Aguirre recusou quatro propostas pelo Valência: «Disse à minha mulher 'Silvia, desculpa, temos de ir'»
O Valência oficializou Javier Aguirre como o novo treinador. O mexicano terá a difícil missão de inverter o pior arranque de época do clube na história recente. Com apenas quatro pontos somados e uma vitória nas primeiras sete jornadas, ocupa atualmente o 19.º lugar na tabela da LaLiga.
Aos 67 anos, o treinador regressa a Espanha após passagens por Osasuna — onde iniciou o seu trajeto no país em 2002 —, Atlético, Zaragoza, Espanhol, Leganés e Maiorca, consolidando ao longo dos anos a reputação de especialista em salvar equipas em situações delicadas.
Aguirre, que se encontrava sem clube após orientar a seleção do México no Mundial 2026, assinou até ao final da presente temporada, com mais um ano de opção em caso de apuramento para a Liga Europa via campeonato. Ainda assim, o diretor desportivo Braulio Vázquez relativizou essa meta: «Podemos ficar em 14.º ou 15.º e renovar com Aguirre por estarmos satisfeitos.»
O treinador vai aproveitar ao máximo a pausa para seleções e tem estreia marcada para daqui a duas semanas, diante do Racing, no El Sardinero.
Durante a apresentação no Estádio de Mestalla, Aguirre explicou a decisão de aceitar o convite, revelando ter colocado de parte quatro propostas anteriores: «Não posso dizer 'não' ao Valencia. Nunca, nunca. É um histórico da Liga, tem adeptos brutais. Chegas aqui e ficas impressionado. Quero que Mestalla seja um estádio imponente, que a equipa volte aos patamares onde merece estar e onde esteve ao longo da sua história. Estava com a minha família, com a minha mulher Silvia e com os meus netos, e disse-lhe: 'Silvia, desculpa, mas temos de ir para lá.»
Aguirre recordou a conversa com a mulher no momento em que surgiu o convite, admitindo a sua forte ligação ao trabalho nos relvados espanhóis. «A Silvia gosta mais de futebol do que eu. Apanhou-nos em viagem. Vai ser o aniversário dela e não vou estar presente. Disse-me de tudo, mas está contente porque estou a trabalhar. Sabe o quanto gosto de trabalhar e o quanto gosto de trabalhar em Espanha», rematou, desvalorizando discursos prolongados: «Aguirre pode falar e dizer, mas se não ganhar, é a mesma história. Venho falar porque é obrigatório, obrigam-me. Mas não teria vindo. Onde é preciso falar é no campo.»
Confrontado sobre o objetivo europeu, o técnico desvalorizou as cláusulas contratuais: «Sou muito mau a imaginar coisas. O que diz o papelinho não me diz muito. Se estivermos todos confortáveis, continuaremos; se não estivermos, não continuaremos.»
No que toca ao estado anímico e físico do grupo, Aguirre identificou as prioridades imediatas. «O diagnóstico rápido é que falta confiança. Vejo muito talento individual, muita formação e de muita qualidade. O que é preciso fazer é convencê-los de que são importantes e de que estão numa instituição que tem de se sentir importante. Num clube com a história deste não podes deambular em campo», vincou, alertando ainda para o boletim clínico: «A primeira coisa que vejo é que há muitos lesionados e é isso que me ocupa de momento. Temos de recuperá-los e mudar essa cara.»
«Agora restam 31 jogos e vão jogar os que estiverem melhor», disse sobre os planos mais próximos. Sobre a abordagem estratégica, rematou: «O plano é ganhar. Não sei se sou mais ou menos defensivo. Se tiver de colocar um 1-5-4-1, dependerá do jogo e do rival.»
Se vês um jogador passivo, tens de fazê-lo reagir. Eu era um futebolista bastante tosco, mas ninguém me ganhava a dar tudo
Aguirre disse o que pedirá aos jogadores: «Não entendo o futebol sem entrega. Se vês um jogador passivo, tens de fazê-lo reagir. Eu era um futebolista bastante tosco, mas ninguém me ganhava a dar tudo. A entrega não é negociável», vincou Aguirre.
O treinador revelou ainda que já esteve em contacto com a liderança do clube — «Falámos através de um ecrã, cumprimentámo-nos», indicou a propósito de Kiat Lim — e partilhou o desejo de sentir o apoio fervoroso dos adeptos nas bancadas: «Gostaria de sentir o vulcão de Mestalla, mas a meu favor. Vais para o estádio com muita esperança e é com ela que queres voltar para casa.»