Foi Benito para o Estrela, mas o Famalicão teve Koutsias largas (crónica)
Continua a agonia do Famalicão na Liga. Os minhotos ainda não venceram na prova, somando três empates e duas derrotas. Na Amadora, nada fazia prever que depois de uma primeira metade dominadora, os minhotos deixassem o Estrela – com muito mérito e impulsionado pelas mexidas de Pepa – operar a cambalhota no marcador. O resultado não foi pior porque nos últimos minutos Robinho cometeu falta sobre Gil Dias na sua área, com Koutsias a aproveitar para resgatar um ponto. Em três dos quatro jogos que efetuou no campeonato, o Estrela empatou 2-2.
Num filme com duas partes distintas, Mathias de Amorim assumiu o comando, na revolta minhota contra os maus resultados. Com um grande passe de rotura o médio isolou Koutsias para abrir o marcador, mal tinha passado o primeiro minuto. Perpendicular à área em zona frontal, olhou em frente e ao mesmo tempo colocou a bola noutro lado, na sua direita, solicitando a entrada do avançado grego para a finalização.
Seguro, o Famalicão foi superior e justificou a vantagem no primeiro tempo. Os minhotos estiveram consistentes nos seus processos, tanto o defensivo – não dando veleidades ao Estrela – como no ofensivo, procurando ferir de todos os lados, com Roméo Beney e Sorriso a encontrarem espaço nos corredores e Mathias de Amorim a fazer a transição pelo miolo, com a mobilidade de Koutsias a baralhar a marcação dos defensores tricolores.
A equipa de Carlos Carvalhal foi solidária e competente em anular o adversário, tanto é que o Estrela da Amadora, ofensivamente, viveu de cruzamentos… sem precisão, ou de rasgos individuais de Abraham Marcus e Stoica. Zero remates enquadrados na primeira parte, contra três do Famalicão, ilustram, na perfeição, o que o Estrela fez (ou não fez…) nesse período.
Tudo mudou após o intervalo. Pepa lançou Béni Souza e o futebol da sua equipa passou a ser mais… Benito (como o extremo é conhecido no futebol). E de dominado, o Estrela passou a mandar e deu a volta ao resultado, com golos de Antonetti e Scholze.
Como uma lança, Benito dinamizou o corredor esquerdo e aguçou o instinto matador de Antonetti para o 1-1, com o ponta-de-lança a ficar também ligado ao segundo golo, quando atirou ao poste, com Max Scholze a fazer a recarga.
Houve depois reação minhota e o Famalicão teve Koutsias largas para chegar ao empate, com o grego a não perdoar de grande penalidade, que castigou um derrube de Robinho sobre Gil Dias. E colocou justiça no marcador.
O atacante continua com o pé quente e festejou o quarto golo neste campeonato. Foi dos mais proativos na mudança da sua equipa da primeira para a segunda parte e voltou a mostrar ser letal e não precisando de muito espaço para marcar, como aconteceu no golo que apontou, sendo mais lesto que van Breemen. Esteve também ligado ao segundo tento, atirando ao poste, com Scholze a aproveitar a recarga.
As notas dos jogadores do Estrela da Amadora(4x2x3x1): Léo Linck (5), Scholze (6), Luan Patrick (6), Lekovic (5), Rafa Soares (5), Doue (6), Vanga (5), Abraham Marcus (6), Zvonarek (5), Stoica (5), Antonetti (7), Robinho (4), Béni Souza (7), Jefferson Encada (-), Alisson (-) e Joan Jórdan (-).
O grego deixou a Reboleira com dois golos e uma exibição de nível elevado. Sempre em movimento, o ponta-de-lança não se limitou a fixar-se na área e revelou serenidade no momento do remate. Assim foi no primeiro golo quando fugiu à marcação da defesa tricolor para finalizar perante Léo Linck e não vacilando na marcação da grande penalidade que fixou o empate, colocando a bola com um remate forte junto ao poste direito.
As notas dos jogadores do Famalicão (4x2x3x1): Carevic (5), Rodrigo Pinheiro (6), Leo Realpe (5), van Breemen (5), Pedro Bondo (5), Marcos Peña (6), Paulo Moreira (5), Roméo Beney (6), Mathias de Amorim (6), Sorriso (5), Koutsias (7), Gil Dias (6), Pedro Santos (5), Aranda (5), Meyer (5), e Abubakar (-).
Pepa, treinador do Estrela da Amadora
«Isto não é como um filme, em que a fita passa sempre igual, no teatro por vezes muda um bocadinho, mas a ideia também é seguir um guião, e aqui não. Aqui, longe de nós em termos estratégicos querermos sofrer um golo aos dois minutos, como tínhamos sofrido na Madeira aos três minutos também. Acima de tudo, mantivemo-nos equilibrados dentro do jogo, o que é muito importante.»
Carlos Carvalhal, treinador do Famalicão
«Entrámos muito bem no jogo, ficámos a ganhar e senhores do jogo, a controlar, nos primeiros 45 minutos não demos qualquer oportunidade do Estrela chegar à nossa baliza. Não gostei do começo da segunda parte. Esperava-se uma reação do Estrela, mas nós perante o adiantar das linhas por parte do Estrela, deixou de procurar a baliza. Não gostei dessa passividade. Depois do 1-2, houve uma reação muito forte da nossa parte e conseguimos chegar ao 2-2.»