Só após a chegada à Dinamarca a comitiva leonina soube das notícias de Nova Iorque. Na foto, Ricardo Quaresma. Foto André Alves
Só após a chegada à Dinamarca a comitiva leonina soube das notícias de Nova Iorque. Na foto, Ricardo Quaresma. Foto André Alves

11 de setembro: o Sporting e a história

Jogo adiado depois do último voo autorizado pelas autoridades dinamarquesas nesse dia fatídico

O Sporting tem uma tendência especial para encontros fora do comum com a História. 

Os leões jogaram em Magdeburgo, RDA, a 24 de abril de 1974 (meia-final da Taça das Taças), souberam do 25 de abril quando, no dia seguinte, chegaram à fronteira que dividia as duas Alemanhas, dirigiram-se ao aeroporto de Frankfurt, voaram para Madrid, foram de autocarro para Badajoz, onde a fronteira estava encerrada. Foi preciso um telefonema do presidente leonino, João Rocha, para o líder da Junta de Salvação Nacional, António de Spínola, para que a situação se resolvesse e os leões pudessem entrar em Portugal. Meses mais tarde, a 10 de junho, durante a final da Taça de Portugal entre Sporting e Benfica, que estavam de relações cortadas, sob os auspícios do então primeiro-ministro, Adelino da Palma Carlos, tudo foi normalizado, em nome da paz e da concórdia prometidas pelo regime que devolveu a democracia ao nosso País.

E no 11 de setembro de 2001, quando as torres gémeas foram derrubadas, Osama bin Laden passou a ser o inimigo número um e o mundo levou uma volta de 180 graus?

O Sporting viajava para a Dinamarca, onde tinha jogo, para a Taça UEFA, em Silkeborg, no dia seguinte, com o Midtjylland, e eu acompanhei a equipa na qualidade de enviado especial do jornal Record. O voo correu sem sobressaltos e só à chegada é que os telemóveis começaram a tocar desenfreadamente, em busca de informações sobre o estado da comitiva, numa altura em que o espaço aéreo tinha sido encerrado a nível global.

O avião que transportava os leões foi o último a ter direito a entrar no espaço aéreo dinamarquês, que a seguir foi encerrado. 

Lazslo Boloni decidiu manter o treino previsto para o fim da tarde, mas era difícil, para quem acompanhava a equipa, tirar os olhos dos televisores do bar do estádio, que passavam incessantemente as imagens de pânico em Nova Iorque. No meio de tanta incerteza, veio a saber-se que a UEFA mantinha os jogos previstos para esse dia 11 de setembro (o Boavista empatou em Anfield, a uma bola, com o Liverpool), mas tudo era incerto quanto ao day after

A 12 de setembro, pela manhã, liguei a José Eduardo Bettencourt que me disse que o mais provável era que o jogo viesse a ser adiado. Foi o que sucedeu e nesse mesmo dia regressámos a Lisboa com o mundo de pantanas e uma boa história para contar.

Regressámos a Silkeborg a 19 de setembro, e no dia seguinte o Sporting derrotou o Midtjylland por 3-0. Jogaram pelos leões: Nélson; Rui Bento, Quiroga, Beto, Babb, Rui Jorge; Sá Pinto, Paulo Bento, João Vieira Pinto; Jardel e Niculae.

Na segunda mão os leões venceram por 3-2. E quem marcou quatro dos seis golos leoninos nas duas mãos? Mário Jardel, a torre do ataque do Sporting, que a partir desse momento emblemático se afirmou como um dos maiores goleadores do emblema de Alvalade.

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