«Se posso trazer Paquetá, porque não poderia trazer Klopp?»
Luiz Eduardo Baptista, presidente do Flamengo, concedeu uma entrevista exclusiva ao jornal AS, na qual abordou o processo de renovação com o treinador Filipe Luís, figura central no sucesso do clube em 2025, ano em que conquistou o Brasileirão e a Libertadores.
O dirigente foi um dos principais arquitetos do projeto desportivo do clube, que culminou com a histórica contratação de Lucas Paquetá e os recentes triunfos sob o comando do jovem técnico brasileiro. Baptista confirmou o seu papel fundamental nas negociações para a continuidade do técnico.
«O Filipe formou-se na Europa. É um desportista, do ponto de vista intelectual, acima da média. Ele já era treinador enquanto era jogador. Trazia isso no seu ADN», disse. O processo de renovação, que durou cerca de dez dias, foi descrito como «natural», envolvendo o alinhamento de visões e aspetos financeiros. A principal divergência residia na perspetiva de futuro. «O meu objetivo, a minha visão, a longo prazo será sempre o Flamengo. Penso no Flamengo hoje, amanhã e dentro de 10 anos», explicou. Por sua vez, a visão do técnico é diferente: «O Filipe não pensa no Flamengo dentro de 10 anos. A carreira dele pode continuar no Flamengo, mas pode não continuar. Portanto, a sua visão de futuro não coincide necessariamente com a do Flamengo. É algo natural», explicou.
Baptista desvalorizou a demora nas negociações, que gerou ansiedade entre os adeptos e na imprensa. «É interessante que as pessoas digam que demorou demasiado. Dez dias. Nunca tomei nenhuma decisão fundamental nesse lapso de tempo!», ironizou, sublinhando que o ritmo do futebol é mais acelerado do que o da vida quotidiana.
Por outro lado, o regresso de Lucas Paquetá ao Flamengo, clube onde se formou, foi um dos principais objetivos da atual direção. A contratação, avaliada em 42 milhões de euros, foi facilitada por um «desafio pessoal importante» que o jogador enfrentou, relacionado com o caso das apostas. A oportunidade de voltar ao seu país e à sua cidade natal, o Rio de Janeiro, pesou na decisão do internacional brasileiro de 28 anos.
«É mais fácil um boi voar do que o Flamengo fazer o que fizemos»
Este crescimento alimenta sonhos ainda maiores. «Se posso trazer Lucas Paquetá, porque não poderia trazer Klopp? Porque não poderia trazer outro treinador?», questionou o líder do clube, admitindo que o Flamengo já possui capacidade financeira para atrair técnicos de renome europeu. A principal barreira, segundo ele, seria a vontade do próprio treinador em deixar a Europa.
«Agora, o que vejo e está muito claro é o seguinte: se alguém tivesse dito há dois anos que o Flamengo teria o tamanho que tem hoje, o poder económico, financeiro e desportivo que tem, talvez todos os jornalistas do Brasil dissessem: «Estão loucos! Isso nunca vai acontecer». E dois anos depois aconteceu. Se alguém tivesse dito há um ano que o Flamengo traria Lucas Paquetá da Inglaterra, ninguém teria acreditado. É mais fácil um boi voar do que o Flamengo fazer o que fizemos. Há seis meses, a imprensa sul-americana ficou muito surpreendida com a contratação de Samuel Lino, porque custou 22 milhões de euros. Todos se perguntavam como o Flamengo poderia contratar um jogador tão jovem por essa quantia. Bem, seis meses depois, estamos a trazer Lucas Paquetá por 42 milhões de euros.
Quanto ao futuro do treinador Filipe Luís, que tem sido associado a uma mudança para a Europa, o presidente adota uma filosofia de trabalho diário para tornar o Flamengo um projeto cada vez mais atrativo. «O meu trabalho é fazer com que os melhores queiram sempre ficar aqui por muito tempo. Quanto mais vencedor for o Flamengo, mais difícil será para quem está aqui querer sair», declarou. «Filipe tem todo o direito de pensar na Europa... mas este mundo está a mudar muito depressa. Trabalho dia após dia para que a decisão de deixar o Flamengo seja difícil para quem está aqui, e para quem quer vir, que seja uma decisão simples.»