André Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: Catarina Morais/KAPTA+
André Villas-Boas, presidente do FC Porto - Foto: Catarina Morais/KAPTA+

Villas-Boas: mercado, balanço, título mais saboroso e bicada aos rivais

Presidente do FC Porto falou do passado, do presente e deu uma perspetiva para o futuro

André Villas-Boas fez um balanço da temporada à Sport TV e falou em momentos complicados desde que, em abril de 2024, assumiu a presidência do FC Porto: «Sobretudo a alegria das pessoas é o que mais comove: os sócios, os adeptos encontrarem-se de novo com os títulos. Num clube ultra vencedor em número de títulos, não faço mais do que a minha responsabilidade», disse, prosseguindo: «O treinador está mais diretamente envolvido nas decisões, enquanto como presidente é mais alívio do que felicidade [risos]. Já estamos com a cabeça em agarrar outra oportunidade, na construção de um futuro mais sólido a nível desportivo, económico e associativo. A transformação associativa tem sido notável nestes dois anos. Temos uma exigência diária intensa, por isso é que há tanta cobrança. Não queremos largar; para não largar, é preciso construir a partir desta base. Um clube português tem de ser sustentável, o clube português tem de gerar cash flows de receita. Conseguimos o encaixe da Champions, agora temos de olhar para o mercado e renovar equipas. Temos de tornar este clube sustentável e, para isso, temos de mexer no mercado obrigatoriamente. O objetivo é manter as peças principais, claro está, mas é preciso sempre renovar, recriar e continuar a sustentabilidade económica do clube.»

Galeria de imagens 40 Fotos

O momento mais difícil

«Momento desportivo mais difícil foi ficar em terceiro lugar na época passada. Vender o Nico e o Galeno foi absolutamente fundamental em termos de gerar receita. O FC Porto tem, segundo o Transfermarkt, o plantel mais valioso do futebol português, algo que conta por causa do sofrimento da época passada. Fomos obrigados a atuar no mercado, investimos e demos ao treinador maiores condições para atingir o sucesso. Há expectativas muito elevadas após a mudança e o primeiro ano ser tão avassalador em termos negativos custou. Um treinador há muito desejado por nós, que esteve sempre nas cogitações do FC Porto. Motivou a equipa, fez funcionar o talento a nível coletivo e houve muito mérito.»

Cumplicidade

«Houve cumplicidade no mercado de janeiro e oportunidade, também. Ter a oportunidade de contratar o Thiago Silva não existe... Fomos a escolha dele e ele ajudou-nos muito para obter este título. Jogou cinco dias depois de começar a treinar. Vontade de reforçar as bandas, a posição de ponta de lança pré-lesão do Samu... Estou muito agradecido à equipa que tenho comigo, no campo de gestão, no campo comercial, desportivo com o Tiago Madureira, o jurídico... Temos uma equipa de nível europeu que poucas têm. Pessoas com pouco destaque, mas decisivas para este clube e para este sucesso.»

Momentos prazerosos

«Os dois momentos mais prazerosos? Foi o golo com o Sporting e o golo com o Famalicão, em que os dois jogos acabaram empatados... E o jogo com o SC Braga no Dragão. Celebrei efusivamente, jamais pensei que houvesse volte-face. Depois há a vitória em Braga, que confirmou uma rota para o título. A ida a Braga, pelas condicionantes que trazia, jogar depois dos rivais, penálti contra daqueles na borderline e dar a volta ao resultado... Um dos momentos marcantes é esse. O percurso desta equipa também é curioso, porque esta equipa sempre se encontrou na adversidade, nunca houve momentos de crise ou guerra interna. Coesão, crença no título, manutenção dos princípios... Identificamos de jogo para jogo a mesma ideia coletiva, que está presente e muito vincada. Aqui há muito mérito do treinador, que manteve a sua visão, o seu projeto e a união no balneário. Mas celebrei esses tais golos efusivamente e depois, no último minuto, paguei o preço.»

Ida ao mercado

«Há uma parte de tudo. O que temos em funcionamento, e no scouting houve mudanças profundas, o que encontrámos com o Tiago Madureira foi estabilidade interna na parte desportiva, que se estendeu ao scouting com o Paulo Araújo. Como ex-treinador tenho a sensibilidade de perceber que o treinador tem de identificar jogadores que servem para o projeto. O Pablo Rosario, o Fofana... Jogadores que ele conhecia e queria, depois o caso do Pietuszewski e o Froholdt, com a estrutura em funcionamento. Aqui há um misto e consciência de que o trabalhar em grupo e em estrutura é melhor. Claro que nestas decisões há sempre discussão entre as partes para chegarmos a corpo comum de ideias, para podermos chegar ao sucesso.»

Com Samu e Luuk de Jong teria sido possível fazer ainda mais? 

«Sobretudo a Liga Europa... Fizeram-nos muita falta. Como sabem, na estratégia de Farioli há rotação e com jogadores como Samu e Luuk teríamos atingido final da Taça e final da Liga Europa, não tenho dúvidas. O Gul deu tudo, tal como o Moffi. Tem de se encontrar com o golo mais vezes, para se encontrar com a confiança. Vê-se no Deniz aquelas hesitações que, num jogador com mais golos, acaba por se notar menos, porque tem mais confiança»

Título mais saboroso?

«No treinador as decisões estão vinculadas logo com o jogo. Uma substituição, uma estratégia que preparas, como marcas golo... Todo este dia a dia dá prazeres únicos. O presidente está numa função de gestão, a meter as pessoas certas nos lugares certos. Atingir a glória assim é diferente de atingir como treinador. Mantenho a minha vitória como treinador como mais saborosa [risos]»

Sem Taças Latinas

«Este é sempre o principal objetivo, não há nada como ser campeão nacional no FC Porto. É alegria eterna, prestígio, orgulho... Sinto mais alívio e felicidade por podermos dar esta possibilidade aos portistas de desfrutarem de mais um título. Somos o clube com mais títulos no futebol português, não temos de inventar Taças Latinas para juntar ao nosso currículo»

Galeria de imagens 13 Fotos

A iniciar sessão com Google...