A grandeza, a gratidão e o Sporting acima de todos
1 A forma escolhida e o timing da despedida de Cristiano Ronaldo da Seleção Nacional foram, no contexto que vivemos, os mais adequados. Cristiano revelou discernimento, humildade, altruísmo e dignidade. E conseguiu, dessa forma, uma reconciliação plena com os portugueses.
Sei que fui muito contundente, porventura até impiedoso, em alguns textos e comentários anteriores. Ao Cristiano Ronaldo quero, por isso, pedir desculpa por algum excesso que possa ter cometido. Mas nunca devemos confundir opiniões de conjuntura, necessariamente circunstanciais, com gratidão, admiração e reconhecimento incondicionais.
Cristiano Ronaldo é o melhor jogador da história do futebol português e europeu. É, indiscutivelmente, um dos melhores de sempre a nível mundial. É o maior atleta da história do desporto mundial. É o mais relevante embaixador e símbolo de Portugal no Mundo. Nunca ninguém criou tanto valor para a marca Portugal, nem contribuiu tanto para elevar a nossa autoestima coletiva enquanto povo. Nada disto tem preço.
Tudo o resto que aconteceu nos últimos meses perde relevância perante o impacto, a dimensão e a grandeza que Cristiano Ronaldo demonstrou nesta despedida, e perante tudo aquilo que Portugal lhe deve.
Imagino que o seu estado de espírito seja o de uma enorme angústia, neste momento em que acabou de devolver a camisola que mais amava a um País que, a partir de agora, terá de aprender, tal como ele, a vê-la vestida por outros. E que lhe resta o vazio de assistir, da bancada, àquilo que durante tantos anos foi a razão maior da sua vida. Deve ser particularmente duro para alguém como CR7. Há coisas que o dinheiro não compra, não substitui e não compensa.
A nós, simples mortais, cabe-nos ser gratos. Recordar e enaltecer os seus feitos, transmiti-los às gerações vindouras e exigir que Portugal o honre com a despedida digna da Seleção Nacional que lhe é devida e que ele merece.
Obrigado, Cristiano Ronaldo. Foi um privilégio ver-te com a camisola 7 das Quinas vestida e ser, tantas vezes, feliz e inspirado por ti. No que me diz respeito, jamais serás esquecido.
2 A saída de Rui Borges merece, antes de mais, uma palavra de agradecimento. Pelo que deu ao Sporting, pela dedicação exemplar, pelo profissionalismo absoluto e pela irrepreensível postura no relacionamento e na lealdade ao clube e aos sportinguistas. Infelizmente, não deu para mais.
Como disse Frederico Varandas, nunca houve clube que o defendesse, protegesse e dignificasse tanto como o Sporting. E é verdade. O presidente esteve sempre na primeira linha de defesa do treinador, sobretudo nos momentos em que seria mais fácil ficar em silêncio, criticá-lo ou, no limite, despedi-lo. Mas a quem dirige compete defender os superiores interesses do Sporting Clube de Portugal sem estados de alma, sem emoções à flor da pele e com racionalidade. Foi isso que aconteceu.
Agora chega Paulo Fonseca. Um treinador experiente, com um currículo de topo no futebol europeu, títulos conquistados e experiência de clubes grandes. São 110 jogos nas competições europeias, entre Liga dos Campeões, Liga Europa e Liga Conferência, com 58 vitórias, 24 empates e 28 derrotas. Um percurso internacional que, por si só, dispensa apresentações.
A partir de quarta-feira à noite, Paulo Fonseca passou a ser, para mim, o melhor treinador do mundo.
Não é uma profissão de fé cega. É uma declaração de compromisso e de confiança. Desejo e acredito que nos fará tão felizes como já fomos com Ruben Amorim, Augusto Inácio, Laszlo Boloni, Joseph Szabo, Juca e, também, com Rui Borges.
As suas qualidades técnicas, táticas e humanas são reconhecidas. A sua ambição também. Agora, é tempo de lhe dar condições, confiança e tranquilidade para trabalhar. No Sporting não há treinadores de transição nem treinadores a prazo na cabeça dos adeptos. Há um treinador do Sporting Clube de Portugal, que passa a ser o treinador de todos nós. E é para ganhar.
Uma última palavra para o Tiago Fernandes, treinador da equipa B, que esta semana prestou mais um enorme serviço ao Sporting Clube de Portugal, liderando a equipa no jogo da Liga dos Campeões frente ao Shakhtar. É a segunda vez na sua carreira que é chamado a esta responsabilidade e que responde com distinção.
Não tenho qualquer dúvida de que, mais dia menos dia, por mérito próprio, será campeão nacional como treinador principal do Sporting Clube de Portugal. Há percursos que merecem ser acompanhados com atenção. O dele é, seguramente, um deles.
Porque, no final, aquilo que importa é reconhecer quem nos deu tanto, respeitar quem serviu o clube e acreditar em quem chega para continuar a história. Sempre com uma certeza acima de todas as outras: O Sporting Clube de Portugal está primeiro e sempre, mas sempre, acima de tudo.