José Mourinho lançou indiretas... bastante diretas: «Aqui ninguém é parvo!» - Foto: IMAGO
José Mourinho lançou indiretas... bastante diretas: «Aqui ninguém é parvo!» - Foto: IMAGO

Mourinho atira-se à estrutura do Benfica

Indiretas do técnico das águias no final da época foram bastante... diretas. «Aqui não há parvos», disse. E, como para bom entendedor meia palavra basta: para Mou, Rui Costa está mal acompanhado

José Mourinho nunca dá ponto sem nó. No rescaldo de uma noite de emoções no Estoril, que deveria servir apenas para baixar o pano sobre a Liga 2025/2026, o técnico decidiu levantar o véu sobre o que ferve nos bastidores da Luz. 

Oficialmente, Mourinho diz que «há 99% de hipóteses» de ficar, agarrando-se à única proposta formal que tem em mãos: a renovação oferecida pelas águias. Mas o diabo, como sempre, mora no detalhe. E esse detalhe chama-se um por cento.

«Aqui ninguém é parvo», atirou, com o sorriso de quem detém o tabuleiro de xadrez. Ao admitir que Jorge Mendes já dialoga com Florentino Pérez, o ainda treinador do Benfica não está só a confirmar o óbvio; está a enviar um pré-aviso de despejo.

Mas o verdadeiro sismo não reside na iminente viagem para Madrid, mas sim no diagnóstico letal que fez da estrutura encarnada.Mourinho foi cirúrgico na separação de águas. De um lado, «o Benfica do Seixal»: o campus, o centro de estágio, a fábrica de talento e as condições de trabalho que classificou como irrepreensíveis. «O Seixal está preparado para títulos, mas isso não chega», sentenciou.

É aqui que a indireta se torna uma direta no queixo da SAD. Ao elogiar o Seixal para logo de seguida apontar que «isso não chega», Mou aponta o dedo à outra estrutura: a da Luz, a dos gabinetes, a das decisões estratégicas que parecem colidir com a exigência de quem está no relvado.

O técnico fez questão de blindar Rui Costa ao nível da questão da renovação, ou não, de contrato: «Nenhuma crítica ao presidente». Mas, para bom entendedor, o silêncio sobre o resto e sobre quem rodeia o líder é ensurdecedor.

Ou seja, Mourinho está, por exclusão de partes, a colocar sob fogo quem decide e quem gere a SAD. O contraponto é claro: a equipa invisível que cerca o presidente padece de uma anemia de competência que Mou não está disposto a tolerar se decidir, por milagre, gastar os seus 99% na Luz.

A mensagem é um ultimato disfarçado de balanço. Se o Real Madrid chamar, o adeus será o desfecho natural de quem percebeu que, no Benfica atual, a excelência do Seixal morre à porta da burocracia ou da falta de visão da estrutura central.

Mourinho sabe que, para ganhar, não basta ter bons campos; é preciso ter quem saiba navegar as tempestades do mercado e da política desportiva com a mesma acutilância que ele coloca em cada palavra. 

No final, fica a sensação de que Mou já partiu, deixando para trás um espelho onde a estrutura da Luz terá, obrigatoriamente, de se olhar.

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