Sorrisos caseiros chegam finalmente com o dilúvio (crónica)
Muita parra, pouco.. uivo (e não só). Foi assim um duelo morno entre Famalicão e Arouca até aquecer na reta final. Mas que reta final!
É que faltou muita (mas mesmo muita) inspiração aos dois conjuntos numa primeira parte francamente pobre. Ao ponto de haver ânimo nas bancadas como reação às mais tímidas aproximações às balizas.
Ainda assim, foi a formação de Ricardo Silva que assumiu as despesas e gerou maior volume ofensivo e a contenda animou mesmo na reta final — Beney obrigou Arruabarrena a aplicar-se em duas ocasiões (41’ e 45’) e Djouahra tinha tudo para disparar enquadrado em ótima posição (42’), mas faltou pontaria.
Ferida pela derrota pesada (0-3) no dérbi minhoto com o SC Braga na semana anterior, mas ainda galvanizada pela histórica qualificação para a final four da Taça da Liga, dias antes, frente aos arsenalistas, a turma de Vila Nova regressou dos balneários motivada para retomar o trilho dos triunfos, mas encontrou do outro lado uns lobos esfomeados que só tinham olho na quinta vitória consecutiva.
Com a chuva intensa veio… a polémica. O lance que motivou forte contestação do lado dos homens da serra da Freita envolveu Pedro Bondo e Alfonso Trezza na área famalicense. Depois de ser alertado pelo VAR para visionar as imagens, Gustavo Correia optou por manter a decisão que havia tomado dentro das quatro linhas e não assinalar grande penalidade. Joel Pinho, diretor-geral do Arouca, acabou expulso por protestos.
Já com sangue novo injetado por Vítor Severino, Pablo Gozálbez causou mossa com dois remates perigosos, dos pés de Beney surgiu mais um calafrio para os visitantes: Javi Sánchez foi herói em cima da linha.
Com uma frente de ataque totalmente renovada, o Famalicão esteve a escassos centímetros de agarrar os três pontos. Aos 87’, Gil Dias fez o movimento característico, da direita, para o meio, não pediu licença e disparou uma bomba que fez abanar a barra.
O golpe de teatro não se concretizou nesse momento, mas ainda estava reservado para dar uma alegria aos adeptos famalicenses, que ainda não tinham presenciado uma vitória em Vila Nova nesta temporada. Paulo Moreira, que já havia sido herói na Pedreira ao converter com sucesso o penálti que selou o apuramento, voltou a ser decisivo ao apontar um golo num lance de insistência. Foi a estreia a marcar do médio pelo emblema minhoto.
Os lobos falham o assalto ao pódio e a quinta vitória consecutiva — foi a primeira derrota de Vítor Severino —, enquanto os famalicenses voltam aos triunfos após a queda na cidade dos arcebispos.
A cumprir a terceira temporada na elite nacional, depois de duas épocas de grande consistência na Amadora, o médio formado no FC Porto espreita mais oportunidades no onze famalicense e continua a justificar a contratação de verão. Marcou na ponta final e já ganha estatuto de homem das decisões no Minho.
Imperial nos duelos, seja pelo chão ou pelo ar, o central espanhol 'limpou' tudo e voltou a demonstrar grande solidez na retaguarda. Ficou muito perto de resgatar um ponto precioso para os lobos no derradeiro lance do jogo, mas cabeceou à trave. É um dos esteios da equipa e forma uma dupla de betão com o compatriota José Fontán.
As notas dos jogadores do Famalicão: Carevic (6); Gustavo Garcia (5), Víctor Rofino (6), Finn van Breemen (5), Pedro Bondo (5); Van de Looi (5), Mathias de Amorim (6); Sorriso (5), Pedro Santos (5), Beney (6); Koutsias (5). Paulo Moreira (7), Óscar Aranda (5), Gil Dias (5) e Patricio Salas (5).
As notas dos jogadores do Arouca: Arruabarrena (6); Tiago Esgaio (5), Javi Sánchez (6), José Fontán (5), Lebedenko (5); Espen van Ee (5), Mateo Flores (5); Trezza (5), Fukui (6), Djouahra (6); Barbero (5). Brian Mansilla (5), Pablo Gozálbez (6), Dylan Nandín (5), Hyun-Ju Lee (5) e Gabriel Rukavina (5).