Vem aí o Sporting: «Carvalhal é um dos melhores. Pode ser este o jogo do clique»
Os treinadores principais são, como a própria designação assim o indica, os chefes da banda, os líderes de um conjunto de profissionais que têm como missão potenciar um conjunto de jogadores e com isso formarem uma verdadeira equipa. Mas tal como na vida, em que costuma dizer-se que por trás de um grande homem está sempre uma grande mulher, também no futebol pode aplicar-se essa regra: na vanguarda de um técnico estão sempre os adjuntos. E só em perfeita comunhão de esforços podem fazer com que uma missão tenha sucesso.
E é aqui que chegamos a Carlos Carvalhal e a... Paulo Rifa. É certo que ambos não trabalham agora juntos, mas para trás ficou uma longa história que os uniu em várias realidades competitivas. Como tal, o analista e também comentador de futebol é uma das pessoas mais avalizadas para falar sobre o atual treinador do Famalicão. Um homem que, por si só, já dispensava apresentações, mas cujos elogios ajudam a perceber ainda melhor o estatuto do líder do balneário dos minhotos.
«O seu currículo fala por si. Eu trabalhei com muitos e dos melhores e Carvalhal é de excelência. Foi dos treinadores com quem mais aprendi. Está no topo dos melhores treinadores portugueses. Está num clube que tem todas as condições e que está num crescimento fantástico e as pessoas vão perceber isso. Houve uma transformação grande, alguns dos melhores jogadores saíram e as coisas demoram a consolidar. Será uma questão de tempo até o Famalicão estar novamente na mó de cima», projeta Rifa, em declarações exclusivas a A BOLA.
Os azuis e brancos ainda não venceram neste campeonato e segue-se... o Sporting. «Parece-me que este poderá ser o jogo do clique para o Famalicão. O mister Carlos Carvalhal tem a capacidade de motivar os jogadores e pode vir aí a primeira vitória», antevê, não esquecendo que o eventual «desgaste do Sporting, por via do recente jogo europeu com o Galatasaray, pode ter influência».
E como antigo jogador e profissional do Vila Nova, Paulo Rifa deixa a garantia aos adeptos. «Há algum ruído da massa associativa, o que é normal devido ao amor que têm pelo clube, o que faz com que a exigência seja grande, mas podem estar descansados que o mister Carvalhal vai dar a volta. Ninguém pode ousar duvidar das suas competências», remata.
SUCESSO A DOBRAR CONTRA OS LEÕES
A época em curso é a oitava consecutiva do Famalicão na elite do futebol português. Quando os minhotos regressaram aos grandes palcos, em 2019/2020, Paulo Rifa fazia parte da estrutura, enquanto adjunto de João Pedro Sousa, e nessa época os minhotos lograram o feito de vencer os dois jogos frente ao Sporting: 2-1 em Alvalade e 3-1 em Vila Nova.
«Lembro-me bem dessa época e dessas duas vitórias. A nossa equipa era muito boa. Claro que o Sporting, na altura, não estava como está hoje, mas, afinal de contas, era o Sporting. Nós tínhamos grandes jogadores, como o Pote, o Fábio Martins, o Uros Racic, entre vários outros, e éramos uma equipa com dinâmicas extremamente interessantes e que jogava mesmo muito bom futebol», recorda Rifa.
A entrada do Famalicão nesse campeonato foi absolutamente arrebatadora, com seis vitórias e um empate nas primeiras sete rondas, pelo que à entrada para a 8.ª jornada havia liderança famalicense: «O clube tinha acabado de subir de divisão, sofrera uma grande revolução no plantel, mas dava mesmo gosto ver o tipo de futebol que praticávamos. E quando chegámos à 8.ª jornada fomos ao Estádio do Dragão jogar com o FC Porto estando nós na liderança da tabela classificativa.»
O Famalicão, refira-se, terminou essa campanha num muito meritório 6ª lugar, às portas da Europa.
JOGADOR E ADJUNTO NOS MINHOTOS, NUMA VIDA COM TANTO DE... CC
Paulo Rifa tem estado, nos últimos anos, dedicado às funções de analista e de comentador de futebol, mas tem um passado muito vasto nos relvados e fora deles.
Enquanto jogador, e por entre os vários clubes que serviu — chegou a estar contratualmente ligado ao FC Porto, mas nunca alinhou oficialmente pelos azuis e brancos... da Invicta —, Rifa vestiu a camisola do Famalicão na época 1996/1997, caminhada em que os minhotos, então na antiga II Divisão B, ficaram às portas da subida.
Mas a sua ligação ao emblema de Vila Nova também teve ramificações já na pele de treinador. No caso, enquanto adjunto: fez parte da equipa técnica liderada por João Pedro Sousa, em 2019/2020 e 2020/2021.
E falar de Paulo Rifa é também falar muito de Carlos Carvalhal. Porque ambos trabalharam juntos em variadíssimas realidades competitivas: SC Espinho, Freamunde, Vizela, Aves, Leixões, Vitória de Setúbal, Belenenses, SC Braga, Beira-Mar, Asteras Tripolis (Grécia), Marítimo, Sporting, Sheffield Wednesday e Swansea (ambos de Inglaterra): «Volto a referir que estamos a falar de um enormíssimo treinador e de uma pessoa que percebe muito de futebol. Aliás, basta recordar que quando está na pele de comentador, como ainda na temporada passada aconteceu, as verdadeiras aulas que dá nas transmissões televisivas.»
Conhecedor da mística famalicense, Paulo Rifa antevê muitas dificuldades ao Sporting no domingo (20h30). «Os adeptos são muito devotos e podem ser o verdadeiro 12.º jogador», conclui.