros casos que nada têm a ver com o mesmo», atirou, lamentando a constante vitimização do rival.
«Houve pessoas a sentirem-se mal, uma estava com tensões altas e outras com glacemia baixa. Este foi o relatório médico que o FC Porto recebeu. Nem sequer houve um membro do Sporting hospitalizado e há vários membros que entram e saem sem nenhum problema. Há vários jogadores do Sporting a gozar com a situação. O Sporting tentou fazer um aproveitamento, tal como fez com as capas dos jornais quando foi jogar ao Dragão, é lamentável esta vitimização permanente a obrigar a ministra a ter uma reunião sobre um caso destes», acusou, relembrando outros casos nos leões.
«Compreendo as frustrações do Presidente do Sporting quando no seu próprio estádio há adeptos que lançam garrafas de vidro contra as cabeças dos árbitros, quando há jogadores que assumem que um árbitro é ladrão. Entendo as suas frustrações, quando há quebra de códigos regulamentares da liga relativamente às competições para adiar um jogo de futebol. Eu compreendo as frustrações e tentativas em mudar a narrativa. Como houve um período de pausa de seleção, o Sporting quis desviar o caso do Tondela para um pouco mais tarde, tentar impolar outros casos e veio fazer as figurinhas que fez que são lamentáveis em toda a linha. O FC Porto tem provas irrefutáveis, portanto, sendo arquivado pelo ministério público a sua investigação, o FC Porto vai ser implacável com o Sporting», lamentou.
Diálogo
«Eu tomei posse do FC Porto no sentido de promover o diálogo entre os três grandes, o único a tentar fui eu. Agora não posso permitir que no decorrer das épocas haja um Presidente que é permanentemente incendiário relativamente a conselhos de arbitragem, instituições, clubes, pessoas, ataques pessoais bárbaros à minha pessoa. Eu fui treinador não tenho nenhum período em lidar com isso, agora não posso permitir que se suje o nome do FC Porto à vontade e é isso que faz o Sporting. Se há capacidade de entendimento entre os três grandes, possivelmente, mas era preciso baixar o tom da comunicação, que se fosse mais consciente do que se está a dizer. Já fiz a minha parte», garantiu.
Pedido de desculpa
Villas-Boas revelou ainda que, da última vez que estiveram frente a frente numa reunião da FPF, Varandas pediu-lhe desculpa. «Numa das reuniões da FPF, o Presidente do Sporting veio-me pedir desculpa, à frente da comunicação social não é capaz. Foram aceites, mas rapidamente volta a quebrar outra vez. Foram relativamente às apostas desportivas internacionais. Essa foi a última vez que estivemos frente a frente», contou.
Jogo da Taça de Portugal no Dragão
«Eu compreendo que haja a necessidade de apaziguar os ânimos, mas não posso viver permanentemente nas vitimizações do Sporting. O Varandas será encaminhado para outra zona, porque eu não tenho nenhum prazer em sentá-lo ao meu lado, nem ele tem nenhum prazer ao sentar-se ao meu lado. Temos de dar outra imagem? Possivelmente. Que haja caminho para apaziguamento? Talvez. Se o Sporting leva a mal capas de jornais que estão instaladas nos visitantes há imenso tempo, se leva a mal os produtos de limpeza que usamos para limpar os balneários, não posso fazer nada do que registar a vitimização permanente do clube», atirou.
Questionado sobre a situação dos apanhas-bolas, cones e toalhas, Villas-Boas ironizou a situação e prometeu que vai construir um «spa» para receber bem o Sporting, garantindo ainda que a equipa está «protegida» de todo o ruído.
Adiamento do Sporting-Tondela
«Há uma regra que é incumprida para cumprir uma lei que não é preciso cumprir, que é a lei das 72 horas. Quantos jogos já foram disputados sem ter 72 horas de intervalo e não pode incumprir uma regra que é regulamentar no quadro de competições. É isso que é grave. O Presidente da Liga tem uma interpretação que nós não temos e pedimos clarificações. Para nós há quebra de regulamentos. O Sporting não joga na primeira data disponível, que é 1 de abril. Hoje deveria estar a jogar», explicou.
Delegada
Questionado sobre a delegada que também se sentiu mal, Villas-Boas respondeu: «A delegada tem um histórico de tensões altas. Isso está no relatório e a partir desse momento não posso controlar as emoções das pessoas.»