Afonso Eulálio é o líder da Volta à Itália - Foto: IMAGO

Não há João Almeida, há Afonso Eulálio

Da luta pelo segundo lugar e a despedida de Mourinho ao promissor corredor da Figueira da Foz que pode não vencer o Giro, mas já mereceu entrar numa galeria exclusiva. Almeida deve estar a torcer por ele

Ponto final num campeonato que, como todos os campeonatos, é feito de alegrias e frustrações, virtuosos e culpados, com mais ênfase nos defeitos de quem perdeu do que nos méritos de quem ganhou. É assim a forma de se viver no futebol e não é um exclusivo português. Enquanto o Douro prepara a bonita festa para celebrar o título do FC Porto, Sporting e Benfica reservam para si a última luta de galos, na tentativa de chegar à Liga dos Campeões via segundo lugar (o terceiro também dará, mas só na temporada 2027/28).

Do ponto de vista matemático, está tudo naturalmente em aberto, mas depois do empate das águias, em casa, diante do SC Braga, na última jornada, não serão muitos os que acreditarão numa escorregadela do Sporting em casa, diante do Gil Vicente — ainda que, atenção, os homens de Barcelos, sob excelente orientação de César Peixoto, mostraram neste campeonato ser uma das equipas que melhor futebol praticou.

O problema é que o adversário do Benfica também pressupõe ser uma daquelas obras com forte impressão digital (o Estoril de Ian Cathro) e das duas uma: ou José Mourinho tem um discurso para o plantel em que pede uma despedida em grande e todos dão as mãos rumo ao tal «milagre» referido pelo treinador nas conferências de imprensa, ou os sinais de desapego, falta de expressão e rasgo de uma equipa que há muito desconfia que vai perder o seu líder diz adeus da mesma forma como em tantas vezes atuou em 2025/26: errática, falhando em muitos momentos-chave.

Afonso Eulálio pode não ganhar o Giro, mas envergar durante pelo menos dois dias a camisola rosa (e pode não ficar por aqui...) já o coloca numa galeria exclusiva, juntando-se a Acácio da Silva e João Almeida como os únicos portugueses a liderarem a Volta à Itália. Para o público nacional foi uma deceção não poder assistir ao desempenho do corredor de A-dos-Francos, por não se sentir em condições, numa prova em que, em circunstâncias normais, poderia lutar novamente pela vitória, mas João Almeida será seguramente mais um a torcer, como qualquer adepto de ciclismo e (mais que tudo) de desporto, por mais um esforço do ciclista da Figueira da Foz, que saltou do pelotão nacional diretamente para uma equipa de topo, num trajeto anormal e que nos obriga a todos a dedicar mais tempo e atenção a um novo e promissor talento do ciclismo nacional.

A iniciar sessão com Google...