A raiva de Samu, o coração dos 'citizens' e a tradução de Mourinho
Hoje, 28 de setembro, comemora-se o Dia Mundial da Raiva. Façamos de conta que é o Dia Mundial da Raiva emoção e não, como é, o Dia Mundial da Raiva doença viral. A raiva é uma emoção que, em maior ou menor grau, nos afeta a todos.
Ronaldo, por exemplo, sentiu raiva por ter saído ao minuto 65 do jogo com o País de Gales, mas não teve outro remédio que não fosse engoli-la e digeri-la;
Trubin pode sentir raiva por ter passado de titular a suplente no Benfica, mas não tem outro remédio que não seja engoli-la e digeri-la;
Samu podia ter sentido raiva (sabe-se lá de quê e porquê), mas o melhor que tinha a fazer era engoli-la e digeri-la e não descarregá-la nas costas de Bah;
Ronaldo sentiu raiva por ter saído do meio dos defesas uns milésimos de segundo antes e, assim, ter visto um golo anulado, mas não teve outro remédio que não fosse digeri-la e engoli-la;
Pablo Rosario exteriorizou raiva positiva após ter evitado, com o cocoruto, o golo do Benfica, mas, neste caso, nem a engoliu nem a digeriu: saiu, de forma positiva, no mesmo instante;
Bah sentiu raiva por ter sentido o pequeno murro de Samu a bater-lhe nas costas e talvez o melhor fosse engoli-la e digeri-la antes que lhe fosse mostrado (como foi) o cartão amarelo;
Alberto pode sentir raiva por ainda não ter sido chamado à Seleção Nacional, mas o melhor que tem a fazer é engoli-la, digeri-la e continuar a trabalhar;
Lenglet pode sentir raiva de André Silva e de si próprio, mas o melhor que tem a fazer é digerir a raiva e engoli-la;
os sportinguistas podem sentir raiva por terem ficado, num ápice, sem Diomande, Hjulmand, Morita, Francisco Trincão, Pedro Gonçalves e Daniel Bragança, mas o melhor que têm a fazer é engoli-la e digeri-la, esperando que, até maio, ela se desfaça completamente.
A raiva, dizem os especialistas, é uma emoção natural e saudável, que pode aparecer quando nos apercebemos de que os nossos limites estão a ser desrespeitados. A solução é simples: respirar fundo e contar até cinco. No caso dos sportinguistas, o ideal é contarem um pouco mais.
Amanhã, 29 de setembro, comemora-se o Dia Mundial do Coração. É preciso um coração enorme, com aurículas e ventrículos em perfeito estado, para que o sangue flua na direção correta e não aconteça aquilo a que os médicos chamam refluxo. Ou seja, grosso modo, o sangue voltar para trás.
Deve ser o que estão a sentir os adeptos do Manchester City. O clube está a ser acusado de 114 infrações e pode ficar sem alguns dos títulos conquistados nos últimos 17 anos. Ou seja, de novo grosso modo, os títulos podem voltar para trás e ser redistribuídos. Eu, se fosse citizen, respirava fundo, contava até 100, engolia e digeria a raiva e fazia análises ao coração.
Depois de amanhã, 30 de setembro, é o Dia Mundial da Tradução. Faz sentido. Há oito anos, se tudo se provar, o Man. United de Mourinho teria sido campeão. A raiva que Mou sentiu em 2018 e que lhe terá feito mal ao coração poderá agora ser traduzida na sua quarta Premier League.