Dany Freire é internacional sub-15 por Portugal. Foto: Instagram
Dany Freire é internacional sub-15 por Portugal. Foto: Instagram
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Dany Freire, a pérola portuguesa de 16 anos que acaba de assinar pelo Barcelona

Trocou o Luxemburgo pela Catalunha depois de despertar o interesse de vários clubes europeus e prepara agora nova etapa da carreira com a certeza de que, a nível internacional, quer representar a Seleção Nacional

Há mais um talento português a despontar num dos maiores clubes da Europa. Aos 16 anos, Dany Freire acaba de dar um passo de enorme dimensão na carreira ao assinar pelo Barcelona, depois de uma época de afirmação ao serviço do Racing, do Luxemburgo, onde disputou a UEFA Youth League e conquistou a Taça do Luxemburgo Sub-17, competição na qual foi decisivo na final, com um golo e uma assistência.

A história de Dany começou, contudo, bem antes deste salto para a Catalunha. Nascido em Almada e criado no Luxemburgo, começou a jogar no Racing aos seis anos e, ainda muito jovem, foi chamado às seleções daquele país.

Dany Freire brilhou ao serviço do Racing. Foto: Instagram

«O Dany começou a jogar no Racing, no Luxemburgo, aos 6 anos, e aos 12 foi chamado à seleção. Desde pequenino teve aquela vocação pela bola», conta Carlos Lima, pai do jogador, em declarações a A BOLA. «Na escola, perguntavam-me o que ele queria ser e eu dizia sempre que ele só falava de bola. Até as professoras me diziam: 'O miúdo só fala de bola.' Sempre disse que queria ser jogador de futebol. E dizia com certeza e claridade.»

Um jogo da seleção do Luxemburgo diante dos Países Baixos acabou por ser importante para abrir uma nova porta. O jovem foi chamado para realizar testes para a Seleção Nacional sub-15 e o desempenho convenceu.

«Foi com essa chamada a Portugal que começaram a vê-lo de outra maneira, porque aqui no Luxemburgo não tinha muita visibilidade», explica. Dany passou então a representar Portugal nas camadas jovens e chegou a partilhar a Seleção sub-15 com Cristiano Ronaldo Jr. Entretanto, o percurso no Luxemburgo continuava a despertar atenção e, numa altura em que vários clubes acompanhavam o jogador, surgiu o interesse do Barcelona.

«Por entre a euforia de tantos clubes atrás dele, o olheiro do Barcelona ficou interessado e contactou-nos para ir lá fazer os testes», recorda Carlos Lima. A viagem para a Catalunha aconteceu a 27 de julho deste ano. Dany foi inicialmente para realizar um período experimental, mas bastaram poucos minutos de treino para o cenário mudar.

«Com 25 minutos de treino, recebi uma mensagem do nosso agente a dizer que o staff do Barcelona estava impressionado e que queria ficar com ele. Éramos para ficar até sexta-feira e pediram para ficar já de vez.»

A notícia de que o Barcelona queria ficar com Dany apanhou o pai de surpresa. «Eu não estava a acreditar. Disse que era impossível», recorda. O jogador, por seu lado, não teve dúvidas desde o primeiro dia: «Ele sempre me disse, desde que soubemos do interesse, que ia ficar.» E assim foi. O jogador começou a trabalhar com os juvenis B, embora também tenha participado em jogos com os juvenis A. No dia em que completou 16 anos, a 19 de setembro, assinou oficialmente pelo emblema blaugrana.

O pai, porém, garante que o clube catalão não lhe prometeu atalhos. O caminho será feito passo a passo. «É um processo em que ele vai crescendo. Vai depender dele, do trabalho, da eficácia, da dedicação e de muita coisa. O que eles viram, gostaram e quiseram. Agora está lá e tem de trabalhar para chegar mais longe ainda.»

Dany Freire com a camisola do Barcelona. Foto: DR

E potencial não parece faltar. Carlos descreve-o como um jogador rápido, tecnicamente forte e capaz de atuar em várias posições. «Gosta de ter a bola nos pés, gosta de liberdade e de estar no jogo. Se o meterem a dez, verão ver o verdadeiro potencial do Dany, mas ele pode jogar em quatro posição: na linha, no meio, como avançado e como falso nove.»

'Grandes' estavam de olho

O salto para um clube desta dimensão também foi possível graças a uma escolha ponderada. Segundo Carlos Lima, chegaram a existir 16 clubes interessados no jovem, de vários países, incluindo Alemanha, França, Bélgica, Países Baixos e Portugal. A família visitou diferentes projetos antes de tomar uma decisão. «Não descartei nenhum clube. Quis visitar todos os clubes interessados, porque queria saber onde é que o meu filho se ia sentir bem. Até mudámos de agente duas vezes, porque queriam que assinasse e eu disse que só assinava quando o meu filho se sentisse bem.»

Curiosamente, o Barcelona nem sequer era a primeira preferência do jovem. «O Dany queria a Alemanha. Não queria saber de mais nenhum clube», revela o pai, que chegou a considerar um histórico alemão como uma das opções.

Dany em ação frente ao Real Madrid. Foto: Instagram

Até Benfica, FC Porto e Sporting acompanharam a evolução do jovem, num processo que contou ainda com a atenção do SC Braga. No caso dos bracarenses, chegou mesmo a haver um contacto direto após um jogo, mas a mudança acabou por não se concretizar.

A mudança para Espanha acabou, no entanto, por concretizar-se e obrigou também a uma nova etapa longe da família. Dany tinha apenas 15 anos quando deixou o Luxemburgo. «Foi duro. Estava habituado a tê-lo todos os dias comigo, a decidir a rotina dela e, depois, vejo ir para longe e começar a dar os passos sozinho. Não foi fácil», admite Carlos.

Dany Freire é internacional sub-15 por Portugal. Foto: Instagram
Dany Freire é internacional sub-15 por Portugal. Foto: Instagram

A adaptação acabou por ser mais simples do que a família esperava. Dany já vive e estuda em Barcelona e começou rapidamente a aprender espanhol. «Houve um dia à noite em que estava a falar com ele e vi-o a falar com um colega. Já estava a falar espanhol», conta, entre risos.

Apesar de ter representado o Luxemburgo nas camadas jovens, Dany Freire é internacional português sub-15 e foi agora convocado para a Seleção Nacional sub-17. A escolha para o futuro, quando chegar ao escalão sénior, está, contudo, já tomada. «Está claro na cabeça dele: quer jogar por Portugal. Vai depender dele, mas essa é a escolha», revelou.

Dany Freire e o pai, Carlos Lima. Foto: Instagram

«Humilde e trabalhador»

Daniel Vieira, que treinou Dany Freire nos juniores do Racing, foi um dos primeiros a perceber o potencial do jovem português. A primeira impressão surgiu na final da Taça dos sub-15, entre Racing e Fola Esch. «Nas bancadas, começaram a falar dele e comecei a prestar mais atenção. Foi um jogador que deu muito nas vistas, pela rapidez, pela técnica e pela diferença que fazia no campo», recorda, a A BOLA.

Quando assumiu os sub-19, e com a equipa a preparar a participação na Youth League, decidiu dar uma oportunidade ao jovem, então ainda sub-16, para treinar com os mais velhos. «Nos três ou quatro primeiros jogos pelos juniores, a jogar contra séniores, marcou três ou quatro golos e fiquei encantado.»

Daniel Vieira treinou Dany Freire no Racing. Foto: Facebook

O treinador destaca sobretudo a capacidade técnica, a velocidade e a liberdade que Dany procura para se expressar em campo. «Gosta de vir buscar muito jogo atrás, de estar livre. Às vezes ocupa o lugar do 8 ou do 6 e vem buscar o jogo para fazer a equipa jogar. Tem uma boa visão de jogo, é rápido, tem boa técnica e consegue ultrapassar rapidamente um ou dois jogadores.»

Apesar do potencial, o treinador deixa também um alerta: ainda há muito caminho pela frente. «O Dany pode chegar longe, mas ainda tem que trabalhar muito. Só está 40 por cento do caminho feito. Taticamente ainda tem dificuldades e, na compreensão do jogo, às vezes corre sem saber para onde tem de correr. Já melhorou bastante, mas ainda tem muito para melhorar.»

Dany Freire deu nas vistas no Racing. Foto: DR

Foi, por isso, com alguma surpresa que recebeu a notícia de que o Barcelona estava interessado. «Quando o pai me falou do Barcelona, fiquei espantado. Tinha me falado do SC Braga, do Benfica, do Sporting, mas o Barcelona foi surpreendente.»

Além das qualidades futebolísticas, Daniel Vieira realça uma característica que considera essencial para o futuro: a personalidade. «É muito humilde, tem os pés assentes no chão, é trabalhador e ouve. Mesmo quando já sabíamos que havia clubes interessados nele, vinha para os treinos da mesma forma. Nunca mostrou ego. Sempre foi muito humilde e trabalhador e sabe que tem de aprender mais.»

Os ingredientes estão lá: talento, velocidade, técnica, humildade e vontade de aprender. Agora, é deixar o tempo e o próprio Dany dizerem até onde esta pérola lusa pode chegar.

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