Bolt desafia o tempo: «Hoje, correria abaixo dos 9,40 segundos»
Usain Bolt continua a correr contra o tempo — pelo menos na imaginação. Aos 40 anos, o antigo velocista jamaicano, recordista mundial dos 100 e 200 metros, acredita que, se tivesse competido com as pistas atuais e a nova geração de sapatilhas, poderia ter levado ainda mais longe as marcas que ajudou a tornar lendárias.
Em entrevista à Gazzetta dello Sport, Bolt foi direto ao falar do que poderia ter feito com as condições atuais. «Teria corrido algo mais perto dos 9,40 segundos nos 100 metros. E nos 200 metros talvez abaixo dos 19 segundos, uma marca que teria realmente gostado de conseguir», afirmou.
O jamaicano mantém, contudo, uma certeza: os seus recordes continuam longe de estar ameaçados. «Não em breve, não vejo ninguém capaz», garantiu, antes de deixar uma curiosa ressalva: «Mas tenho dois filhos...».
Bolt mantém os máximos mundiais de 9,58 segundos nos 100 metros e 19,19 nos 200 metros, ambos estabelecidos em 2009.
«Diria ao jovem Usain para se esforçar mais»
Bolt também aproveitou a entrevista para olhar para trás e identificar aquilo que faria de forma diferente. Se pudesse aconselhar o jovem Usain, a mensagem seria simples: trabalhar mais. «Diria ao jovem Usain para se esforçar mais. Enganei-me ao pensar que o talento era suficiente. Se tivesse acreditado nisso, os meus primeiros Jogos Olímpicos, Atenas 2004, teriam sido diferentes», recordou.
Se pudesse viajar no tempo para enfrentar atletas de outra geração, Bolt escolheria dois nomes. «Maurice Greene, porque era um showman, e Michael Johnson, porque dominava», disse.
Entre os atletas da atualidade, preferiu não eleger apenas um, mas destacou alguns compatriotas: «Há muitíssimos e, para não ofender ninguém, mencionarei alguns dos meus compatriotas velocistas: Oblique Seville, campeão do mundo nos 100 metros, e as gémeas Tia e Tina Clayton.»
Bolt falou ainda sobre o peso de ser considerado uma lenda do desporto. «Significa estar ao mesmo nível de campeões como Muhammad Ali e Pelé. É um efeito extraordinário», afirmou. E se o futuro do atletismo passar por corridas entre robôs? Bolt não parece particularmente convencido. «Divertidas, mas não me entusiasmaram demasiado», confessou.