Mundial
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Cristiano Ronaldo não é solução, mas também não é o problema
Não era o arranque que queríamos, mas isto está longe de ter acabado
Cristiano Ronaldo, capitão da Seleção, após o empate de Portugal com a RD Congo a abrir o Mundial
Cristiano Ronaldo virou de novo saco de pancada da Seleção (há quem não se lembre, mas já o foi, ali pelo início da década de 2010), e parece que tanta gente o considera o culpado do empate de Portugal com a RD Congo, a abrir a campanha lusa no Mundial 2026.
Jogou bem? Não, não jogou. Mas quem jogou? Teria Portugal sido melhor com Gonçalo Ramos de início? Talvez, quem sabe... Mas o mesmo se pode dizer de Diogo Dalot em vez de Cancelo, Rúben Neves em vez de Vitinha, João Félix, Trincão ou Gonçalo Guedes em vez de qualquer um dos extremos, e foram quatro...
É legítimo discutir se Ronaldo deve ser titular. Se, sendo-o, deve jogar os 90 minutos. Mas é perigoso achar que ele é o problema da Seleção. De vez em quando, o capitão falha um jogo e Portugal até joga bem, e meio mundo fica a achar que a Seleção só funciona sem ele. É mentira. Tanto já jogámos bem com ele, como já jogámos muito poucochinho sem ele.
Ronaldo, hoje, é um finalizador. Falha, claro, como ontem falhou, e talvez nem seja o melhor finalizador para a equipa. Mas não é ele, ou quem jogar no lugar dele, que deve ter a responsabilidade de criar. E a verdade é que Portugal cria muito pouco, e não é de hoje.
Vá lá que João Neves marcou um golito de cabeça — se o não tivesse feito, a nossa série sem marcar em fases finais de Europeus e Mundiais teria chegado às sete horas e meia. Pôr isso nas costas de Ronaldo é peso a mais para 41 anos...